Os Pioneiros Surf Club do litoral paulista reuniram-se na última sexta-feira (9/7) no Museu do Surf, Quebra-Mar, Santos (SP).
O grupo é composto por uma turma que atravessou o tempo, desbravou os setes mares e prova que o surf melhora o condicionamento físico, elimina o estresse e combate qualquer tipo de depressão.
No encontro também foi realizado o Congresso Técnico do quarto Festival de Longboard dos Pioneiros, que acontece neste final de semana (17 e 18/7), nas ondas do Quebra Mar.
“Pelo que acontece aqui, a festividade, a alegria das pessoas, tudo isso está de acordo com o que sempre procuramos, que é exatamente a confraternização, descontração e amizade”, resume José Luiz Sant’Anna, um dos fundadores do clube ao lado de Walter Theodosio Junior e Carlos Carmello.
“Por meio do campeonato desejamos melhorar a qualidade de vida das pessoas, pois com o evento elas procuram cada vez mais cuidar da saúde, já que estamos em uma faixa etária que causa preocupação para alguns”, adverte Sant’Anna.
Com 59 anos e vendendo saúde, o pioneiro sabe que o esporte é uma das portas de entrada para uma vida mais saudável. “A competitividade vai neste sentido de buscar a melhoria na qualidade de vida e cada vez mais trazemos pessoas para dentro do surf. Esta é a nossa expectativa e com este encontro conseguimos isso, basta ver a alegria da turma”, continua o surfista que iniciou no esporte em 1963.
“Comecei a pegar onda no Canal 1 e a minha primeira prancha foi uma madeirite. Nunca parei de surfar. Em casa sempre teve prancha, sempre se falou de surf”, diz com orgulho.
Para Carlos Carmello, o encontro entre os pioneiros é um sonho realizado. “Cresci no meio do surf e muitos amigos que estão hoje aqui, eu não sabia onde estavam”, comemora.
A idéia de reunir o grupo surgiu em outubro de 2005. “Começamos a chamar o pessoal na medida em que encontrávamos as pessoas. O grande negócio destes encontros é a união dos amigos. As lembranças que temos desta vida de surf são demais, é uma amizade muito legal. Os anos passam, mas a gente continua os mesmos moleques, o surf é uma coisa muito louca”, brinca o surfista de 57 anos.
A iniciativa do clube trás de volta a qualidade de vida para muitos veteranos que estavam longe das ondas, de acordo com Walter Theodosio Junior. “Nossa ideia inicial era resgatar os amigos e reparamos que várias pessoas não vinham por causa de problemas de depressão, alcoolismo e até de drogas. Com o tempo, conseguimos trazer uns 10 que estavam nestas condições para o nosso convívio que é pegar onda”.
Para ele, este retorno não tem preço. “Uma pessoa que estava parada na fase dos 50 a 60 anos e retorna para o esporte, é um benefício imenso para a saúde, traz mais alegria. Então, o resgate destas pessoas é o mais importante”.
Outros tempos Para quem começou a pegar onda no início da década de 60, certamente não conseguiria imaginar em que patamar o surf chegou. “Quando eu tinha 19 e até 28 anos, não se falava que era surfista, que tinha uma tatuagem, não podia falar isso naquela época”, conta José Luiz Sant’Anna.
“Quando se surfava de madeirite, jamais poderíamos pensar que o surf chegaria neste ponto em que chegou”, comemora.
Para ele, a imagem agora é outra. “Deixamos de ser um problema para a sociedade e passamos a ser exemplos de qualidade de vida, de esportividade. Na última empresa que trabalhei, quando a gente se reunia na diretoria, muitos perguntavam como estava o mar, as ondas no final de semana. No começo de tudo, não se podia falar, agora somos assuntos saudáveis”, festeja Sant’Anna, tecnólogo mecânico e desenhista industrial.
“Sou responsável pela supervisão de projetos de tubulação industrial. Coincidentemente minha especialidade é o tubo”, brinca Sant’Anna.
Dia do Surfista Pioneiro A noite da última sexta-feira não ficou restrita somente ao encontro de amigos e ao congresso técnico do campeonato. A data também serviu para comemorar o Dia do Surfista Pioneiro, instituído ano passado na cidade pela Lei Municipal 2.609 e comemorado em 10 de julho.
“É uma lei municipal do vereador Marcus de Rossis para homenagear o surfista pioneiro”, explica Walter Theodosio Junior, de 56 anos.
“O surf começou em Santos com o Osmar nos anos 30, depois veio a família Rittscher no início dos anos 40. A nossa geração dos anos 60 e 70 foi o que empurrou o surf para frente, apesar das dificuldades, do militarismo que era terrível em cima dos surfistas devido os preconceitos da época, então esta instituição do dia 10 premia essas fases culminando na nossa geração”, conta Walter, surfista desde 1967.
“Sou engenheiro, perito industrial, me formei em direito, mas não exerço, e nunca deixei de surfar”, finaliza.