Está em andamento na Califórnia um evento muito importante para a história do surf.
Com palanque montado em La Jolla (CA), pessoas de diferentes nacionalidades compareceram à praia para acompanhar o primeiro Campeonato Mundial de Surf Adaptado, evento que representa mais um passo certeiro e bem sucedido na evolução do esporte.
E os brasileiros estão em peso por lá para levantar nossa bandeira. Um dos competidores que defendem as cores verde e amarela é Paulo Ricardo Souza, local da praia de Xangri-lá, Rio Grande do Sul.
Paulinho é atual campeão brasileiro de surf adaptado na categoria surf de joelhos, upright, no exterior. Para entender melhor a dimensão interna do evento e como está sendo a preparação de nossos representantes, a galera da Haifins, nova patrocinadora de quilhas do atleta, teve a oportunidade de conversar com o atleta após a cerimônia de abertura.
Confira no vídeo abaixo, Paulo em ação:
Na ocasião, Paulo começou falando de qual o sentimento ao ver o evento todo acontecendo diante dos seus olhos. “A sensação de estar prestes a competir no primeiro mundial de surf adaptado é indescritível. Nunca passou pela minha cabeça chegar nesse momento, poder estar aqui, na Califórnia, representando o Brasil nesse evento espetacular. Me faltam palavras mesmo. Nunca imaginei que eu fosse viver a ponto de chegar num mundial, principalmente de surf, que é o esporte que eu mais amo”.
Quando se pergunta a um surfista qual é a importância do surf em sua vida, já é sabido que virá uma declaração de amor intensa virá como resposta. Porém, em alguns casos, dedicar uma boa parte do seu tempo costurando ondas na água salgada pode ser tão decisivo que ultrapassa qualquer valor emocional. Além do amor evidente que sente pelo esporte, Paulinho ressaltou a importância que ele teve em sua vida, especialmente no desenvolvimento do corpo.
“O surf me fez ser quem eu sou hoje, me deu tudo que eu tenho de bom na vida, minha família… Fez eu ser uma pessoa melhor, me deu uma capacidade física, motora e mental. Eu evoluí muito no surf como ser humano. O surf pra mim é tudo. Estar aqui, competindo o mundial de surf adaptado, vai além de qualquer sonho que eu já tive na minha vida”.
A verdade, é que o caminho até aqui não foi nada fácil. Paulinho enfrentou dificuldades na luta por patrocínios, apoios, mas não desistiu e acreditou que poderia conquistar seus sonhos e objetivos. Agora competidor no mundial da modalidade, o surfista manda seu recado a outros atletas adaptados de qualquer esporte no Brasil – todos pouco valorizados -, mas que sonham em levantar a bandeira do país em um evento desse porte.
“Não desista. Tropeços vão acontecer. Você vai encontrar pessoas que vão querer te colocar para baixo, mas tem que seguir seu sonho. Tem que acreditar sempre, buscar sempre conquistar as coisas da melhor forma possível, com humildade, sabedoria, transmitindo todo o conhecimento que você tem, buscando adquirir conhecimento de pessoas próximas e não ligar para sua limitação. Todos nós temos algum tipo de limitação. A nossa limitação não nos impede de conquistar nossos sonhos. Pode impedir de fazer alguma coisa, alguns movimentos, mas cada um pode adaptar sua maneira de surfar ou de praticar qualquer esporte”.
Quanto a parte mais ténica do evento, a competição em si, é importante saber alguns pontos importantes para compreender o formato no qual ela será realizada. O esporte adaptado não tem regra do movimento correto. Como o próprio nome diz, cada pessoa vai ter que adaptar seus movimentos e equipamentos a modalidade que vai praticar. Quanto aos critérios de avaliação, Paulinho conta que estarão bem parecidos com os de outros campeonatos de surf.
“O surf adaptado possui um critério um pouco diferente do convencional, mas não está se diferenciando muito aqui nesse mundial, pelos critérios que foram passados no congresso. Vai ser manobra no crítico da onda, velocidade, quantidade de manobras. Então, um surf progressivo com certeza vai ter notas expressivas. A minha estratégia é buscar fazer um bom somatório logo no início da bateria, escolher boas ondas, analisar bem as duas primeiras baterias (vou cair na terceira), achar o melhor pico e procurar fazer logo de cara uma onda boa para me dar tranquilidade para poder seguir na bateria focado, sem pressão”.
O local que receberá os competidores do evento será a convidativa onda de La Jolla. As condições do mar não indicam um tamanho muito representativo para o primeiro dia de competição, mesmo assim, Paulo Ricardo explica que isso pode dificultar um pouco a vida dos competidres, mas se mantém firme.
“O mar vai estar pequeno. Isso não favorece pra mim, porque eu demoro um pouco pra subir na prancha. Pra mim, uma onda maior facilita por eu ter um pouco mais de tempo pra subir na prancha. Mas não é isso que vai me abater. Vou simplesmente fazer meu melhor e tentar buscar esse resultado positivo representando o Brasil, o sul do país, todos os meus patrocinadores e minha cidade natal, Xangri-Lá”.
O Campeonato Mundial de Surf Adaptado já começou e é possível acompanhar a transmissão ao vivo pelo site oficial do evento.
“Nada é fácil. Nada vai cair de mão beijada. Ninguém vai pegar e fazer por você. Ninguém vai te botar no colo e te levar até onde você quer chegar. É preciso ter muita dedicação, muita determinação, muita garra, muita fé e buscar sempre fazer seu melhor. Não tem que buscar ser melhor do que ninguém, mas ser melhor do que você foi ontem e do que você vai ser hoje. E, amanhã, você tem que ser melhor do que você foi hoje. Essa é minha dica. Não tem segredo. É sempre procurar fazer o seu melhor.”





