Pipeline não dá trégua

A última semana no Hawaii entrou para a história depois de Pipeline ter quebrado todos os dias com ondas variando entre 6 e 15 pés.

 

Na última sexta-feira as ondas variaram entre 6 e 10 pés e no sábado elas chegaram aos 15 pés pela manhã, com séries lindas vindo do terceiro reef.

 

Até o meio-dia os bodyboarders dominavam o outside. Os ex-campeões mundiais Paulo Barcellos e Guilherme Tâmega estavam entre os destaques.

 

Enquanto checava o mar com Pato, vimos os locais Jamie Sterling e Kalani Chapman rumarem para o outside munidos de suas guns 8?4 e 9 pés, respectivamente.

 

Quando entrou a primeira série ficamos com os olhos vidrados. Quinze pés sólidos rolando do terceiro reef até a primeira bancada, onde o tubo rolava pesado e perfeito.

 

Chapman e Sterling se revezavam nas melhores das séries e deixavam os meros ?mortais? babando na praia com tanta perfeição e power.

 

O vento extremamente forte segurava todos até o último instante, proporcionando drops verticais e atrasados.

 

Fomos buscar nossas pranchas enquanto Carlos Burle e Romeu Bruno também se dirigiam ao outside. Peguei uma 7?4 super grossa e Pato foi com sua 9 pés.

 

De volta à praia o bodyboarder Paulo Barcellos comentou: ?Estou exausto. Caí três vezes hoje. Uma semana dessas deixa qualquer um quebrado. Bem que poderia entrar uma semana de vento maral?, brincou.

 

O crowd não era dos piores no Banzai, com poucas cabeças. Pato pegou uma linda onda com sua 9 pés e matou a vontade de dropar uma bomba lá de trás com uma gun.

 

Fiquei no outside ao lado do Romeu e durante duas séries peguei boas ondas. Na primeira coloquei dentro de um tubo gigante fechando.

 

Não tive saída a não ser colocar para dentro e curtir o visual. No segundo eu vi a luz no fim do túnel, mas acabei esmagado no final.

 

Burle foi também ao Banzai e pegou uma bomba, mas se ralou no choque com a bancada no final. Liam Macnamara e Pato droparam a mesma onda. Pato saiu e Liam curtiu a melhor parte sozinho na bancada.

 

Nada de onda para a direita. Foi o primeiro dia que não vi ninguém tentar surfar o Backdoor. Ondulação sólida e grande swell de oeste. Perfeito.

 

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Na areia havia muitos cinegrafistas e fotógrafos. Do Brasil estavam Lika Maia, Carol Oliva, Bruno Lemos e Luis Roberto Formiga. Na água, Rafael Oliveira e Kléber Pires buscavam ângulos diferenciados.

Quando saí do mar as ondas ainda bombavam tubos insanos, mas as grandes séries pararam e ficou quebrando na primeira bancada. Danilo Couto entrou na água, pegou duas ondas boas e saiu amarradão.

 

Enquanto eu tomava uma ducha em Ehukai, apareceu o pernambucano Inaldo, mais conhecido como ?Kelly Slater?, com um buraco no joelho e todo arranhado. Foi massacrado na bancada, pensei.

 

Ele explicou: ?Dropei uma onda linda e na cavada vi um bodyboarder remando. Não acreditei que ele droparia na minha frente, mas ele desceu e o rastro da prancha me atrapalhou. Acabei caindo e fui massacrado na bancada. Isso é muito perigoso?.

 

Quando ele terminou de explicar o ocorrido, vimos vários locais vindo em nossa direção.

 

Eram tantos que esvaziaram a Volcom House, em frente a Pipe, e foram direto falar com o pernambucano.

 

Depois de confirmarem que havia sido ele o rabeado, correram para a praia. Fomos junto e vimos o bodyboarder remando na direção de Rocky Point.

 

Os locais foram acompanhando pela areia, mas desistiram quando o ?rabeador? passou de Rocky Point em direção a Sunset para sair da água.

 

Um dos locais mais temidos passou por mim e disse: ?Nunca vi isso. O cara remou até Sunset para sair da água. Esse foi o dia de sorte dele?.

 

Ficou bem claro para todos que presenciaram o episódio que não importa de onde você venha, hoje os locais do North Shore querem respeito na água. Ninguém deve ser rabeado ali.

 

Prova disso é que um brasileiro quase ?anônimo? foi rabeado e eles ficaram putos. Pipeline é a onda mais perigosa de Oahu e pode machucar feio quem bobear ali.

 

A bancada já fez muitas vítimas e continuará fazendo. Se elas não colocarem ordem vira zona. A semana foi marcada por dias clássicos e sábado foi o maior deles.

 

No domingo o mar abaixou, mas sem perder a perfeição, e deve aumentar de novo no meio da semana. Obrigado meu Deus.

 

Aloha

 

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