Trimmm, trimmm.
Marco Alô?
Tânio Bóra baia, amanhã pro Peru?!
M Quê? Amanhã?!
T É, depois vamos pro Equador e Chile.
M Cê tá louco?
T Vai rolar o Alas, nem sei se vou conseguir correr a etapa do Peru, mas vamos pegar altas ondas no Equador e no Chile eu to confirmado no campeonato.
M Caramba, brother, como é que tu me liga assim de última hora, eu tava me programando de ir viajar somente mês que vem.
T Vamo nessa! Consegui as passagens, US$ 1 mil em 10 vezes sem juros no cartão, vai ser show…
M Se for isso mesmo nós vamos, eu dou um jeito, não agüento mais essas marolas.
T Prepara teus equipamentos, faz os teus contatos aí que vamos fazer altas imagens.
M Pô, será?
T Então já é, passa aí teus dados…
E foi mais ou menos assim que essa trip começou. Meio na loucura, partimos no dia seguinte sem saber se o Tânio iria correr o campeonato em Punta Rocas, se eu iria conseguir vender as matérias, mas ficar aqui em casa é certo que não daria em nada.
Depois de negociar as tarifas de pranchas, a viagem ao Peru foi rápida; chegamos à noite e logo estávamos na companhia de Luisfer, big rider casca-grossa dono da pousada que acolhe os brasileiros com grande hospitalidade.
Um pouco de histórias antigas, como no ano em que Tânio fez final em um WQS por lá e o dia em que Luisfer teve que defender alguns brasileiros que iam tomar porrada de um grupo de peruanos.
Os peruanos estão indignados com alguns brasileiros por suas atitudes dentro e fora da água. Para piorar a situação, há pouco tempo um brasileiro rabeou um local peruano que acabou caindo da prancha e quebrou a coluna.
O verão está chegando e é quando este tipo de problema está acontecendo, um bando de brazucas mal educados invade Punta Hermosa, e quando o mar sobe um pouquinho se mandam para as marolas do Norte.
No inverno, quando quebram as ondas de verdade, os surfistas brasileiros que vão para lá sabem muito bem se comportar, surfar as grandes ondas e a ter respeito.
Fomos descansar pensando em tudo isso. Logo cedo, partimos pro pico e demos a sorte de pegar um mar perfeito com direito a água quente. O Tânio quebrou nessa primeira sessão e, ao sair da água, foi ver se tinha conseguido a vaga pra correr o campeonato.
Desceu do palanque triste , pois os organizadores haviam alegado que só poderiam correr sete brasileiros naquele campeonato – pelo menos Tânio conseguiu as inscrições para o Equador e Chile de graça. Ficamos pela área e vimos o catarinense Leo Gianotti vencer na Júnior.
O Alas é um circuito alucinante, pouco explorado pelos brasileiros. Mesmo tendo como campeão o pernambucano Ernesto Nunes, poucos brazucas se interessam por esse circuito que rola somente em ondas de qualidade pelo Pacífico, à exceção da primeira etapa, que rola no Atlântico, na Argentina, que é mais uma grande festa do que um campeonato de surf.
Mas, voltando à nossa trip, surfamos todos os dias com altas ondas pelos picos de Punta Hermosa. O pico tem muita onda, é só esperar um pouco que você irá surfar uma boa da série. Lá pude surfar com minha prancha da Oitava Arte, a cameraboard que faz imagens fora dos padrões normais de captação.
Os dias se passaram muito rápido e chegou a hora de partir para o próximo destino, o Equador, com suas imensas variações de marés, fundos de coral e a sua famosa direita, Montãnita.
Essa parte da trip vocês acompanham na próxima matéria. Fiquem conectados no Waves. Até lá! Aloha.