O carioca Cláudio Pastor tem seu nome associado à fabricação de longboards de alto desempenho, porém, poucos sabem que esse shaper é parte importante da história da evolução do surf carioca e brasileiro.
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Pastor faz parte da geração que arrombou as portas do mercado brasileiro, nos tempos em que paixão e determinação eram o combustível dos primeiros empreendedores do surf.
Ele é um privilegiado participante e testemunha de todo ciclo evolutivo que o surf brasileiro viveu nos últimos 20 anos.
Tudo começou nos idos de 1981, quando Pastor fez uma viagem à Califórnia e teve a oportunidade de estagiar na consagrada fábrica de pranchas Gordon and Smith, onde pôde estar lado a lado com lendas vivas do shape como Skip Frye.
Lá, Pastor conviveu também com Heinrich Schulemburg, que futuramente viria a ser fabricante de blocos de poliuretano no Brasil.
Esse processo de imersão na Gordon and Smith terminaria por mudar sua vida e a forma de encarar o surf. Ao voltar para o Brasil, não conseguia ver-se mais só como surfista. A “mosca azul” do shape havia lhe mordido e não bastava mais encomendar uma prancha, ele queria fazer as suas próprias.
Reuniu uns trocados com seu amigo Kao Spillmann e montou uma fábrica de pranchas, ainda que rudimentar, em Petrópolis, município localizado a 110 quilômetros do mar.
“Foi um começo de empreendedorismo quase romântico. Subíamos a serra com os blocos no teto do carro e voltávamos com as pranchas prontas. Havia muita paixão, sede de realização, mas pouco conhecimento técnico?, lembra o shaper.
Nessa época, Pastor cursava a faculdade de arquitetura, o que, de certa forma, ajudava na atividade, mas obviamente, não abrangia a técnica da arte de shapear.
Passada a fase inicial, o negócio rapidamente começou a tomar uma estrutura mais profissional e a oficina desceu a serra, mudando para uma rua próxima à praia do Pêpê na Barra, onde permaneceu por 10 anos.
Em seguida foi para Vargem Grande, meca das principais oficinas de shape do Rio de Janeiro. ?Estávamos na década de 80 e eu convivia com a nova geração de shapers que mudaria a história do surf brasileiro: Beto Santos, Ricardo Martins, Joca Secco, entre outros”, conta Pastor.
Foi um período de muita troca e descoberta, num tempo em que as informações que chegavam do exterior eram escassas. Conceitos como reverse “V”, concave, entre outros, eram desenvolvidos quase que empiricamente.
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Pastor faz questão de manifestar seu reconhecimento às grandes influências no seu trabalho como shaper, em especial a Beto Santos e Heinrich Shulenburg: “Considero Beto como meu guru, um profissional que nunca teve medo de repassar seu conhecimento técnico. Eu ficava horas sentado dentro da sala de shape o vendoele trabalhar, enquanto ele didaticamente me mostrava passo a passo como se fabrica um foguete. Até hoje temos grande amizade?.
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Na década de 1990, Pastor já era um nome consolidado como shaper de mini models. Sua parceria de 10 anos com Andréa Lopes havia chegado ao ápice quando ela se tornou a primeira atleta brasileira a ganhar uma etapa do WCT feminino, o Rio Marathon 1997.
Ao mesmo tempo, Pastor já vinha desenvolvendo o design de longboard desde 1986, quando descobriu a modalidade. Pesquisador incansável, rapidamente evolui o shape dessas pranchas a um nível sem precedentes no Brasil.
Tornou-se um especialista em longboards, criando um modelo de pranchas o qual batizou de Mix, combinando grande maleabilidade para manobras e alta estabilidade no bico.
Esse modelo revelou-se uma verdadeira fábrica de campeões: Vitorino James, campeão brasileiro amador 1992, Alexandre Taslias, campeão brasileiro 1993, Bernardo Mussi, campeão brasileiro amador 1994, Marcelo Freitas, campeão brasileiro amador 1996, Augusto Saldanha, bi-campeão brasileiro profissional 1998/2000, Roger Barros, atual campeão brasileiro profissional.
Segundo Pastor, a melhoria nos materiais permitiu que os longboards ficassem mais leves. Além disso, as mudanças na aplicação do rocker no fundo foram fundamentais para a evolução dessas pranchas.
Atualmente, o epóxi e o isopor aparecem como a nova fronteira de evolução do longboard na medida em que permitem que ele fique ainda mais leve e com mais resistência, portanto, mais manobrável.
Aos 48 anos de idade, Cláudio Pastor se considera um homem realizado. Seu trabalho gerou alegria a milhares de pessoas através de pranchas mágicas, ajudou a construir a carreira de dezenas de atletas e ofereceu uma inestimável contribuição para a evolução do surf brasileiro.
Teve a oportunidade de conhecer todos seus ídolos, Donald Takayama, Greg Noll, Dick Brewer, Bufallo, entre outros, e sabe que tem muito caminho ainda a percorrer e muito a contribuir para a arte de shapear.
O Stand Up Board, por exemplo, surge como sua nova fronteira de pesquisa e desenvolvimento em parceria com Eraldo Gueiros e Kao Spillmann.
Seja em qual direção o futuro do surf apontar, lá estará Cláudio Pastor, lutando pelo melhor design e evolução do esporte.
Para obter mais informações, visite o site bypastor.com.br .

