Apesar de já ter ido algumas temporadas para o Peru com intuito de competir as etapas do mundial de dropknee realizadas lá, já fazia um tempo que queria regressar ao país por duas razões: atualmente o Peru é um dos fortes nichos de bodyboarders dropknee riders da América do Sul, além do país alimentar minha curiosidade de explorar ondas escondidas pelo meio do deserto.
Saí do Brasil levando alguns amigos bodyboarders e marinheiros de primeira viagem naquelas ondas. Fui encontrar com Cesar Bauer, bodyboarder peruano que conheci durante o mundial de DK e que já foi campeão do circuito, para iniciar nossas sessões de surf e explorar alguns secrets espalhados pela costa peruana.
Tenho consciência de que hoje em dia formamos um time de bodyboarders sulamericanos que colocaram o Dropknee latino em evidência para o mundo. Este estilo é um estilo que antes era praticado unicamente pelos havaianos, australianos e americanos, e hoje em dia os guerreiros latinos conquistaram o seu espaço através de muito treino ao longo dos anos. Atualmente nós latinos também ilustramos as páginas das revistas pelo mundo assim como ocupamos lugares de destaque nos pódios dos grandes eventos internacionais no estilo Dropknee e prone.
Quando chegamos no aeroporto de Lima, dormimos em um hotel na cidade e nos deslocamos para Punta Hermosa, onde iniciaríamos nossa jornada. Sempre que estou em Punta me sinto muito bem e me hospedo na pousada do amigo Javier Loyasa, em La Rotonda, que fica de frente para as ondas de La Isla. Cesar Bauer já tinha informado dois nomes de fotógrafos que poderiam nos acompanhar pelas expedições, José Barragan e Jorge Herrera, que além de serem fotógrafos, tinham amplo conhecimento das direções do swell e dos secrets que estariam quebrando em melhores condições, seja ao norte ou ao sul. Isso foi essencial para termos surfados essas ondas em spots sem crowd.
A partir daí iniciou-se uma verdadeira peregrinação atrás das ondas. Alugamos um carro, que não era um 4×4, ideal para o relevo e o deserto. Iniciamos nossa jornada pelas ondas conhecidas de Punta Hermosa, Caballeros, Señoritas, El Paso e depois seguimos vários quilômetros atrás dos picos que realmente viemos explorar, sem crowd e com ondas perfeitas .
Para o Sul, pela Panamericana, saímos pela madrugada uns 400 quilômetros em direção ao porto para explorarmos umas ilhas a uma hora de barco da costa que tinha uma direita perfeita com um visual surreal. Outra sessão clássica foi em Puerto Nuevo, ao lado de Puerto Viejo. Uma onda totalmente triangular e muito freqüentada pelos bodyboarders locais. Vale ressaltar também os picos ao Norte de Lima nas imediações do Quilômetro 160, uma área desértica com uma quantidade enorme de beach breaks e reefs breaks com várias direitas e esquerdas solitárias.
As fotos acima ilustram um pouco do que foi essa expedição pela costa peruana.















