Portifolio

Paulo Barcellos

A última temporada trouxe uma grata revelação na fotografia aquática. Durante o swell que abriu a temporada havaiana no meio de novembro, marcado pela perfeição e largura dos tubos, um nome que sempre andou fundo nos canudos, dessa vez puxou a fila de fotógrafos e fez imagens de tirar o fôlego.

Trata-se do campeão mundial de bodyboard em 2000, Paulo Barcellos. Aos 34 anos, este paulista radicado no Rio tem mais de 15 temporadas havaianas e está usando toda sua experiência para produzir fotos direto do line up.

“Fazia tempo que queria fotografar. Por ser bodyboarder estou acostumado a ficar embaixo do pico. Tenho vários amigos no Rio que são fotógrafos, e a galera sempre falava pra eu comprar um equipamento. Então resolvi investir nos equipamentos, comprei máquina, caixa estanque e tudo mais. Logo no primeiro swell já consegui fazer algumas boas fotos em Pipe. Estou amarradão com essa nova profissão”, comenta.

Para ele, o fato de ser um experiente bodyboarder ajuda muito. Inclusive alguns dos melhores fotógrafos aquáticos eram bodyboarders, como Scott Aichner e Tim Jones, entre outros. “Mas nenhum deles foi campeão mundial, então acho que tenho um pouco mais de facilidade e abertura com a galera toda, inclusive com os próprios fotógrafos. Conheço muito bem Pipeline e venho para o North Shore há 15 anos. O fato de usar pé de pato há bastante tempo também facilita as coisas. Sempre fiquei o mais embaixo possível do pico para entubar fundo. Tirar foto é como pegar onda, às vezes você vai estar mais bem posicionado e outras não”, reconhece o atleta.

Mas, nem tudo é fácil, mesmo sendo exímio conhecedor das ondas. Barcellos começou a tirar fotos na raça e ainda esta se adaptando ao equipamento e posicionamento no pico. “Tive dificuldade para diferenciar os ângulos das fotos. “O Daniel Russo me deu vários toques. Eu nunca tinha feito foto de trás do tubo e tive um pouco de dificuldade, não sabia qual era o movimento certo. Outra dificuldade é mexer na câmera, aos poucos você vai aprendendo mais sobre enquadramento e outros detalhes. A parte técnica é mais complicada”.

“Fui campeão mundial, ganhei campeonato em Pipeline, estou realizado com o que já conquistei no esporte. Vou deixar rolar e ver o que acontece, mas estou curtindo muito tirar fotos e estou empolgado com essa nova atividade”.

Para ele, entrar com a câmera no mar é a maior adrenalina. “Você fica embaixo do pico, sempre na zona de impacto, é como pegar 500 tubos. Já peguei muito tubo na vida, agora vou tirar um pouco de foto que também é muito maneiro. Depois faço uma viagem pro Tahiti e pego 20 tubos por dia (risos).

Bate-bola:

Onda: Pipeline, Hawaii;
Um paraíso pessoal/profissional: Pipeline, Hawaii;
Manobra que mais curte fotografar: Tubo;
Um atleta ‘fotogênico’: Stephan Fun Figueiredo;
Camera perfeita (sonho de consumo): Como ainda estou no meu primeiro mês de fotografia a 7D está perfeita é bem leve e rápida.
Equipamento: Cannon 7 D e uma Tokina Fisheye 10mm.
Aonde vive atualmente? Moro a 20 passos da praia de Pipeline.
Formação profissional: Estou fazendo o curso com o Sebastian Rojas, que está sendo um grande mentor. Quem dera eu saber metade de fotografia que ele sabe. Estou feliz que todos os outros fotógrafos estão me ajudando muito. Camarão, Pinguim, Tojal, Bidu, Julinho e o havaiano Daniel Russo estão me passando truques e mais conhecimentos.
Um shot especial: Tem uma foto do Danny Fuller em Pipeline. O mar estavam bem grande pra fisheye, fiquei sozinho fotografando e consegui conectar com ele em uma das séries. Foi bem especial porque tinha uns 12 pés e estava sendo meu quinto dia de fotografia.
Trips: Como fotografo só tenho essa temporada havaiana, mas como profissional de bodyboard praticamente já conheci os melhores lugares como Hawaii(15x), Tahiti(14x), Austrália(7x), Indonésia(6x), Chile(8x), México(2x), Filipinas, Peru, Equador, entre outros. Estou no meu quarto passaporte já.

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