Aventura no mundial

Paulista encara trip catarina

Paulista Eduardo Siqueira posa com o bicampeão mundial Ben Player. Foto: Juliana.

Ditado diz: ?quem tem amigos não morre pagão?. Graças ao bodyboard conheci muita gente boa. Uma delas é Samuel, que mora em Florianópolis, aliás, aproveito para agradecer a recepção vip e os inúmeros Moçambique de gala só com a ?raça?. Por sorte, Samuel tem um apartamento em Itapema, município próximo a Itajaí e, depois de saber que rolaria uma etapa do mundial no Brasil, nos falamos no msn e montamos a barca.

 

Depois de alguns contratempos de trabalho, conseguimos arrumar tempo para curtir o feriado. Eu longe de São Paulo e eles, longe de Floripa. Saí de sampa na quinta (20/3), véspera de feriado, rumo a Curitiba para pegar minha namorada. A viagem que no início foi tranqüila transformou-se num filme de terror logo após a cidade de Registro (SP).

 

Um temporal pegou todos de surpresa na serra que separa os estados

Samuel e Lúcio, junto com Eduardo, participam da aventura no KM BB Pro 2008 . Foto: Juliana.

de São Paulo e Paraná. Conclusão: cautela e cuidado redobrado com

os caminhões que pareciam uns loucos. No fim, cheguei em Curitiba

com tempo bom e vivo. Após pit stop em Curitiba (PR), partimos rumo Itapema. Mais uma paradinha em Joinville (SC) para um merceido descanso. Estava exausto e com sono, mas além disso, uma cortesia em um hotel da cidade foi a motivação final, coisas da namorada.

 

Na manhã de sexta (21/4), já de barriga cheia, fomos direto para a praia Brava e chegamos quase no final das baterias da masculino Pro. Vi que tinha boas ondas e um crowd absurdo ao lado das bóias. Encontrei Samuel e Lucio, outro bodyboarder, que deram pilha de cair em um outro pico. Tentamos falar com Eder Luciano, ídolo local, mas ele sumiu chateado pela derrota na bateria contra Roberto Bruno e GT.

 

Fomos pela interpraias em busca de boas ondas, aliás, o visual da estrada é alucinante. Chegamos ao destino e os caras estavam tirando as pranchas do carro, mas não havia ondas. Foi quando uma série entrou e pude conferir o buraco na areia. Não estava grande, mas a diversão estava garantida com só nós três na água, na meia hora seguinte foram algumas boas ondinhas e areia até na orelha. No sábado (22/3), pegamos boas ondas ao amanhecer na Brava, melhor hora do mar. Partimos pro freesurf e era alto o nível dentro dágua.

 

Conseguimos boas ondas no meio do crowd de profissionais, mas deu a hora das baterias começarem. Traduzindo: ou rema para o lado ou sai fora! A performance dos atletas foi excelente. É um absurdo como parece fácil. Aussie Ben Player realmente tem um estilo muito bonito e polido. Uri e Villar, juntamente com Tâmega, que perdeu para um inspirado e sortudo Pierre Costes, vão brigar pelo título em todas as etapas. Vale uma menção para Valdomiro Mirinho que deu trabalho e representou bem o estado de São Paulo.

 

Me surpreendeu a humildade dos atletas e o sentido de companheirismo. Muitos ignoravam o local reservado para ficar na areia com amigos e familiares. O banco onde sentavam Villar, Barcelos, Hermano e outros, era disputado e até mesmo Xandão se infiltrou e quebrou o braço do banco. No final de tarde, voltamos para Itapema e um forte vento sul entrou rasgando, trazendo chuva. Sinal que no domingo (23/3), o mar poderia estar muito pequeno. São Pedro deu uma força mantendo o sol e Netuno colaborou com o que pode.

 

Entrei no mar enquanto Ben Player saia para descansar, focado na bateria contra o local Villar. Boas ondas na maré seca, Samuel mandou um bom aéreo e eu arrumei um bom tubo. Finalmente decidimos sair e ver as finais. O mar piorou, vento Sul aumentou, mas Villar deu sorte e achou as únicas duas ondas que entraram na bateria contra Ben Player. E após um flat de 15 minutos, vitória brasileira com direito a beijo no papai. Foi muito legal ver a família do Villar, seus pais e amigos torcendo na beira da praia.

 

Baiano Uri também encaixou nas condições e avançou. Na final, a onda matadora veio para Uri que, com duas manobras fortes, complicou a vida do catarinense. Tâmega comentava a bateria para ESPN, sempre solícito e simpático. Player foi outro que me surpreendeu pelo carisma. Muito calmo na água e muito gente boa na areia, “low profile”. O campeonato foi muito bom. Bem organizado e com grande estrutura. Parabenizo a organização pelo esforço, deve ter sido um trabalho e tanto. Foi uma pena o resto dos gringos não terem comparecido, mas o que vale é que o Brasil está no topo e se a delegação canarinho engrenar em Shark Island ninguém segura mais o time brasileiro, lotado de competência e carisma. Fim de campeonato, homenagens feitas e muitas boas lembranças. Hora de de voltar à realidade da Selva de pedra.

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