Perigo nas areias tupiniquins

#No Brasil, dependendo do tipo de ambiente onde se encontram, as praias são geralmente formadas por sedimentos finos (areias ou lamas), sendo as formadas por seixos e rochas bastante raras em nosso litoral.

Nos últimos anos, os cientistas têm mostrado que os poluentes se acumulam nestes sedimentos, em quantidades bem maiores que na coluna de água. As maiores implicações relacionadas a isso são os efeitos tóxicos aos organismos, com a acumulação dos agentes contaminadores pela fauna e flora e sua transferência pela cadeia alimentar (causando contaminação de peixes e frutos do mar), a possibilidade do retorno dos poluentes para a água, e ainda o risco à saúde humana no contato direto ou pelo consumo de alimentos contaminados.

Recentemente, em um workshop realizado no RJ, pesquisadores da Universidade Federal Fluminense mostraram que os sedimentos da praia podem também conter concentrações de bactérias muitas vezes maiores que as encontradas na água.

As bactérias ocorrem naturalmente nas areias e lamas devido à presença de matéria orgânica, que é aproveitada por elas como alimento. Entretanto, caso haja na praia alguma fonte de bactérias patogênicas (caso do esgoto), pode significar que estes microorganismos nocivos também poderão ocorrer em grandes quantidades, maiores que na água.

Em outras palavras, isto quer dizer que: onde há lançamento de esgoto na praia, mesmo que a água esteja própria para banho, não significa necessariamente que a praia esteja limpa. Pode ser que a areia esteja contaminada, o que significa riscos à saúde. Os órgãos responsáveis pelo monitoramento da qualidade das praias precisam medir e controlar a qualidade dos sedimentos das praias, a fim de assegurar que as mesmas não oferecem risco às pessoas.

Por isso, olho vivo: esgoto na praia é uma roubada e nós, surfistas, temos o dever de lutar para banir este tipo de poluição definitivamente de nossas praias.

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