Rápida, oca, muitas vezes irregular e absolutamente rasa. Assim roda a onda de Paúba, praia localizada em São Sebastião, litoral Norte de São Paulo.

 

Nos dias grandes representa um desafio e tanto para qualquer surfista. Chegar à base e fazer a coisa certa em um caroço da série requer atitude e conhecimento.

 

Acidentes são freqüentes e não raramente cobram um preço respeitável do desafiante. “Paúba é um pico diferente. Sem dúvida é a onda mais pesada do litoral norte de São Paulo.

 

 Perdi a conta de quantas pranchas parti ao meio ali”, diz Flávio Caixa D’água, surfista profissional e um dos melhores locais de Maresias.

 

“Eu nunca me machuquei seriamente em Paúba, mas já presenciei cenas feias, tipo fraturas e outras contusões graves”, acrescenta Caixa D’água.

 

Entre tantos acidentes, certamente o sofrido pelo lendário Taiu Bueno, que resultou em um quadro de tetraplêgia, é o mais conhecido e o que exerce maior influência sobre as cabeças que constantemente lotam o line up de Paúba.

 

“Eu sinto que o acidente do Taiu influência muito todos os surfistas que encaram Paúba nos dias grandes. A onda em si requer muito respeito, mas o caso do Taiu foi marcante, porque demonstrou que se isso aconteceu com um atleta como ele, pode acontecer absolutamente com qualquer pessoa”, afirma Carlos Bahia, longboarder profissional e freqüentador assíduo dos tubos de Paúba.  “Eu já nem sei quantas pranchas quebrei em Paúba, o pico é realmente tenso. Nos dias grandes é preciso escolher a onda certa, remar forte e botar pra dentro, caso você consiga negociar a dificuldade do drop, é possível que você pegue um tubão clássico, caso contrário é muito provável que você tenha que

 

mandar fazer uma prancha nova”, completa Bahia.

 

A onda de Paúba requer um equilíbrio entre técnica e coragem que em última análise representa a busca de todo surfista.

 

Quando a coragem é muito superior à técnica, geralmente acontecem os acidentes físicos, quando a técnica é muito superior à coragem, freqüentemente acontecem os acidentes psicológicos, mas quando ambas atingem um bom equilíbrio chegou a hora de esperar um swell grande de Sul, tirar o leash do tornozelo, fazer o sinal da cruz e cair em Paúba.

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