
Nessas últimas semanas, tenho visto inúmeras críticas aos campeonatos e ao circuito brasileiro. Tudo isso trouxe uma pequena inspiração. Até então, eu já havia me dado por vencido, já tinha deixado de lado essa historia de tentar fazer alguma coisa pelo esporte.
Mas, com todos esses textos, resolvi acrescentar um pouco de pimenta nessa história. Se afinal, eu me empolguei com críticas de outros atletas e até de uma cara que considero muito, que é editor, do que na minha opinião é o principal meio de divulgação do esporte na internet.
Enfim, o fato é o seguinte: quem sabe eu expondo minha opinião, outros atletas se encoragem também, fazendo a bomba explodir de vez. E salve-se quem puder!
Desde moleque, quando começei a competir, fui criado neste meio. Tomando esporro de dirigentes. Vi muitos dirigentes gritarem com atletas mirins, iniciantes. A consequência disso é a política do medo. Nessa época, tinha medo de expôr meus sentimentos, de perguntar, de tirar dúvidas sobre o que eu achava incorreto. Medo de receber um cartão vermelho, ou, de ser impedido de competir por anos.

Nunca vi um tribunal de julgamento desses casos no esporte. Sempre cresci vendo que o dirigente é quem manda, é o dono do campeonato, o dono da verdade. Com ele ninguém pode, se não concordar, está fora.
Foi quando resolvi chutar o balde, caí na realidade do que estava acontecendo. Afinal, eu era o atleta, consumidor de um campeonato, pagava caro e não tinha o direito ao menos de debater, de criticar. O que é isso? Estamos numa democracia?
Para onde foi o meu dinheiro? O dinheiro que meus patrocinadores investiram?
Fundaram uma Confederação, onde você entra na internet e não tem um site oficial, avisando quando rola as etapas, ou mesmo do circuito.
Há anos não recebo uma carta de campeonato em casa. Fico sabendo por terceiros. E todo ano escuto a mesma ladainha, de adesivinho, selo, para ajudar a CBRASB. Será que o dinheiro de inscrições e filiações nao é o suficiente? O que fazem com meu dinheiro? Por essas dúvidas, resolvi tirar meu nome desse meio. Não vou ficar comprando um produto (os campeonatos), sem ao menos saber como ele é.
Tudo isso é só um pouco de minha indignação. Li no fórum do Waves Bodyboard coisas que me fizeram refletir… Alguém sabe quando serão as eleições para presidente da CBRASB? Se é uma Confederação Brasileira, ela não pode ter dono, correto?
Nós atletas e os juízes poderíamos votar em um presidente. Poderia haver uma chapa. Ou não? E isso não acontece sabe porque? Fizeram as coisas tão amarradas, com regras inventadas por eles mesmos que não tem espaço para isso. Essa é a real!!!
Mas, o que me deixou mais indignado, foi saber que membros dessa instituição ainda comentaram que no filme Mutação o espaço não foi bem utilizado. Eles acham que não mostramos o lado positivo do esporte. Será que não? Qual é o lado positivo?
Será que ondas grandes e manobras inovadoras queimam o filme do esporte? Será que mostrar jovens, como são no dia-a-dia, curtindo a vida e zoando, deveria ser censurado? Será que eles queriam que maquiássemos o filme, mostrando atletas milionários, tocando violão e surfando as marolas do circuito deles? É essa a imagem correta? A maquiada?
Eu acho que não. Fizemos o filme pra tirar a péssima imagem que todos sabemos que o esporte tem. Quantas piadinhas de caras metidos a surfista você já escutou?
Esporte de menina? Fizemos o filme pra mostrar a real. Manobras explosivas em ondas grandes, lips pesados… E fazemos tudo isso, sem ficar tocando violão, comendo saladinhas e dormindo cedo. Temos atitude na veia. Os caras quebram dentro e fora d´agua.
Acho que na verdade, esse comentário de que o filme não passa uma boa imagem, foi um pensamento infantil. Uma atitude besta de achar que os filmes podem tirar atletas do mundinho dos campeonatos.
Muito pelo contrário, não queremos roubar espaço de ninguém. Tem espaço para todo mundo. A competição tem que existir! É muito importante que rolem muitas competições em ondas grandes ou merrecas, porém, tem que ser eventos sérios. Com dirigentes sérios e profissionais. Parar de vez com essa história de expor atletas e juízes ao ridículo. Tá na hora de acabar com o amadorismo!
Tômara que de alguma forma eu esteja ajudando a reconstruir o esporte. Sinto saudades dos campeonatos, de competir. Só que essa saudade esta suprida com os filmes e os campeonatos locais, como por exemplo o de Macaé. Uma galera séria, profissional, com atletas pensando de maneira positiva. É isso que me dá força para não sair de vez do esporte.
Depois deste texto, aposto que muitos vão falar que eu não devia ter escrito a verdade em um meio tão importante quanto esse. Só que é verdade. E a verdade tem que ser dita. Chega de esconder os fatos. Vamos jogar limpo, o esporte tá assim porque nunca ninguém colocou a cara a tapa.
Hoje, na minha opinião, todos os atletas, juízes e organizadores, que se esforçam para seguir o Circuito Brasileiro, são campeões, pois tiveram a persistência que eu não tive. Eu os parabenizo, e quero ver um dia o esporte tendo o valor que merece. Saindo do submundo das ilusões. O submundo do primo pobre.