
O carioca Pedro Henrique é apontado como uma das esperanças do Brasil no circuito mundial.
Aos 23 anos, casado e com o título de campeão mundial Pro Junior da ASP na bagagem, conquistado em 2000 no Hawaii, ele ocupa atualmente a 49a posição no WQS.
Mas o objetivo do atleta é entrar no WCT. Para tanto, ele procura manter o foco nas etapas da divisão de acesso, e por isso não competiu na etapa de abertura do SuperSurf deste ano.
Porém, o esforço de Pedrinho, como é chamado, foi recompensado.

Convidado para disputar a triagem do Billabong Pro Tahiti 2005, nas temidas ondas de Teahupoo, ele surpreendeu e chegou até as quartas-de-final, desbancando nomes consagrados no pico – e valorizando seu passe com o patrocinador, a Billabong.
De volta ao Brasil, Pedro Henrique ainda participou da transmissão da etapa no Tahiti no canal por assinatura Sportv e deu um show de conhecimento e espontaneidade.
Nessa entrevista exclusiva, ele fala sobre passado, presente e planos para o futuro.
Como foi seu início no esporte?
Bom, eu comecei mesmo porque meu pai pega onda e desde pequeno eu tava na praia, surfando. Sempre gostei de campeonatos, eu via quando era pequeno e achava legal, queria participar. Daí eu e minha mãe procuramos ver como fazia para competir, corremos atrás e conseguimos. Ao mesmo tempo, pintou o lance da Escolinha de Surf do Colégio Paula Barros, que tava começando no Leblon, e eu conhecia o Edu (Eduardo Gonçalves do Colégio Paula Barros / Leblon). De lá ele pegou três garotos, a gente foi conversando e ele gostou de mim, me viu surfando em um campeonato, eu fui bem, então ele falou: “Olha, no próximo campeonato eu vou pagar pra você correr, se você se der bem a gente começa a fazer um trabalho”.
Aí teve um outro campeonato na Barra, em que ele me patrocinou – fez tudo, todas as despesas ele pagava, ainda me dava colégio, corria atrás de patrocinador, shaper. Então fiquei em quarto lugar, daí ele se amarrou e a gente continuou fazendo. Aí, eu comecei, fui engrenando e decidi entrar de cabeça mesmo. Já como profissional, venci o Pro Junior em 2000, que mudou todos os meus planos, porque você já passa a ter uma outra meta, de entrar para o WCT, minha meta até hoje. Mas em 2001 eu perdi o patrocinador que tinha na época e fiquei três anos sem disputar o circuito mundial completo.
Isso me atrasou, porque eu não corria, não tinha pontos pra sair na frente no ano seguinte. Em 2003 eu consegui correr parte do circuito, mas consegui pontos pra sair na frente em 2004. Ano passado eu já corri o circuito inteiro, com patrocínio da Billabong, e consegui ficar em 52º, que é uma posição legal. Esse ano eu já entro na última fase e tenho chances reais de entrar, porque já começo com mais pontos.
Quais são os principais obstáculos para entrar e se manter no circuito mundial?
Olha, o circuito mundial é assim: o primeiro ano é aprendizado, você vai achando que não tem chances, que os adversários são imbatíveis. Depois você chega lá e vê que não é isso, que você tem chances e condições de ir lá e conseguir como vários outros caras conseguem. No segundo ano já se sente melhor, vai ficando mais confiante e aí consegue ir evoluindo e se mantendo.
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Quais são seus planos para este ano?
Eu fiquei em 9º lugar no SuperSurf do ano passado e não pude correr a primeira etapa deste ano, pois optei ir para o Tahiti, disputar a triagem do WCT. No momento esse é meu maior objetivo, mas também valorizo muito o circuito brasileiro e quero me dedicar a ele.
Como surgiu a idéia de morar em Saquarema?
Eu nasci em Botafogo, mas meus pais sempre freqüentaram Saquá. Então, desde bebê eu já ficava na praia. Comecei a pegar onda de bodyboard, depois prancha de isopor, aqui e no Leblon, e nos finais de semana a gente ia para Saquarema. Até que meus pais decidiram se mudar de vez, o que foi ótimo para mim,

porque aqui tem muito mais onda e é mais vazio. Eu evoluí muito depois da mudança, há seis anos. E foi a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida.
Como é sua rotina de treinamento?
Eu sempre fiz escolinha de surfe, mas depois que virei profissional acabei parando. Mas é legal fazer porque você treina, tem outros atletas, mantém um ritmo de competição. É ótimo, mas como viajamos muito não sobra tempo. E eu comecei a treinar sozinho, ir pra academia sozinho, e tal, mas nunca deixei de fazer, mesmo não tendo acompanhamento eu sempre malhei, nadei, corri atrás.
Agora consegui voltar a treinar com meu antigo treinador, o técnico Pedro “Robalinho”, a gente começou a fazer um treino mais específico, não é uma equipe como na escolinha, apenas eu, ele e mais dois ou três atletas, depende de quem vai. O treino é basicamente assim: 7h: Todo dia de manhã a gente faz um treino no mar, que pode ser filmagem, bateria ou só aperfeiçoamento de manobras, de posicionamento, dependendo das condições. 12h: Da água vou pra academia, faço uma série de musculação, alongamento com séries intercaladas. Toda segunda, quarta e sexta só musculação e toda terça e quinta entra natação depois da musculação.
Fora isso eu tenho o apoio de uma clínica, a Vitality, e nela eu tenho fisioterapia e nutricionista. Saio da musculação e vou pra fisioterapia duas vezes por semana. Isso já é bem completo, já me prepara bastante e faz bastante diferença, porque eu comecei com esse treinamento no meio do ano passado e já subi bastante no ranking do SuperSurf, já comecei bem esse ano o WQS, só corri duas etapas e numa delas, na Austrália, fiquei em quinto lugar.
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Quais os prós e contras da profissão?
Acho que todo mundo deve concordar que um ponto positivo é poder viajar o ano todo, trabalhando, fazendo o que gosta, poder conhecer vários lugares do mundo, vária culturas. Isso nem é trabalho, é um prazer. E o lado ruim é ficar longe da família, passar bastante tempo sozinho. Tem que gostar um pouco de ficar sozinho.
Com relação ao patrocínio, sinto falta de mais investimento das marcas. Hoje em dia surgiram marcas novas, mas as principais marcas não têm apoiado os atletas como eu acho que deveriam. Na Austrália e nos EUA eles pegam o moleque pequeno e investem mesmo.

Quando um garoto quer correr WQS e tem potencial eles mandam, já é uma coisa meio óbvia: “Se ele quer virar profissional e eu tô patrocinando, ele tem que ir pra etapa tal, tem que viajar pra melhorar”. Aqui não, você já tem que ficar brigando para conseguir dinheiro para competir.
Qual foi a melhor viagem que você já fez e/ou gostaria de fazer?
Um das melhores, que eu me diverti mais, foi para Costa Rica e Panamá, foram só os amigos e a gente foi filmar. Até teve campeonato do WQS, mas a gente foi só filmar. E foi tão maneira, a gente se divertiu tanto que acabei competindo. Eu estava tão “amarradão” que fiz duas finais do campeonato.
Como você avalia a cobertura dos campeonatos na TV, acha que pode ajudar a tornar o surf um esporte olímpico?
Com certeza a cobertura dos eventos pela TV só irá trazer benefícios ao esporte. Sobre o surf se tornar um esporte olímpico, eu sou a favor, totalmente. Só acho que fica complicado, porque o surfe precisa de praia e o mar não tem condição certa. Por exemplo, em Atenas, como é que vai ter competição lá? É difícil de fazer. Mas seria bom para os atletas, pois o esportista olímpico não corre tantos campeonatos e tem uma exposição maior na mídia em geral.
Como você trabalha a exposição da sua imagem?
Ainda não tenho um site pessoal, mas vídeo a gente produz muito, faço muito filme de surfe com o Rafael Mellin e outros cinegrafistas da nova geração, como o Tiago Garcia, Gustavo Camarão. E eu participo dos filmes porque acho legal mesmo. Até para fazer uma auto-análise eu acho show, eu mesmo vejo o filme antes de ir surfar. Com certeza é uma coisa que empolga, dá vontade de surfar. E essa vontade que eu acho maneiro e por isso que eu acho legal fazer filme, pela empolgação, você vê uma manobra nova e já quer fazer, isso tudo é show.
Ficha técnica
Nome Pedro Henrique Fernandes Menezes
Nascimento 20/04/1982
Estado Civil Casado, sem filhos
Patrocínios Billabong, Star Point, Joca Secco, Ability
Quiver 5’10, 6’0, 6’3 e 6’5.
Altura 1,59m
Peso 59 kg
Shaper Joca Secco, desde 1997
Praias em que treina Saquarema – Praia da Vila
Ídolo Fábio Gouveia
Trilha Sonora Ouço tudo, todos os gêneros
Principais resultados campeão mundial Junior em 2000, 9o colocado no SuperSurf 2004 e 52º do circuito mundial WQS