Estávamos em meados de outubro e a previsão para o dia seguinte indicava a chegada de um potente swell de Leste. As bóias marcavam 6 pés, o vento pela manhã seria do quadrante Noroeste, passaria para Sudoeste e viraria para Sul no decorrer do dia.
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Estava tudo certo conforme combinei com dois amigos. Acordaríamos as 4:30 horas para chegar a praia uma hora depois. Além da minha prancha, estava levando meu equipamento fotográfico.
Acordei antes do despertador tocar. Passei na casa dos amigos e nem sinal deles, chamei, joguei pedra no telhado e, nada. Ainda noite, por volta das 5 horas, fui para a praia.
Cheguei na primeira praia, onde pude checar as condições, ainda estava escuro mas deu para ver que seria um dia especial.
Tinha uma névoa bem próxima ao mar, as ondas estavam perfeitas, triângulos por toda a extensão da praia e logo me veio à cabeça um pico que estaria daquele jeito. Estava sozinho e de moto, então teria que sacrificar o surf ou as fotos,
Decidi fazer as fotos. O vento terral, céu azul e calor. O cenário estava perfeito, mas será que alguém estaria surfando àquela hora da manhã?
Percorrendo a trilha que leva a praia, já sentia o cheiro das ondas, assim que as avistei não acreditei.
O mar estava perfeito, com 2 metros pesados, quebrando para os dois lados, sem nenhuma gota fora do lugar, igual às ondas que desenhávamos no caderno. E o melhor, tinha um sortudo na água.
Montei o equipamento e comecei a clicar. A primeira onda foi uma seqüência de 12 fotos de um perfeito tubo de backside. O pontinho preto na água era o Diogo D’orey, irmão de Fred D’orey. Fiquei fotografando por duas horas, até a o vento Sul começar a soprar.
Fui trabalhar novamente e depois do almoço, já com o vento sul definido, lembrei de um lugar onde estaria menor, mas o vento seria terral. Como trabalho na fábrica da Tropical Brasil, aproveitei para convidar David Husadel e seu filho Pedro para uma session de fotos.
Chegando lá me deparei com outro clássico triangular, ondas com um metro manobráveis e com uma seção de tubo.
David pegou altas, com direito a tubos, rasgadas e fortes cutbacks. Pedro colocou na água sua mini gun 5?11?? que fez para a temporada havaiana. Acertou boas manobras e pegou altos tubos. Fizemos umas duas horas de fotos e consegui um material que vocês podem conferir em primeira mão.
O surf é um esporte que temos que estar em conexão com o mar, os ventos, com o nosso interior… Temos que ouvir o que o mar tem para nos dizer, se ele permite ou não a nossa queda, se vai rolar o tubo ou vamos ter que dar aquela batida. Se podemos ficar mais uma hora ou temos que pegar a saidera.
O surf nos ensina a ser pessoas melhores, mais humildes, dando mais valor a vida e acima de tudo proporciona um prazer inigualável, algo que só quem já correu a parede de uma onda pode explicar.
Agradeço por fazer parte desta tribo!
