
A dermatologista Robertha Carvalho, especialista em dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, fala sobre as conseqüências da exposição excessiva da pele aos raios ultra-violeta, água do mar e piscina.
O verão é um convite à exposição da pele, as vezes exagerada, aos prazeres do sol, da água do mar e piscina.
Uma prazerosa combinação que, em excesso, pode alterar o bom funcionamento da pele. Ao fim da estação, nos deparamos com os danos provocados pelos raios ultra-violeta e pela composição química que a água contém, como cloro e sódio.
Esses danos são cumulativos de acordo com a duração e a hora da exposição solar. Ou seja, a pele que se expôs por muito tempo ao sol e em horário como o final da manhã (após às 10 horas) e começo da tarde (antes das 15 horas), sofrerá mais no futuro.
A pele danificada pelo sol se apresenta seca, áspera, às vezes espessa, e frouxa -devido a perda da elasticidade. Além da diminuição da hidratação e do tempo de renovação celular. O ressecamento da pele altera as propriedades biomecânicas que podem desencadear ou agravar dermatoses como a dermatite atópica (alérgica), além de provocar prurido (coceira) e facilitar o surgimento de descamação e fissuras.
O que faz a pele permanecer bonita, saudável, macia, com flexibilidade e elasticidade é o equilíbrio que existe no mecanismo de hidratação da pele, e na capacidade que o organismo tem em promover a renovação celular e das substâncias que compõem a epiderme (camada mais superficial da pele).
Um bom funcionamento do mecanismo de hidratação da pele significa uma capacidade controlada em reter a água já existente na pele, pela camada mais superficial, de modo que a taxa de evaporação da água permaneça sempre em um nível normal. Ou seja, usando o fator de hidratação natural.
As desordens provocadas pelo verão estão relacionadas com o desequilíbrio na taxa de evaporação da água da pele e com a perda dos constituintes naturais, que são encontrados na epiderme e formados por aminoácidos, sais minerais, uréia, PCA, água e lactatos.

Estes constituintes quando existentes em produtos farmacológicos para hidratação da pele, são os mais adequados ao uso.
De modo geral, os produtos destinados a promover a hidratação da pele são emulsões (cremes ou loções) cuja fase lipídica existente no produto promove oclusão e a fase aquosa possui ingredientes que propiciam a umectação, diminuindo assim a perda de água e melhorando as qualidades de flexibilidade e plasticidade.
Assim sendo, o mecanismo de atuação destes produtos podem ser de três tipos:
– Oclusão: promovida por ingredientes lipídicos ou emolientes – vaselina, lanolina, éster de ácidos graxos;
– Umectação: substâncias que retêm a água na superfície da pele – glicerina, sorbitol, propilenoglicol;
– Hidratação ativa: alta capacidade de reter a água – Uréia, lactatos, PCA.
Para a manutenção do bom estado da pele após o verão, devemos realizar, além da hidratação, outras práticas diárias: higiene, proteção, reforço e estimulação.
A higiene é a prática mais tradicional e um procedimento fundamental diário. Para retirar as impurezas do dia-a-dia e limpar a pele suavemente, podem ser usados sabonetes, leites ou cremes.
Os sabonetes fazem espuma, desengorduram e limpam. As peles oleosas podem ser lavadas com sabonetes, porém as secas devem ser limpas com leites ou cremes.
A limpeza da pele deve ser feita pelo menos duas vezes ao dia, ao levantar-se e na hora de se deitar. À noite, ela é muito mais importante pois a pele ficou exposta aos agentes externos durante o dia inteiro.
Ao falarmos de proteção e reforço, associa-se de imediato a agressão solar e ambiental que encurtam a longevidade da pele, motivando a maior produção de radicais livres. Os produtos desta gama não incluem somente filtros solares UVA, UVB, infravermelho ou espectro total, como também constituintes antiradicais capazes de reforçar a proteção do sol e provocar resistência celular. Esses antiradicais, o betacaroteno e a vitamina C já são considerados componentes normais nos protetores solares para uso diário.
A estimulação de colágeno, elastina e equilíbrio da resposta imune da pele é essencial para reparar danos provocados pelo sol. Mas uma vez a vitamina C, vitamina A e vitamina E, as bioestimulinas (de origem animal) e as fitoestimulinas (de origem vegetal e plantas marinhas) são utilizadas em cosméticos para aplicação em pele fotodanificada.
Tomando os mínimos cuidados necessários para a manutenção do equilíbrio normal da pele, teremos uma melhora na qualidade de vida. Afinal, a pele é o maior órgão do corpo humano e está totalmente exposta aos fatores ambientais, que ao mesmo tempo em que são essenciais à vida, podem, em excesso, agredi-la.