Paulo Moura é a bola da vez no WCT

Aos 23 anos, o pernambucano Paulo Moura é considerado atualmente por muitos um dos surfistas mais  completos do Brasil, com performances de qualidade tanto em lugares como Hossegor merreca ou em Teahupoo grande.

 

No momento Moura é o melhor atleta brazuca no WCT, onde ocupa a 20a posição no ranking. E com seu ótimo faro para tubos, é também uma das nossas maiores esperanças no Pipeline Master. 

 

Nessa entrevista concedida ao amigo Sylvio Mancusi, em frente a casa onde está hospedado no Hawaii, ele conta como saiu de uma tradicional familia pernambucana para o sucesso de uma vida como surfista profissional.

Ficha técnica

 

Idade: 23 anos
Data nascimento: 1 de abril de 1980
Patrocínios: Local Motion, Oakley, Power Bar
Comida: Japonesa
Ídolos: Kelly Slater (pelo surf)
Som: Rap, Rock’n Roll

Como você começou a surfar?


Comecei com 12 anos na praia de Boa Viagem, em Recife – onde hoje rolam os maiores ataques de tubarões. Eu comecei a surfar de brincadeira, com os amigos, e com o tempo o interesse foi aumentando.

 

Quem eram os surfistas naquela época que você admirava e influenciaram na sua carreira?

Eu admirava muito o Eduardo “Rato” Fernandes, que já era um dos melhores amadores brasileiros na época, e outra pessoa que me influenciou muito e infelizmente não está mais aqui entre nós foi o Gustavo Aguiar. Ele foi um cara que me colocou nas competições e me deu a maior força nos primeiros campeonatos.

 

Você vem de uma família tradicional de Pernambuco. Qual foi a reação dela quando você decidiu se tornar surfista profissional?


Meus pais são médicos e grande parte da minha família também é. Eu tinha a obrigação de terminar o colegial, aquela tarefa básica de passar de ano e tal, se não eu não ganhava prancha e ficava proibido de ir para a praia. Normal, acho que você também já passou por isso. Eu não gostava de dar mole e prestava bastante atenção na aula para não ter que perder tempo estudando em casa. Com o passar do tempo fui conquistando diversos títulos amadores e foi chegando a época que eu tinha que decidir que carreira seguiria na minha vida. E eu escolhi a carreira de surfista profissional, porque é o que me faz feliz.

 

Os melhores profissionais são os que fazem o que gostam… Hoje em dia seus pais estão felizes com a sua posição? Como é o relacionamento entre vocês?

Desde a época que eu decidi ser surfista eu já tinha independência financeira, afinal já tinha patrocinadores, e eles me apoiaram e tiveram que aceitar. Hoje em dia eles são meus fãs, inclusive me acompanham em todas as etapas que rolam no litoral brasileiro. E eles sempre falam com o maior ogrulho que o filho deles é surfista profissional e que viaja o mundo atrás disso. E isso é muito legal, porque eu mostrei a eles um outro lado da vida que é a valorização do talento de cada um fazendo o que gosta e fazendo bem feito, que é o mais importante. Com muita responsabilidade e determinação nos objetivos.

 

Você nunca se dedicou ao circuito nacional. Como foi feita a escolha de ir para as cabeças no circuito mundial?

 

Desde moleque acompanhei a galera no circuito mundial e, por isso, quando eu consegui meus títulos amadores e chegou a hora de virar profissional, tentei levar aos meus patrocinadores esse objetivo, por mais que um deles não acreditasse muito. Mas acabou dando tudo certo e logo no primeiro ano eu já entrei para o WCT. Em vez de ganhar experiência disputando o circuito nacional, eu investi em viagens internacionais para surfar ondas pesadas, como Puerto Escondido, Fiji, Indonésia, e assim ganhei muita experiencia antes do meu primeiro ano de WCT.

 

Você é um exímio tuberider e um excelente surfista de ondas pequenas também. A que você atribui essa facilidade em surfar todo os tipos de onda?


O primordial de tudo é que nós já começamos surfando ondas pequenas no Brasil. Eu sempre fui uma pessoa que fui atrás das coisas que me fazem feliz e surfar ondas tubulares sempre fui a busca na minha vida e ainda é. Surfar esses tubos é um crescimento além de tudo espiritual e eu sabia também que isso iria me favorecer e muito no circuito.

 

Você sempre fica muito tempo em Teahupoo, tem um talento nato…


Eu sei que se um dia eu vier a disputar um título terei que estar afiado nesse tipo de onda, então tento me aprefeiçoar um pouco em tudo para poder ser o mais completo possível. Esse é o grande xis da questão. Surfar bem todos os tipos de onda. Nós já pegamos juntos altas ondas lá e você sabe a vibração e felicidade que essas ondas proporcionam… Essa felicidade interior de surfar esse tipo de onda  é o que me move. Se você não fizer por prazer na hora do vamos ver em um campeonato você não vai se jogar para dentro de um tubo gigante daqueles só pela grana. É delicado, pois sua vida está em jogo.

 

E a expectativa para Pipeline, última etapa do WCT?

 

Foi o que eu te falei. Passei muito tempo treinando nessas ondas pesadas, agora quero poder aproveitar e me dar bem.

 

Quais foram os seus melhores momentos no tour até agora?


Por mais que eu seja o melhor brasileiro no ranking do WCT até o momento, ainda não tive um resultado muito expressivo. Eu fiz várias oitavas-de-final e tive grandes oportunidades de passar adiante. A minha regularidade foi o grande triunfo até agora e me deu bastante confiança por ter surfado bem em todos os tipos de ondas.

 

Comente algumas baterias clássicas que você correu..


Esse ano rolou uma bateria muito especial com o Kalani Robb em Teahupoo, no round 3. Foi alucinante, apesar de eu ter perdido. Eu fiz um 8.80, depois um 8,5 e tava muito bem na bateria, mas o cara mandou um 9.17 no final. Eu teria ganho todas as outras baterias daquele  round com a minha pontuação, com exceção da bateria do Kelly Slater. Eu me perguntava depois o que eu tinha feito de errado, mas o aprendizado é que a estrela do Kalani brilhou mais alto naquele dia. Ele já é bem mais experiente do que eu ali. Eu perdi, mas levei o nível da bateria bem alto. Nem sempre as baterias que você vence são as melhores, e essa foi umas delas.

 

O que você mais almeja para o próximo ano?


Eu quero muito ser campeão mundial. Mas eu sei que o primeiro passo é ser Top 16. E temos que ir subindo degrau por degrau, com humildade.

 

Como é ser o melhor brasileiro até agora?


Isso é uma questão de momento. Minha regularidade é que me manteve nessa posição. No geral esse ano não foi muito bom para nós brasileiros. E é legal porque eu só tenho 23 anos e já estou no terceiro ano de WCT, e essa colocação me dá ainda mais confiança.

 

Qual o quiver que você costuma levar para o tour?


Eu costumo levar cerca de seis pranchas, que é o que uma capa cheia suporta. Dependendo do pico eu levo mais pranchas pequenas ou grandes, que variam de 6′ a 7’6″.

 

Quais são os seus shapers?


Faço um trabalho legal com o Havenga, shaper da Local Motion, João Shilickman e agora fiz altas pranchas com o Ricardo Martins.

 

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