#O jovem australiano Joel ?Parko? Parkinson, 20 anos, começou o ano de 2002 com o pé direito ao vencer a primeira etapa do circuito mundial WCT, encerrada semana passada em Snnaper Rocks, na Gold Coast australiana.
O bicampeão Mundial Junior mais uma vez mostrou seu potencial em ondas perfeitas para a direita e, surfando em casa, derrotou a caminho da vitória o hexacampeão mundial Kelly Salter em uma final antecipada, mostrando todo o seu know-how em uma de suas ondas favoritas. O norte-americano e vice-campeão mundial de 2001 Cory Lopez terminou em segundo.
Os brasileiros decepcionaram dessa vez e nossos melhores resultados foram os 17o lugares do Fábio Gouveia e Peterson Rosa, incluindo um estranho WO de Teco Padaratz. Não existe regra, nem adianta buscar um porque, mas as derrotas em massa na primeira etapa do circuito podem ser um indicador de falta de preparo para este começo de ano.
Talvez tenha sido também falta de treino no local da competição, pois os brasileiros chegam muito em cima da hora ao local do evento, enquanto os australianos vão direto do Hawaii e ficam treinando em dezenas de point-breaks para a direita.
Joel Parkinson faz parte de uma nova geração australiana que inclui Mick Fanning, Zane Harrison e Dean Morrison. Ele tem no seu currículo vitórias impressionantes, como no WCT de Jeffrey?s Bay, em 99, aos 18 anos, e como Wild Card. Ganhou também no mesmo ano seu primeiro título mundial júnior, nas direitas perfeitas de Honolua Bay, em Maui no Hawaii. Em 98, ainda com 17 anos, Joel ganhou em Bali o Mundialito, devido a uma interferência do brasileiro Marco Polo.
Paulo Moura, que acabou em segundo, e Zane Harrisson em quarto completaram a final. A equipe brasileira ainda contava com o campeão Mundial Junior de 2000 Pedro Henrique, Raoni Monteiro, que ganhou a categoria 16 anos, e Bruno Santos, quinto colocado no último Mundial Junior da ASP, na Austrália.
Não quero fazer comparações, mas fora o Paulo Moura a nova geração brasileira parece dividida entre se dedicar ao circuito mundial e ficar disputando os circuitos profissionais internos, ou então virar ?soul surfer?.
Para fazer parte da elite do WCT tem que se dedicar por inteiro às etapas do WQS, viajar muito e treinar antes dos campeonatos no local das competições e, de preferência, ser solteiro.
Nossa renovação está lenta e fora o Paulo Moura e Marcelo Nunes, os outros são veteranos. Cadê o Marcondes Rocha, Bernardo Pigmeu, Marco Polo, Raoni Monteiro, Danilo Grilo entre outros? Não adianta ir bem só nas etapas do WQS Brasil, tem que seguir o circuito por dois anos a fio para ter chances de classificação. É pegar ou largar.