Por trás das notas

Peterson Rosa de olho no título

#Analisando os resultados e o ranking do circuito WCT 2002, temos que tirar o chapéu para as duas vitórias do havaiano Andy Irons, que passa a ser o virtual candidato ao título deste ano. Muito boa também foi a performance dos irmãos Lopez, a primeira família com dois entre os três primeiros da lista.

Além dos australianos Michael Lowe e Joel Parkinson que, com uma vitória cada, podem na hora do descarte subir posições importantes. Já Peterson Rosa, o melhor entre os brasileiros, está em grande fase e pode subir no ranking, pois a diferença entre ele (12o) e o quinto colocado é de apenas 200 pontos.

A maioria dos brasileiros não teve um bom início de ano no WCT. Se o circuito acabasse hoje, apenas três estariam classificados entre os 28. Mesmo assim acho que o Peterson está com boas chances. Se conseguir boa colocação em Jeffrey?s Bay na próxima etapa, local onde possui bons resultados, Rosa pode vir a encostar nos líderes, e com pelo menos um pódio na Europa e uma vitória no Brasil pode ir para o Hawaii e se jogar em busca de um título mundial.

#Dentre todos os brasileiros no WCT, Peterson parece o mais focado em ser campeão mundial. Para isso, sugiro que fique um mês em Jeffrey?s antes do início do evento. Disposição ele tem de sobra, e para ser o numero um têm que treinar no local onde as etapas são disputadas. Não pode ficar indo e vindo ao Brasil, perdendo tempo em viagens, em beach-breaks e em campeonatos que desviam do foco principal.

Ano passado nenhum brasileiro conseguiu treinar antes do evento, pois estava flat, e quando o mar subiu o campeonato começou e fomos eliminados em massa.

Assim como em outros esportes, fazer uma adaptação às condições do local é fundamental, chegando cerca de 10 ou 15 dias antes para ir se acostumando, escolhendo a prancha e, se for preciso, fazer outra. O surfista para ser campeão tem que investir. Se for ficar uma semana em Durban esperando a bateria do Mr. Price e o mar em J-bay estiver bom, tem que pegar uma ponte aérea e passar um, dois ou três dias treinando, quanto mais ondas surfadas em Jeffrey?s, maior a chance de ganhar.

#Assim como no tênis e no automobilismo, o ideal é morar no exterior, fixando residência em lugares centrais e de fácil locomoção. Não dá para querer ser campeão mundial pensando no SuperSurf, no Super Trials, na Prainha, na namorada, na família.

Para ser campeão tem que largar tudo e treinar, treinar e treinar. Ano passado perguntaram ao Mick Fanning, depois de ganhar como wildcard a etapa de Bell?s Beach, se ele achava que poderia ser campeão mundial. Ele disse que para isso ainda teria que passar muitas e muitas horas ralando em Teahupoo. É esta a visão certa. Alguns acham que basta ser um bom surfista, mas não é.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

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Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

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