A cada dia que surfamos temos um aprendizado, principalmente nos dias grandes e de intenso crowd.
Com o crescimento desordenado do esporte, passou-se a se ver de tudo nos picos mais freqüentados das grandes cidades.
Com tribos diferentes e níveis diferentes de surfe, é mais do que comum acontecer algumas desavenças e desentendimentos. Porém, não podemos esquecer que surf é relax.
No bom português, surfar pra relaxar. Através da produção de endorfina, temos que saber canalizar tanta energia acumulada no dia-a-dia estressante da selva de pedra.
Salvador é uma grande cidade com muitos picos para o surfe e mais surfistas ainda.
Na última sexta-feira de Páscoa, com swell de Sul na cidade, feriadão, conclusão, às 7 e meia da manhã já havia 50 surfistas no famoso pico do Aleluia.
Parecia uma grande família reunida para festejar o presente dado por Netuno e Iemanjá naqueles dias. Porém, as ondas estavam boas e ninguém queria perder as melhores.
Aí começaram os desentendimentos familiares, com esquecimento de que era Páscoa, época de paz, harmonia e união. Alguns mostraram-se bastante estressados. Outros se achavam donos do pedaço.
Enfim, uma babilônia, um pandemônio. Acho que temos que voltar aos primórdios: se ainda não sabe surfar, pegue as intermediarias, ou na espuma; respeito em primeiro lugar, não conhece seu irmão surfista, procure saber com quem você esta gritando e, por último, pranchinha não deve disputar remada com longboard.
Precisamos mesmo de um pouco de bom senso, noção de segurança, noções de respeito, de ética e, é claro, educação. Quem sabe algo como um curso de direção defensiva diminuiria os riscos de acidentes no mar, devemos pensar nisso, incluindo princípios éticos no mar.
A dica que dou é fazer como um sábio, espírita, advogado amigo meu ? o grande João Nova. Ele surfa pra relaxar. Não gosta de crowd e só surfa onde tem pouca gente ou ninguém.
Ele não compete, mas vai prestigiar e em respeito ao feras. Outra dica: se não sabe se comportar em comunidade, faça terapia de grupo!
Guga Moreira dá aulas de surf em Salvador (Acasurf), e é campeão baiano de Longboard 2006, nas categorias Clássico e Super Master.
