#Paulista do Guarujá, local do Tombo, o experiente Paulo Matos iniciou sua vida no surf com 10 anos de idade nos principais campeonatos do Brasil e no exterior. Primeiro surfista a ser campeão brasileiro pela ABRASP (Assiação Brasileira de Surf), atualmente atua na formação de novos valores, dando aulas na ST/Comp Surf School. Além de incentivar e dar as dicas de como se dar bem dentro d’água, Paulinho, irmão do meio da tradicional família Matos – formada ainda pelos igualmente grandes surfistas Neno e Amaro – , sabe como ninguém como é a carreira de profissional no país. Acompanhe, a seguir, os melhores momentos da conversa entre ele e o nosso bro Alexandre Gennari.
Em qual pico do Brasil você mais gosta de surfar?
Saquarema e praia do Tombo, no Guarujá, onde considero minha casa e uma onda muito potente.
Qual a sessão mais legal em todos estes anos de surf ?
Foi quando fui para o Hawai pela primeira vez, em 89, sem saber inglês. O Zé Roberto, da Town & Country (Nota da Redação: ex-proprietário da marca, já falecido), ligou dizendo que tinha uma passagem para mim. Não pensei duas vezes e fui na cara e na coragem. Minha sorte foi fazer amizade com um local casca-grossa, que me convidou para ficar na casa dele. No dia em que cheguei, falei para este local que era impossível eu dropar Waimea. Além de as ondas serem de responsa, o crowd era intenso. E, naquela época, ser brasileiro e dropar a melhor da série só dava mesmo com alguém ao lado dando uma força. E foi o que aconteceu. Quando a onda vinha o local remava comigo e, na hora do drop, deixava a onda para mim, gritando: “Go Paulo, go Paulo!”. Foi incrível.
#O que acha do nível dos atletas brasileiros?
Acho que está muito melhor do que era, mas ainda falta a consciência por parte das empresas em incentivar os atletas a estudar e, acima de tudo, estudar inglês, que hoje em dia é primordial.
Dos novos talentos brasileiros, quais nomes indicaria?
Wilson Nora, da Bahia, Gilmar Silva e Mike Richards, do Guarujá.
Quem foi seu ídolo?
Picuruta Salazar.
O que pretende para o ano 2000?
Continuar o trabalho com a ST/Comp Surf School e, se Deus quiser, conquistar o título Brasileiro Master. Também estou com muita vontade de atuar como técnico de atletas em competições. Só estou aguardando interesse por parte de alguma marca.
Como é o seu trabalho na surf school do Guarujá?
Estou trabalhando com a surf school há sete meses. Atuo com atletas iniciantes, ensinando os primeiros passos, e pessoas que têm medo do mar até as primeiras subidas delas na prancha, sempre com acompanhamento meu, ou de um instrutor responsável. Também traballho atletas que já têm atuado em competições amadoras, buscando desenvolver o potencial de concentração e responsabilidade.
O meu objetivo é acompanhar os atletas desde o treinamento, para poder passar para novos talentos toda minha experiência em competições e ondas grandes.
Quais seriam os principais valores a transmitir para os atletas?
Determinação, concentração, força de vontade, fé em Deus e acreditar em si mesmo.
Qual é um pico de sonho para você?
Para quem puder conhecer, vá a Fiji.
#E qual seria uma onda assassina?
Mavericks, sem dúvida, apesar de eu nunca ter surfado lá.
Depois de todos estes anos dedicados ao surf, vencido muitos campeonatos e surfado ondas por todo o mundo, você se considera um profissional realizado?
Sim, porém com uma mágoa por ter muita vontade de surfar e trabalhar, e a idade, para alguns às vezes é sinal de velhice. Mas, na verdade, é um sinal de experiência. Hoje em dia tenho disposição para muito surf competitivo. Só que estou sem apoio e patrocínio. Aí, fica muito díficil. Mas não vou deixar de trabalhar junto ao mar, nunca pois isso fez parte de mim.