Depois de uma semana de surf na água doce na Inglaterra, pegamos um avião de Birmingham direto para Biarritz, França.
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Nosso destino era San Sebastian, País Basco. Para quem não sabe, existe um conflito na Espanha e Sul da França.
Toda a região que segue de Biarritz até os arredores de Mundaka, é considerado como território Basco. E não espanhol ou francês.
Lá originou-se o ETA, grupo radical em favor da libertação da região. Uma história muito complexa para escrever agora.
Além da língua espanhola e francesa, também se fala o Euskera, por se tratar do Euskadi Country. Tanto é que existem canais de TV e outras mídias que seguem fieis a origem daquela região.
Com ideais tão resistentes, seguimos com a nossa missão de encontrar com o brasileiro agora residente de San Sebastian, Rodrigo Alan.
Alan é criador dos métodos surf indoor e ower surf. Ele foi a Europa para tentar um reconhecimento não recebido no Brasil, assim como muitos outros profissionais.
No pico de La Zurriola, começou a trabalhar na Pukas Surf Shop como instrutor de surf e logo foi apresentando as novidades para a família mais tradicional do surf europeu.
A revolução então começou! O power surf, método em que os movimentos do surf são praticados fora da água é uma conjunção de yoga, pilates, ginástica natural, alongamentos, visualização, entre outros, se encontram para que os movimentos se alinhem numa melhor performance e controle de seus sentimentos e performances sob a prancha.
Técnicas que uso para me manter na onda mais longa do mundo e que fazem muita diferença nos atletas de alta performance. Na Austrália o brasileiro levou sua teoria aos aussies, que também utilizam de sistemas similares. Ficamos instalados na casa de Rodrigo e outro parceiro das antigas, Fábio Schilipack, chefe de cozinha, fotógrafo e pai de família.
O intuito em San Sebastian era divulgar a pororoca, realizar e aprimorar treinos, além de salgar a sobrancelha, que ainda estava doce e com lama!
Nessa região existem muitas opções de surf, para todos os gostos. Mas as melhores ondas na minha opinião estavam em Hossegor, La Piste, Le Cavaliers, Laftenia, Guethari, entre outros picos do lado Francês, que não levava mais que uma hora de carro.
Já na praia de La Zurriola, boas ondas se formavam também, mas o ouro apareceu nos picos mais ao Sul de San Sebastian: Zarautz, Orio, Roca Puta, Mundaka, Gijon (Astúrias) e por aí vai.
Nas vésperas do WT em Hossegor pegamos condições épicas e com vários tops treinando nos cilindros do melhor beach break do mundo.
Estava junto com Felipe Baiano e Malloy, outros dois brasileiros que vivem em San Sebastian. Felipe é da Bahia e surfa muito bem, tanto que já venceu vários campeonatos na região e conhece todas as movimentações do swell e vento do lugar.
Assim pegamos ondas de beach break e point break, lavando a alma. Paralelo ao surf tive o prazer de conhecer a fábrica e sede da Pukas, junto com Miguel, principal mentor e líder da família Pukas.
Em uma parceria realizamos troca de informações, divulgamos os treinos em parceria com a Gracie Barra Jiu Jitsu, do professor Gustavo Henrique, e realizamos o lançamento oficial do Power Surf na Europa, com direito a mídia televisiva e impressa (confira nos links Serginho Laus Brasildarra e Serginho Laus Surflari). Até que o portunhol se saiu bem (risos).
Da Espanha para a França, da França para a Espanha, sempre no charme do surf europeu. Vinhos de € 2 e queijos todas as noites. Maravilha! Quando minha esposa chegou partimos para Portugal, onde João Valente, editor da revista Surf Portugal, estava nos esperando para organizar mais uma expedição rumo à selva, além de reencontrar com amigos portugueses que fiz em 2006 na pororoca.
De trem pra cima e pra baixo, chegamos na casa de Miguel Ruivo, um dos principais surfistas de Portugal, ex-competidor, big rider e agora team manager da Lighting Bolt Portugal. Do lado estávamos com Manoel Dantas, outro surfista de alma, quando chegamos ele havia acabado de ganhar uma regata que avistamos ao conferir as ondas do point break de São Pedro de Estoril.
Chegamos com o final do swell e não pudemos pegar condições clássicas, mas com certeza sentimos as inúmeras condições que a região oferece. Ainda mais estando com os principais personagens do surf português.
Para poder ir embora, fizemos uma visita clássica na redação da Surf Portugal, lembramos de bons momentos e demos boas risadas. Com a alma renovada foi hora de partir! Pena que no aeroporto de Portugal, por um descuido, fomos furtados.
Levaram o certificado do Guinness Book! Com certeza deve estar decorando algum lar de um espertão. Longas ondas e Auera Auara!
Agradecimentos especiais: Sumatra Surf, Goofy, Ogio, Pranchas TBC, Outdo, Rodrigo Alan, Fábio Schilipack e família, Família Pukas, Felipe Baiano, Iñaki Beloti, João Valente e sua família, Miguel Ruivo, Manoel Dantas, Vera Lúcia, Ana Carolina e Likoska.
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