Espêice Fia

Pasti, Bagas e Nagas

Direita de Pasti, em Sumatra, quebra solitária em frente ao Surfing Village. Foto: Fábio Gouveia.

No mês de junho, faltando 15 dias para o fim da temporada da pesca da tainha, já estava impaciente com as boas ondas desperdiçadas em virtude do acesso proibido em alguns bons picos de Santa Catarina.

Em conversas “internéticas” com o fotógrafo Ricardo Borgui, que em sua segunda temporada consecutiva habitava, como fotógrafo residente, o Surfing Village, não penssei duas vezes e me piquei para Sumatra.

Duas ondulações boas já haviam passado pelo pico de Pasti e redondezas e uma terceira ainda estava por vir. Mesmo me agilizando, não consegui pegar o final da segunda, porém ainda a tempo de pegar a terceira, já que essa teve um ligeiro atraso e ganharia força no dia da nossa chegada. 

Digo nossa porque, na real, acabei me encaixando de última hora em um grupo de três brasileiros e seis australianos que estavam com o pacote fechado havia alguns meses no “Kisorte”. 

Este é o apelido que traduz o Surf Camp Surfing Village, de sociedade dos três brasileiros aventureiros – Mario Pacheco, Fernando Nardelli e Paulo Sciamarelli, mais conhecido na Sumatra como Mister “Pôulo”.

Já carregando certa fama por algumas reportagens em revistas não só do Brasil, como do mundo, a onda de Pasti também foi retratada em filme da Hang Loose em 2008, produzido pelo videomaker Rafael Mellin e sua equipe.

Na ocasião, fui ao pico com Junior Faria, Danylo Grillo e Bernardo Pigmeu. A direita tubular também pôde ser vista em Blue Horizon, em session de Andy Irons e Joel Parkinson.

Muitos tubos ali foram surfados e, como em minha primeira passagem não tinha conseguido surfar as reais boas ondas do principal pico, claro, essa foi a razão mais provável de minha volta.
 
Pulei aquela parte de sei lá quantas tantas horas de voos e chá de aeroporto para se chegar ao cais do porto de Padang. No filme Pasti, até tinha dado uma declaração: “Rapaz, não dá mais pra mim, agora viajo só pelas Américas!”. A alusão era justamente à distância, mas nada como pegar a primeira onda, acelerar na parede e dar boas batidas e rasgadas.

Pronto, era essa a retirada da rebordosa e do fuso horário de 10 horas entre o Brasil e Sumatra. Depois das boas vindas e reencontro dos amigos , ligeira pausa para as instruções dos dez mandamentos do “Kisorte”.

Os gringos, bem atenciosos ao vídeo que estava sendo projetado, e eu sem conseguir conter as risadas. Era tudo em inglês e cômico, mas, conhecendo os caras do surf camp, não me aguentava na medida em que os mandamentos eram citados.

No video, o Nardelli, gerente comercial, era o ator principal e começava fazendo tudo errado. Logo apareciam os dois rastasfaris, Mario e Paulo, com dois remos de canoas para repreendê-lo.

Logo em seguida vinha a parte correta e mais uma vez apareciam os rastas com os remos cruzados e levantando sobrancelhas e óculos escuros, porém, desta vez, em sinal de aprovação. O vídeo segue totalmente em tom “comedial” e em ritmo acelerado, cativando logo de cara os integrantes da barca e dando sinais de que aqueles 15 dias seguintes seriam de pura diversão.

Em nosso primeiro surf, uma caída antes do almoço na onda de Bagas, esquerda na ilha da frente de Pasti que recebe maiores ondulações. Ondas de 1 metro e algumas de 2 de face faziam a alegria da galera. Como da minha última vez havia surfado bastante esssa onda, me sentia em casa .

Dava drops atrasados e boas rasgadas em baixo do lip. A maior da série ficou por conta do Nardelli e vi que pelo menos dois do grupo dos australianos, surfavam acima da média do restante.
Como disse, me encaixei  no grupo e não conhecia ninguém. Pra mim seria uma viagem inédita, pois todas as outras que havia feito até hoje, haviam sido pré-agendadas e com outros surfistas profissionais.

Não que eu não tivesse tentado escalar alguns companheiros de profissão, mas, como minha decisão de ir havia sido de última hora, os quatro surfistas que eu havia convidado, não puderam ir por uma ou outra razão.

A ondulação que batia maravilhosamente linda em Bagas, parecia ganhar força. Hora de voltar pro “Kisorte”. Ao ancorarmos a “voadora” com motor de 50 hp, começamos a vibrar com a série que entrava em Pasti, já bem diferente das linhas pequeninas do amanhecer durante nossa chegada.

Caramba, galera, tá subindo! Almoço rápido e delicioso proporcionado pelos mais novos integrantes da alta culinária “kisorteana”, Rafael Maduro, surfista de Santos e viajante ao lado de sua esposa Sheylla Maduro.

As coisas no “Kisorte” acontecem assim. O casal viajava por Byron Bay, na Austrália, quando Mário o encontrou e, entre poucos papos, havia surgido o convite para o casal tomar conta do Surfing Village na baixa temporada, enquanto os sócios se dividiam em trabalhos extras e suas outras funções, entre as quais, feriazinhas, né?

Aliás, vale aqui um parágrafo: os caras estão vivendo o sonho da ilha perdida, ou da ilha paradisíaca. Seja lá como for , a curtição rola junto ao trabalho, que, dividido aos três, sobra mais tempo pra “brincar”.

Pasti começando a bombar, vento parado e o fim de tarde foi de muito surf. O dia seguinte prometia. Já ao entardecer, quase escurecendo, vi um belo momento do australiano Nathan White, da Gold Coast (todos eles, incluindo os brasileiros).

O cara pegou um tubo longo de backside e saiu por baixo da cortina em cima da bancada pra lá de rasa. Aquela onda foi mais um sinal para o dia bom que prometia na manhã seguinte.

Ao acordar, no fuso horário e ainda à noite, resolvi esperar um pouco que o dia começasse a clarear, já que o surf camp fica em meio a uma floresta e, claro, não queria topar em nenhum bicho peçonhento logo em minha estreia.

Quando caminhava ao pico, dois australianos já se encontravam no line up. Não fiquei surpreso, pois no país deles, nego tem esse costume de cair muitíssimo cedo. A brisa de terral e sol raiado fizeram Borghi pular da cama. Aliás, ele ficara hospedado na casa do nativo chamado Nagaden, que ocasionalmente originou o nome de uma das sessões da onda de Pasti, ou seja, o pico de “Nagas”.

 

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Mesmo com fortes dores na costela, Mr. Ribs não sai da água. Foto: Fábio Gouveia.

Juntamente com Borghi, sua namorada Joyce Grisotto, que vem tendo a vida de aventureira com seu parceiro e gravando tudo em video para nossa felicidade. Uma câmera novinha havia chegado para Joyce, já que sua 7D recém-adquirida, havia se afogado em sua chegada a Pasti no mês anterior durante seu desembarque de canoa.

Isso mesmo, a aventura já começa logo ali – canoinha em meio ao reef afiado depois da espera da calmaria entre as séries que, volta e meia, pegam nego de surpresa e batizam os pertences.

No vai e vem das ondas, séries de 1 metro marchavam na bancada e a ordem era imprimir alta velocidade para tentar passar as duas primeiras sessões e atingir o “tercerá”. Descobri o nome quando, ao chegar do surf, obtive o relato do “Paulé”, conhecido também por Mister “Pôulo” (o cara tem dopis apelidos).

“Meu, você acelerou muito, foi parar lá no tercerá!”, disse Paulo. No café da manhã, aquele visual. A galera trocando o turno na água; era a minha vez de ficar observando. As linhas demoravam, mas, quando vinham, era aquele visual. O outro australiano bom chamava-se Luke, goofy tal como Nathan. Fazia arcos bonitos a bordo de sua JR, mesma marca que faz alguns shapes para Josh Kerr. Aliás, esse amigo comum do Josh relatou que no passado, seu amigo Nathan era o principal team rider JR.

Na segunda session, as ondas havia melhorado e foi a vez de ver os três brazucas em ação. Os dois primeiros, André e Phelipe, residém também na Gold Coast. Um exerce a função de chefe de cozinha e o outro ajudante de chefe. Já o terceiro, um geólogo gaúcho atualmente residindo no Rio, Raul.

André era um pouco mais atirado e deu pra ver que suas viagens anteriores para a Indonésia deixavam-o mais à vontade do que Phelipe. Já Raul fazia um base lip legal de backside. Os tubos melhoraram e todos acabaram pegando algumas seções.

O nosso mestre-cuca Rafael Maduro, que acabara de entrar na água antes de tocar a ficha no almoço, quebrou a prancha em sua primeira onda ao botar pra dentro de um tubo e não sair. Dos males, pelo menos nosso rango ia sair mais cedo. Coitado! Mas também ali ele pouco estava se queixando, pois tinha todo o tempo durante suas folgas para surfar aquela onda.

A caida do fim de tarde rendeu altas ondas com series de 1 a 1,5 metros. Em determinado momento da maré, séries maiores entravam. Peguei tubos longos e vi mais uma vez bons tubos do Nathan, que a essa altura, ganhara o apelido de Mister Ribs, já em seu segundo dia.

Explico. O cara mora em Bali, tá montando uns warungs para locação com sua esposa, que é uma brasileira. Prestes a embarcar pra Pasti, tomou uma vaca de moto e reclamava toda hora de suas costela (ribs). Ele remava fraquinho, mas estava sempre ali no pico. “Oh, my ribs!”, exclamava o “ozzy”.  Mas tava sempre ali, esperando a série (risos).

À tarde foi a vez de Mario. Mariozinho, para os íntimos, continua ceivando sua vasta cabeleira rasta que, na água, constrasta com suas manobras. A cada batida, rasgada ou decolada, abrem dois leques, um de água e outro de dreadlock (risos).

Antes da sessão da onda de Pasti propriamente dita e entre Nagas, fica a sessão de Loban, que finaliza em uma bancada raríssima antes do canal de Pasti. É lá que o Mariozinho gosta. Drop radical despencando e depois um tubo seco. O bicho ficava revezando umas duas ondas em Pasti, mais umas três em Lobans.

Nessa mesma session já dava pra ver a evolução do brasileiro Rasta, pois o bicho melhorou um bocado. É daqueles caras que estão surfando qualquer onda e com qualquer coisa, leia-se pedaço de prancha.

 

Os caras quebram as pranchas e muitas vezes não se dão ao trabalho de emendar a outra extremidade. Passam só uma resininha com fibra no restante da maior parte e acabam ficando com várias mini models no mais puro estilo roots.

No terceiro dia as ondas ganharam pressão e foram muitos tubos. Pela manhã o vento não estava muito bom, mas à tarde ficou lisinho e a festa foi geral. Nessa peguei tubos que ainda não tinha pego em Pasti, pois da outra vez, havia partido antes do swell propício.

Vejo André “Mop” botar no trilho dos tubos, e outro australiano chamado Clayton arriscar uns aéreos com uma prancha pequena para sua altura e tamanho das ondas. O cara tinha em média 1,85 de altura e usava uma 5’5 larga e com um rabetão.

A esta altura, as séries aumentavam até que aquela onda surpresa veio mais ao fundo. Mister Ribs se encontrava no outside, mas acho que naquele momento sua costela realmente não aguentou o tranco e ele acabou perdendo a onda que tinha 2 metros de face e tubular.

André começou a remar atrasado e, por via das dúvidas, também comecei a remar. Sabia que ele estava atrasadaço, mas pra não querer impregnar, não quis forçar a remada de início. Resultado: o cara despencou lá de cima e, quando remei mais forte já era tarde, despenquei em seguida levando uma grande vaca. O pior foi tomar a série de umas quatro ondas.

 

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Bagas chama galera para session. Foto: Fábio Gouveia.

O visual era incrível – tubos secos rolando e sem ninguém, pois todos no line up foram pegos de surpresa. O Borghi, que estava no canal, ficou só vendo a cena e fotografando os expressos sem uma alma viva. Naquele momento só quis esperar esta série que, até o final da caída, não veio mais. Mas vieram outras ondas muito boas e pegamos bons tubos.

Em um desses, andei muito e saí lá no tal do “Tercerá”. Porém, mais uma vez os “locais” do  surf camp vieram me dizer, “Meu, você precisa ver isso aí, vai até a Quinta da Boa Vista”, brinca um deles, que depois de muito tempo trabalhando na selva de pedra paulistana, agora diverte-se dando nome de partes da avenida mais famosa daquela capital às seções da onda, de tão longa que pode ficar nos dias clássicos.

Durante a noite só pensava nas ondas do dia seguinte, mas, para minha decepção, elas baixaram e adeus aquela série que eu queria pegar. Mesmo assim, o dia de surf em Pasti foi inteso e resolvi aproveitar. Ano passado os caras descobriram um beach break maravilhoso perto do “kisorte”, e os ozzys boys, escoltados por Rafael Maduro, foram lá conferir.

Eu só escutava esta história de que em dias flat, o “beach break” teria 1,5 metros. Como Pasti ainda tinha umas ondas, achei que o fundo de areia tivesse fechando. Para minha surpresa, os caras chegaram todos muitos felizes com os tubos em pé que pegaram. Nem as pranchas partidas estragaram a animação. Dia seguinte, adivinha, beach break clássico! Ondas de 1 metro, com 2 metros nas maiores. Durante a navegação até o pico, surgiu minha curiosidade. Como é o nome do break, galera? E Mario logo responde: “Dropando a onda com a faca na caveira e a vaca sentada na cadeira!”.

“O que é isso?”, indaguei, dando risadas. “Você não tem mais o que fazer, não? Isso é lá nome que se dê a um pico (mais risos)! Já que dizem que parece muito com Cacimba do Padre, em Noronha, bota Cassatra, mistura de Cacimba com Sumatra! E ainda mesmo com um “erre” no meio, fica parecido com uma sobremesa boa danada!”, terminei, zoando os caras.

Mas logo surgiu outro nome soletrado em seguida pelo mister “Pôulo”. Bota então “Sumimba”, mistura de Sumatra com Cacimba! “Taí, gostei!”, disse a Paulo. Já Mário, se irritou. “Que nada, rapá, vai ser “Faca na caveira com vaca sentada na cadeira, ou então fica beach break mesmo e ponto final (risos)”.

Nessa session, dois barcos foram ao pico e um deles era a mais nova aquisição do “Kisorte”, a tão falada “Ferrari”. Uma lancha de 28 pés com dois motores de 200 hps. O “bagulho” chegava ao pico em 10 minutos! 

Se os caras falavam que não havia crowd por ali, a coisa parecia estar mudando, pois dias antes, uma barca com Tom Curren e Bruno Santos havia passado por lá. Na real, crowd não tava, mas uma outra lancha se encontrava no local com mais quatro surfistas, além dos nossos, que com a chegada de mais dois brasileiros e um ozzy, Adriano, Michel e Terry, totalizamos umas 15 cabeças.

A praia era comprida, mas a galera quis ficar perto dos barcos e ficamos todos meio amontoados. Mas tudo na tranquilidade, pois não parava de bombar onda e neste quesito era bom para o Borghi poder produzir o material, já que fotografava com a lente “fish eye”, ou então,”ôi de jipe”,como acharem melhor. Vi que o gringo que acabara de chegar  também tinha faro pra tubo.

Adriano tinha disposição e botava pra baixo em uns late take off’s. Em uma dessas, veio uma grande, e quando ele dropou, a onda transformou-se em um quadrado double up. Vi a cena de cima  e deu pra constatar que o cara fora engolido. Nessa o beach break mostrava toda sua potência e duas pranchas foram quebradas ao meio. Por sorte eu havia levado uma extra e os caras acabaram revezando pra não ficarem apenas “chupando dedo”, feito menino “desacalentado”.

Neste dia e nos dois dias seguintes, as ondas ficaram igualmente especiais, cristalinas, tubulares, uma maravilha! A esta altura, já estávamos todos quebrados, nego não aguentava mais nem remar. Mas por incrível que pareça, só o Mister Ribs parecia estar bem na fita, pois o cara não queria sair da água, era o primeiro a entrar e praticamente o último a sair.

Depois seu amigo Luke disse que o cara era daquele jeito mesmo, um atleta, ou seja, não era só por causa dos anti-inflamatórios que estava usando para amenizar a dor. Se bem que os dias foram passando e o problema do cara não deveria ter sido muito sério, pois realmente não deu mais sinal de remada fraca, muito pelo contrário (risos)!

Em uma das manhãs pós-surf no “beachie” (os ozzys chamavam assim o fundo de areia), a esposa de Mario, Michelle (australiana e já fala português fluentemente) reclamara: “Já foi pro Beach Break de novo? A cama acordou cheio de areia!”.

A real era que os “dreads” do rasta acumulavam areia por vários dias e era mais uma “farpa” para as risadas no “Kisorte”.

Depois de alguns dias, eu não aguentava mais surfar, já tava era rezando para entrar um  vento maral. Geralmente você vai para um pico e em dia flat, é descanso. Mas com esse tal de beach break, o que acontece é mais quebradeira, o “caba” fica moído! Só mesmo uma massagem pra dar uma “desemgripada” nos músculos, e isso, até no Surfing Village já tem.

“Kisorte”! Duas irmãs gaúchas, Ana e Dane, cada uma com quase 2 metros de altura, chamadas pelos nativos de coqueiros. Reza feita e atendida, chuva e maral para os próximos dias. Descanso e preparar o material. Separar fotos, semi-editar videos pro Rái Êite 100 tripé (meu programa no canal Woohoo), responder e-mails atrasados…

“Kisorte” agora tem internet boa, rapaz! Dois dias sem surf foram o bastante pra se recuperar e já começar a ficar agoniado. Cadê o próximo swell que não chega?  Chuvas torrenciais à noite e logo depois um sol maroto. Era a chegada do novo swell. Pasti ia subindo, mas mais uma vez rolou um alvoroço para irmos checar o beach break, pois as condições lá poderiam estar épicas. Mas, só pra dar um toque, este beach break é “o beach break”!

Mesmo que só pegasse ondas por lá em toda a trip, não iria achar ruim, pois é um dos  quatro melhores em que já surfei no mundo. A navegação até lá estava ruim e bem difícil, o swell de Sudoeste mostrava sua cara. No caminho iamos checando outros picos, mas o vento não se mostrava bom para eles. Ao chegarmos ao nosso destino, os australianos que haviam ido em outra lancha cerca de meia hora antes, já estavam remando de volta ao barco.

As ondas ficaram grandes e tortas para o pico, já que o swell era misturado. Avistamos o Terry na areia e chegamos a achar que ele tivesse quebrado sua prancha , até que um dos gringos nos falou que ele havia visto um peixe muito grande e pensou ser um tubarão.

A real é que o tal peixe chegou a puxar sua cordinha. Por via das dúvidas, todos voltaram ao barco e Terry ainda estava na beira relutante em entrar de novo. Como tinha swell ali, o conhecimento do “capitão” Mario nos levou, segundo “eles”, à melhor onda da Sumatra.

Não estávamos dando nada pela onda , até que uma série entrou depois de 20 minutos de espera vendo o pico. “Lado Lado” chama-se aquela “coisa” linda. Não acreditamos no visual quando vimos a onda de outro ângulo. O Mister “Pôulo” foi logo entrando na água  e avisando: “Galera, tem um surf!”.

De difícil colocação, perdemos a primeira série, porém, na segunda, já dropei atrasado devido ao terral e caí dentro do tubo. Passei bem por dentro e segui dando umas duas rasgadas. Caramba, que onda maravilhosa! Phelipe “Pêagá” veio na de trás, Michel “Jundiaí” na seguinte, e, na última, Paulo.

Aliás, esse, com bom conhecimento do pico, também pegou um belo tubo. Quando ele saiu, já fui falando “Agora eu sei, esta é a onda predileta do Mister Pôulo!”. O Mario já pulou do barco e seguiu se posicionando mas pra dentro do pico. Na primeira, botou pra baixo e entubou. “Nada como conhecer o local”, pensei.

Até então, estávamos nas esquerdas e o Raul surfando as direitas, que pareciam mais curtas e cheias. Quando perguntei a ele se estavam vindo umas direitas boas, ele falou “Sim, até que elas estão rendendo”. Neste momento vi que uma da série saiu um spray. Ôpa, será que tá rendendo? Na próxima série eu me encontrava no meio do pico, porém visava ir pra esquerda quando de uma hora pra outra resolvi olhar pra direita.

Em uma fração de segundos, dropei atrasado e, esticado, fui passando por baixo da placa que ia me cobrindo. Dei umas duas aceleradas e saí limpo mais adiante. Sem dúvida havia sido um tubo profundo e uma manhã memorável pra mim, pois aquela onda realmente era especial.

 

Por sorte, os gringos decidiram surfar uma outra onda logo ao lado, porém não conseguiram ver o potencial das ondas que estávamos surfando. Mas sei que eles também se divertiram na bancada rasa de Rahassia, pois caso tivessem optado por Lado-Lado, o surf não teria sido tão proveitoso.

De cabeça feita, Pasti prometia para o fim de tarde, minha última session na ilha. Um barco  de fora apareceu e alguns surfistas vieram conferir o pico, o que de fato deixou a onda mais concorrida. Séries de 1 metro servidas vinham com certa constância, mas decidi surfar ao lado de Mario em Loban. Foram bons tubos até que decidi esticar até Pasti.

Cheguei bem na hora da série e perguntei à galera que já esperava na fila se eu poderia ir na primeira, até porque a onda entrou perfeita onde eu estava. Nego gritou “Vai, Fia”, e eu fui. Radicalizei demais em minha segunda manobra e, mesmo completando com controle, perdi a seção seguinte.

Fiquei vendo várias outras ondas boas vindo atrás. Hora era André, hora Adriano e em outra quem? Mister Ribs! Na última da série veio Raphael, porém a onda fechou pra ele e eu me encontrava em posicionamento perfeito. Tirei a sorte, pois a onda já veio rodando e passei o “Tercerá” por dentro do tubo.

Borghi havia perdido a foto, pois estava em Loban. Depois desta, voltei feliz pra lá e ficamos produzindo as fotos até o escurecer, até porque a lua  cheia dava um tom a mais ao cenário e o “flash” disparava a todo momento.

Sem dúvida vários outros tubos foram surfados e à noite só confraternização da galera. Bintangs geladas e muitas histórias dos dias no Kisorte. “Ya’ahowu”!

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    Gabriel Medina ficou com o vice-campeonato do MEO Rip Curl Pro Portugal 2026. Em uma final emocionante nesta sexta-feira (23), em Supertubos, Peniche, o norte-americano Griffin Colapinto conseguiu a virada na reta final da bateria e conquistou o título por 17.60 (9.43 + 8.17) a 16.77 (8.57 + 8.20). O tricampeão mundial brasileiro fez uma grande apresentação nas ondas portuguesas, com tubos profundos e aéreos que levaram ao delírio o público presente na praia. Medina chegou a liderar a decisão, mas viu Colapinto encontrar a melhor onda da final nos minutos finais e ficou a apenas 0.83 ponto do título. Final de alto nível em Supertubos A decisão começou em ritmo acelerado. Colapinto abriu a disputa com um tubo avaliado em 8.17, enquanto Medina respondeu com 7.67. O norte-americano ampliou a vantagem com mais uma boa onda, de 7.57, mas o brasileiro encontrou um tubo profundo, recebeu 8.20 e assumiu a liderança. A disputa ganhou ainda mais intensidade quando Medina completou outra esquerda de qualidade e arrancou 8.57 dos juízes, elevando seu somatório para 16.77. A vitória parecia próxima, mas Colapinto ainda tinha uma resposta. Na reta final, o norte-americano encontrou uma esquerda longa e pesada, percorreu o tubo e conseguiu sair com controle. A onda recebeu 9.43, maior nota da decisão, e colocou Colapinto novamente na frente, com 17.60 pontos. Medina passou a precisar de 9.04 para recuperar a liderança, mas não encontrou outra oportunidade até o término da bateria. Foi o terceiro vice-campeonato do brasileiro na temporada, depois das decisões em Margaret River e Fiji. Sua última vitória em uma etapa do Championship Tour aconteceu em abril de 2023, justamente em Margaret River, na Austrália. Colapinto, por sua vez, conquistou seu terceiro título em Peniche, onde também havia vencido em 2022 e 2024. “É a realização de um sonho. Como estavam boas as ondas lá fora! A batalha com Gabriel foi surreal. Ficamos alternando a liderança daquele jeito e eu me lembrei dos tempos de Andy Irons e Kelly Slater. Cresci assistindo àquela geração e sempre esperei poder viver algo assim um dia. Senti que essa bateria foi desse nível. Portugal tem um lugar muito especial no meu coração. Foi um sonho repetir o feito do meu irmão, que venceu em Ericeira. Quando Crosby conquistou aquela vitória, percebi que precisava me concentrar de verdade, e ele me inspirou muito. O universo esteve do meu lado nesta semana. Parecia que as coisas estavam dando certo para mim, mas isso também é resultado de todo o trabalho duro nos bastidores e de tudo o que faço diariamente. Sou muito grato”, diz Griffin Colapinto. Medina supera Italo na semifinal Antes da decisão, Medina enfrentou Italo Ferreira em um duelo brasileiro que reuniu dois campeões mundiais. Com condições difíceis em Supertubos, Italo começou melhor e chegou a abrir vantagem, mas o tricampeão encontrou uma onda decisiva. Medina encaixou um tubo seguido de uma manobra aérea, recebeu 8.17 e virou o confronto. Com 11.67 pontos, superou os 10.10 de Italo e garantiu presença em sua terceira final da temporada. Na outra semifinal, Yago Dora acabou eliminado por Griffin Colapinto. O líder do ranking somou 8.83 pontos, contra 14.33 do norte-americano. Durante a bateria, Yago sofreu uma queda e precisou sair do mar para trocar a prancha, perdendo tempo importante na tentativa de reação. Com os resultados, Medina terminou como vice-campeão, enquanto Italo e Yago dividiram a terceira posição na etapa portuguesa. “É sempre divertido competir aqui. É uma onda muito divertida de surfar. Fazer uma final com Griffin foi especial. Ele é um surfista incrível e tem sido muito legal acompanhar sua evolução. Ele me inspira a me esforçar ainda mais, e estou aqui para fazer essa galera trabalhar duro! Estou feliz com minha performance e espero ter uma chance em Pipe”, diz Gabriel Medina. Brasileiros seguem na briga pelo título Apesar da derrota na decisão, Medina ganhou uma posição no ranking mundial e passou a ocupar o quarto lugar, com 43.210 pontos, ultrapassando Miguel Pupo. Yago Dora permanece na liderança, com 48.865 pontos, seguido por Italo Ferreira, com 46.015. Campeão em Peniche, Griffin Colapinto subiu para a terceira posição, com 43.695 pontos. Miguel Pupo completa os cinco primeiros, com 42.770. A diferença entre os principais candidatos mantém a disputa aberta nas duas últimas etapas da temporada. Em 2026, o título mundial será definido pela pontuação acumulada ao longo do Championship Tour, sem uma final em formato de mata-mata. Molly Picklum vence no feminino Entre as mulheres, a australiana Molly Picklum conquistou sua primeira vitória da temporada ao superar a norte-americana Caitlin Simmers por 13.33 a 12.84 na final em Supertubos. Atual campeã mundial, Picklum somou notas 7.83 e 5.50 para garantir o título e assumir a liderança do ranking feminino, ultrapassando Carissa Moore. Próxima parada: Filipinas O Championship Tour segue agora para Cloud 9, na ilha de Siargao, nas Filipinas, com janela de competição entre 31 de outubro e 10 de novembro. Depois da estreia filipina no calendário, a temporada será encerrada em Pipeline, no Havaí, onde serão definidos os campeões mundiais de 2026. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30

    Gabriel Medina perde de virada para Griffin Colapinto e termina com o segundo lugar no MEO Rip Curl Pro Portugal 2026, etapa portuguesa do Circuito Mundial da WSL.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.