No último final de semana (20 e 21/02), fui convidado por um camarada de longa data para acompanhar a pintura do bowl de Maresias, em São Sebastião (SP).
Minha obrigação era registrar com fotos e vídeos todo o processo criativo dos grafiteiros Mundano, Nomies, Magrela e Iskor, encarregados de jogarem tinta na onda dura de “Mareca”, localizada na Praça do Surf.
Olhei a previsão de sol e uma valinha de Sul e não pensei duas vezes. “Vamo que vamo!”. Depois de muita dificuldade em arrumar um lugar para ficar, o camarada veio com a informação de que íamos nos hospedar em uma casa de um amigo de sua família.
Antes de pegarmos a estrada ele me disse que a casa ficava na primeira rua da praia, bem longe da pista. “Pô é no Canto do Moreira, tá na cara do gol”, argumentei com o colega.
Depois de comer asfalto por umas três horas, chegamos à casa de madrugada sem fazer barulho para não acordar quem já estava por lá a contar carneirinhos.
A casa inteira era de madeira, o que chamou minha atenção. Era como uma casa de praia deve ser. Simples, aconchegante e em harmonia com a natureza.
Ela respirava surf, por isso perguntei de quem era. Ao ouvir a resposta fiquei de cara. Eu estava na casa do Sidão Tenucci, uma das lendas vivas do surf brasileiro.
Olhei em volta e percebi que estava em um museu do surf, repleto de pranchas, livros e artes de diversas partes do mundo. Infelizmente a visita ao museu foi sem guia, pois o Sidão não estava por lá e gentilmente cedeu um quartinho para a trupe de dedos de spray e eu.
Nos poucos momentos que fiquei na casa – já que saímos bem cedo para a pista nos dois dias – pude ver pranchas feitas pelo Biro, Avelino Bastos e Gary Linden. Todas com dedicatórias do tipo: “ao mestre Sidão com admiração…” além de quadros com artes que julguei serem da Indonésia e / ou Índia.
Mas o que me fez realmente viajar no tempo foram duas fotinhos penduradas em cantos da casa. Nelas é possível ver um bando de moleques barbudos, cabeludos e com sorrisos de orelha a orelha.
Ali tinha uma galera importante do surf paulista e brasileiro com certeza, mas só reconheci o Thyola e o Roberto Perdigão. Acho que estas imagens são das primeiras trips para Maresias, já que o estado das pessoas atesta o perrengue que passavam.
Mas o que se destacava nas fotos era o sorriso no rosto destas pessoas, certamente fruto das ondas que eles pegaram em Maresias rodeados apenas pelos amigos. Este estado de espírito se equivale ao que presenciei durante a pintura do bowl.
Os quatro artistas se divertiam como nunca, mesmo estando sujos da cabeça aos pés e cansados pela maratona que era pintar aquela pista. Ao todo foram consumidas 35 latas de spray e 20 litros de tinta, que deram vida a desenhos e elementos característicos da história e cultura da praia da Maresias.
A cada traço dado na imensidão azul do bowl o lugar ia ganhando vida e atraindo a curiosidade de quem passava. Adultos, crianças, turistas, moradores e skatistas elogiavam e davam opiniões de desenhos que poderiam ser feitos. Esta troca de ideias é o que motivava os quatro a continuarem colorindo as paredes da pista.
Ao final do trabalho, no domingo à tarde, era possível ver a satisfação e alegria estampada no rosto de cada um dos presentes na Praça do Surf.
Para finalizar gostaria de agradecer a SOMAR (Associação de Maresias) e a Prefeitura de São Sebastião, que viabilizaram o projeto, além do Sidão, que cedeu hospedagem para os integrantes da barca.
Para obter mais informações sobre o trabalho de Caio Antunes, acesse o blog O Ser do Surf.