Surf na selva

Patrulha na pororoca

Serginho Laus acumula milhas na pororoca do rio Araguari (AP). Foto: Arquivo PMAP.

A última pororoca do ano foi marcada mais uma vez pela aventura do surf na selva e pela experiência vivida por militares do Amapá.

 

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Pela primeira vez, um grupo da Polícia Militar do Estado do Amapá visita a onda mais longa do mundo, com o olhar clínico para o treinamento de navegação, avistamento e resgate diante do maior fenômeno fluvial da Amazônia.

 

A lua nova de junho marcou no rio Araguari, o fim de uma temporada e o fortalecimento de uma parceria que venho tendo ao longo dos anos com a Polícia Militar do Amapá. Na presença do Coronel Sérgio Leitão, Capitão Pessoa, Sargento René do Batalhão Ambiental, Soldados Hudson e Moutinho, além do reservista do exército Cláudio Calandrini e o kitsurfista Jim Davis, pude levar informações importantes e gerar mais conteúdo para que o surf na pororoca possa receber mais segurança com a Polícia Militar.

 

A expedição foi relâmpago com apenas um dia de surf, mas com uma onda com mais de uma hora quebrando e diversas bancadas distintas ao longo do leito do rio. A navegabilidade de embarcações na pororoca é um conhecimento que poucos possuem devido à mudança contínua de bancos de lama, movidos rapidamente pelas fortes marés.

 

E para compor o quadro técnico de como comandar as embarcações em situações extremas, ribeirinhos também participaram com seus conhecimentos locais. O mais experiente é o Zeca, que acompanha a evolução do surf na pororoca desde o seu início. Hoje além de ser o piloto número um da equipe Surfando na Selva, Zeca se tornou o primeiro surfista ribeirinho da Amazônia.

 

A prancha que doei a esse ribeirinho sagaz está sendo usada em quase todas as grandes marés que invadem o igarapé em que vive. É um projeto de iniciação do esporte surf nas comunidades ribeirinhas da Amazônia, lançado pela ONG Maré Amazônia em 2005.

 

Num dia ensolarado a pororoca chegou a ter um metro e meio de altura e com risco moderado de navegação devido aos ventos que geravam marolas no rio. Nos primeiros dez minutos tive dificuldade no surf, pois a onda estava cheia de degraus, mas na seqüência a floresta segurou um pouco o vento e deixou o rio liso.

 

“Navegar com segurança na foz do rio Araguari, onde rola a pororoca necessita de três coisas essenciais: uma embarcação com motor em plenas condições de funcionamento, combustível suficiente para a operação e a presença na equipe de pessoas que conheçam bem a área”, explica o Coronel Sérgio.

 

Além de testar as técnicas usadas pelo surf na pororoca, a Polícia Militar aproveitou da expedição para realizar um patrulhamento preventivo até a foz do rio Araguari. ?Temos que estar presentes em todas as localidades do estado. Hoje estou à frente do destacamento do Apurema, ficando assim mais perto do Araguari para um controle mais intenso dos acontecimentos locais?, relata o Sargento René do Batalhão Ambiental.

 

“Os surfistas estão sempre presentes na região, logo podem nos repassar diversas informações sobre o que ocorre na área. Essa parceria é fundamental para que as viagens sejam realizadas sempre com segurança e tranqüilidade”, diz Coronel Sérgio a respeito da relação dos surfistas com a PMAP.

 

?Realmente a pororoca é muito mais impressionante do que vemos em fotos ou filmes. Sua força é pra ser respeitada e qualquer erro pode ser trágico?, lembra Capitão Pessoa.

 

Com o sucesso da expedição, a parceria do surf na pororoca e a Polícia Militar do Amapá estão se fortalecendo e gerando novas situações de segurança e aprendizado para toda a comunidade, surfistas e turistas que procuram viver aventuras intensas na Amazônia.

 

?Em breve formaremos o primeiro grupo de surfistas militares do Amapá. Assim conhecendo melhor um esporte que exige concentração, equilíbrio e atitude, ferramentas essenciais usadas no dia-a-dia da polícia?, conclui Coronel Sérgio.

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