Píer da Barra com os dias contados

Com a finalização das obras do Emissário Submarino da Barra da Tijuca, iniciadas no ano 2001, o píer de 180 metros construído no local para sustentar as obras será destruído.

A construção do píer afetou diretamente na qualidade das ondas do local, e para melhor. Para dar uma idéia, antes de sua construção, a melhor condição para o surfe no pico eram ondas com cerca de meio metro com maré cheia.

 

“Quando o mar aumentava, as ondas fechavam. Era muito arriscado”, conta o longboarder Eduardo Bagé, local do pico. Depois do píer, a qualidade das ondas melhorou muito. “É uma onda bem forte e quadrada, que proporciona muitos tubos”, conta Bagé.

 

As ondas ganharam até nome dos frequentadores do point. A direita foi batizada de Alpha Barrels e a esquerda se chama Mandaka, ambas em referência aos condomínios próximos ao local. 

 

A notícia da retirada do píer deixou os locais chateados. “Está todo mundo triste. Além das ondas, o píer servia como referência e facilitava nossa entrada no mar quando estava gigante”, lamenta Bagé.

 

A obra do Emissário Submarino é responsabilidade da Companhia Estadual de Água e Esgoto (CEDAE) e a primeira parte deve ser concluída até o final deste mês.

 

“O píer serve apenas como uma ‘escada’ para facilitar a montagem do emissário e as obras serão concluídas ainda neste mês. Só estamos esperando as condições marítimas melhorarem, pois com o mar agitado fica difícil dar andamento à obra”, explica um porta-voz da CEDAE.

Já teve início o assentamento do penúltimo tubulão de 1.554 metros de extensão do emissário e a expectativa é que a tubulação esteja totalmente concluída ainda neste mês.

 

Esta é a parte mais complexa do Programa de Saneamento da Barra e Jacarepaguá (PSBJ), pois a instalação dos tubulões depende das condições do mar. A CEDAE está acelerando a implantação do emissário antes que o píer se deteriore e haja a necessidade de recuperá-lo – o que geraria um custo de R$ 14 milhões para o governo estadual.

O Emissário Submarino da Barra da Tijuca terá 5.180 metros de extensão e capacidade para lançar até 5,1 mil litros de esgoto por segundo em alto mar, longe da praia e dos cursos hídricos da Barra, Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes. No total, cerca de 1,2 milhões de pessoas serão beneficiadas com a obra.

A segunda etapa das obras de saneamento da Barra e Jacarepaguá ficará pronta no final de 2006.

 

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