Peixe-boi pode estar com os dias contados

Cruzamentos entre parentes são uma ameaça à sobrevivência do peixe-boi. Um estudo realizado pelo geneticista Fabrício Santos, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), constatou que a endogamia vem diminuindo a variabilidade genética da espécie, o que torna a população de peixes-boi mais vulnerável a doenças e mudanças climáticas.

 

O estudo genético foi feito com amostras de pele, sangue e tecido cartilaginoso da nadadeira caudal dos animais, a maioria do oceanário de Itamaracá (PE), onde funciona o Projeto Peixe-Boi. Fabrício seqüenciou o DNA mitocondrial de 34 peixes-boi marinhos (Trichechus manatus) e de 78 amazônicos (Trichechus inunguis).

 

“O DNA que existe nas mitocôndrias permite estimar o quanto da variabilidade genética ainda existe”, explica o pesquisador. No caso dos peixes-boi marinhos, todos os indivíduos tiveram o mesmo haplótipo – combinação de polimorfismos transmitidos em conjunto para os descendentes.

 

“Isto provavelmente é um reflexo dos acasalamentos consangüíneos”, esclarece Fabrício. Já no caso da espécie amazônica, foram encontrados 15 haplótipos diferentes.

 

“Quanto menor a variabilidade genética, maior o risco de extinção. Daqui a 20 ou 30 anos, talvez só existam na natureza os animais reintroduzidos”. As duas espécies de peixe-boi foram consideradas “vulneráveis” na lista de espécies ameaçadas de extinção editada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) desde 96. Mas só agora está se conhecendo a variabilidade genética como mais um fator de risco.

 

Atualmente, existem apenas cerca de 500 peixes-boi marinhos na costa brasileira, de Alagoas até o Amapá. “A caça, praticada desde o início da colonização, foi com certeza a principal causa de desaparecimento das duas espécies de vários locais onde eram vistas no início do último século”, conta Fabrício.

 

Além disso, o peixe-boi é um animal dócil e bastante receptivo ao contato humano, o que o torna uma presa ainda mais fácil para caçadores interessados em comercializar sua carne ou colonos amazônicos acostumados a preparar a mixira – um cozido preparado com a carne do animal. Hoje em dia, no entanto, como o animal é raramente visto, a sua caça também diminuiu.

 

Outro problema é o cruzamento entre as duas espécies de peixes-boi, que resulta em híbridos estéreis. “O marinho é freqüentemente encontrado nos estuários dos rios e pode ser encontrado alguns quilômetros adentro no Rio Amazonas, enquanto o peixe-boi amazônico pode também ser encontrado alguns quilômetros adentro no mar, próximo à foz do Amazonas”, explica Fabrício.

 

A análise do DNA mitocondrial é uma ferramenta muito usada na Europa e nos EUA para avaliar o risco de extinção de uma espécie e para planejar estratégias de proteção aos animais.

 

A próxima etapa do estudo, financiado pela Fundação Boticário de Proteção à Natureza, conta Fabrício, “será o monitoramento do parentesco dos indivíduos em cativeiro, o que pode ajudar a decidir os possíveis acasalamentos (entre menos aparentados) e aconselhar a melhor estratégia de reintrodução dos animais de cativeiro ao hábitat natural.”

 

O cromossomo Y é transmitido por meio do espermatozóide paterno apenas para filhos homens. Já o DNA mitocondrial – situado no citoplasma, dentro de organelas celulares denominadas mitocôndrias – é transmitido por meio do óvulo materno para filhos e filhas.

 

Tanto o cromossomo Y como o DNA mitocondrial não trocam genes com outros segmentos genômicos, ou seja, não se recombinam. Isso significa que eles são transmitidos às gerações seguintes em blocos de genes denominados haplótipos, que facilitam o traçado de patrilinhagens e matrilinhagens e a reconstrução da história genética de um povo.

 

O Projeto Peixe-Boi foi criado em 1980 pelo Governo Federal para se fazer uma avaliação da situação em que se encontrava o peixe-boi marinho no Brasil. Em 1990 foi criado Centro Peixe-Boi/IBAMA em Itamaracá (PE).

 

Todos os peixes-boi marinhos vivos encontrados no litoral brasileiro são levados para os oceanários de Itamaracá, onde são mantidos em cativeiro até serem reintroduzidos aos mares e monitorados diariamente pela equipe do Projeto através da rádio-telemetria.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)