Responsável por tirar a vida de Ricardo dos Santos, o policial militar Luis Paulo Mota Brentano se manifestou publicamente pela primeira vez desde que cometeu o crime na última segunda-feira (20/1), na Guarda do Embaú (SC).
Em nota divulgada pelo advogado Leandro Gornicki Nunes na tarde do último domingo, Brentano lamentou a morte de Ricardinho e desejou força aos familiares.
O policial reafirmou que agiu em legítima defesa e que espera que a apuração dos fatos não seja prejudicada pela grande comoção social.
“Por meio desta, venho me manifestar publicamente a respeito da situação que envolveu Ricardo dos Santos, afirmando que lamento sinceramente e profundamente o ocorrido, desejando muita força e serenidade aos familiares e amigos dele e de minha pessoa, pois tenho certeza que estão sofrendo muito.
No entanto, registro que, de fato, agi em legitima defesa própria e de meu irmão menor, cujas provas serão oportunamente produzidas, esperando que a apuração dos fatos não seja prejudicada pela grande comoção social.
Esclareço que, desde o primeiro momento, colaborei com a apuração dos fatos, dispondo-me à realização dos exames e esclarecimentos necessários, além de relatar tudo aos meus superiores hierárquicos, prontamente.
Aqueles que me conhecem e já trabalharam comigo sabem que eu jamais iria disparar contra uma pessoa, a não ser em defesa própria ou de terceiros. E àquelas pessoas que não me conhecem, rogo que tenham cautela e prudência ao me PRÉ-julgarem.”
Luis Paulo Mota Brentano
Acusado de tortura Poucas horas depois da nota, o programa Fantástico, da Globo, exibiu uma reportagem em que o policial é acusado de ter torturado um rapaz em Joinville, em maio de 2014.
O episódio teria acontecido em uma partida de futebol. A vítima estaria gravando a movimentação de torcedores perto do estádio e isso, segundo a denúncia, teria sido o motivo para irritar o policial. A mãe do jovem mostrou imagens de hematomas supostamente provocados pela tortura.
Segundo ela, enquanto o policial estava com o rapaz, ele fez menções ao nazismo: “Agora você vai ver o que acontecia na época do Hittler. Eu vou fazer exatamente o que ele fazia”, teria dito Brentano.
Por causa da denúncia de tortura, o Ministério Público recomendou ao 8º Batalhão da Polícia Militar, em Joinville, onde Brentano é lotado, que o policial fosse transferido para serviços administrativos. O comando da PM afirma que seguiu a orientação, transferido o soldado para o setor de inteligência da corporação.
O coronel Paulo Henrique Hemm, comandante-geral da Polícia Militar de Santa Catarina, disse ao Fantástico que um processo administrativo foi aberto contra Brentano pela morte de Ricardinho. Segundo o coronel, a expulsão do soldado da corporação já está definida. O caso está sendo investigado também pela Polícia Civil. O advogado de Brentano, Gilson Schelbauer, alega que o cliente agiu em legítima defesa.
Fonte Diário Catarinense