Paradoxo da prancha de bodyboard

Começo me desculpando pela ausência de atualizações na coluna Shape Room. Aproveito para agradecer os emails e contatos recebidos. Também pela fidelidade e força de todos.

 

Fazendo gancho na última coluna – Bodyboard paradoxo do surfe? – dou continuidade e mando a parte 2. Na primeira parte, disse que reservaria espaço em uma próxima coluna pra falar sobre pranchas, que sempre serão minha grande paixão.

 

Vencido o primeiro paradigma – de que somos surfistas, pois surfamos, partimos para o

segundo, que é na sua essência o que nos transformou em surfistas especiais com sobrenome, bodyboarders.

 

Tá difícil entender?! Quebrar mais esse paradigma?!

 

Se você é bodyboarder, conhece um pouco da história do nosso esporte, conhece alguns nomes importantes, olha no espelho e se encara como tal. Sabe que não viemos para fazer o óbvio – que seria corresponder ao atual paradoxo – enfim, somos pegadores de ondas. Concordam?

Há um ano atrás, estava em processo de pesquisa de novos materiais e designs para a Kung Bodyboards. Meu foco nesse momento era custom boards, ou seja, pranchas sob encomenda.

 

No desenvolvimento, viajei e contatei diversos shapers, que como eu, percebiam uma nova mudança na indústria do esporte. Surgiu então a necessidade de transmitir essa feliz e oportuna mudança. Era tempo de mostrar aos bodyboarders, a diferença entre um bodyboard e uma prancha de bodyboard.

 

Paralelo à constatação, os bodyboarders procuravam, cada vez mais, pranchas adequadas as suas características físicas e experiência nas ondas. A máxima da filosofia da indústria de BB, de que basta produzir algo e colocar o nome de um atleta campeão é o suficiente para vender, estava minguando.

 

Bodyboarders percebem que para surfar é necessário uma prancha. Pra pegar onda, qualquer objeto vale, seja uma madeira, um isopor e até mesmo um bodyboard. Pra surfar você tem que ter uma prancha de bodyboard, desenvolvida e feita por um shaper. Assim, como o surfista, o bodyboarder está percebendo essa diferença.

 

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Sou apoiador das atletas Gaby Gouveia e Xandinha, atuais líderes do circuito feminino Kpaloa Musas do Bodyboard, pude demonstrar e ter como resposta, com suas conquistas, o retorno que essa parceria shaper e bodyboarder pode ter. Foi assim, no passado, e agora, sem intermediários, o retorno é ainda maior.

 

Traçando um paralelo, para o surf pegar onda você aprende com um softboard, mas surfar tem que ser com uma prancha de surfe.

 

Para o bodyboard pegar onda você aprende com um bodyboard, mas para surfar, só com uma prancha de bodyboard.

Agora, só relatos da vida cotidiana pode dar vida ao que estou escrevendo. Aproveito pra dividir com vocês o que um cliente recentemente nos transmitiu:

 

“Luis caminhava a passos largos entre o “corre-corre” do shopping, ansioso e um pouco ofegante, se dirigia a surf shop de sua preferência onde havia reservado uma cordinha com o vendedor e gerente que eram seus “brothers”.
 
Levava consigo a prancha que havia encomendado e recebido no dia anterior pelo correio.

 

Ao chegar à loja, o espanto dos “brothers”: “Que bodyboard é esse, Luis?!” Afinal, achavam que tinha reservado a cordinha apenas para repor a antiga que havia se rompido.

 

“Bodyboard não, Prancha de Bodyboard!!” afirmou com eloqüência. “Aliás, feita pelo meu shaper e de acordo com as minhas especificações e preferências!”

 

Os “brothers” piraram…

 

“Pó pára!! Como é que é?! Prancha de bodyboard?! Shaper?!” questionando e pegando aquela “prancha” diferente. 

 

É isso mesmo, o diálogo acima aconteceu de verdade. Aliás tem sido uma constante esse tipo de situação na minha carreira como shaper e profissional do esporte.
                            

Diante do que acontece nos dias de hoje, é fantástico promover pioneirismo com mais essa nova tendência.

 

Quando um bodyboarder percebe a diferença e promove mudanças, está ajudando o esporte a ganhar o espaço que merece na sociedade e no mercado.

 

Mas afinal, o que o diálogo acima nos ensina e transmite de verdade como fator para se promover a mudança?

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A diferença entre bodyboard e prancha de bodyboard começa em nossas origens, quando Tom Morey inventou a prancha que daria um novo significado a maneira de se surfar. Tom é surfista e, como tal shapeou sua prancha, sua prancha de bodyboard.

 

Mais tarde, a Morey foi vendida a uma mega indústria de brinquedos, a invenção popularizou e deu nome ao esporte. Do equivocado nome do esporte – Morey Boogie – corrigido pela história, até os dias de hoje restaram os bodyboards.

 

Para identificá-los basta ver a embalagem, contém fotos coloridas de praticantes pegando

onda e tudo mais que possa lhe atrair. E fazendo a inevitável comparação, existe foto de surfista pegando onda na embalagem da prancha de surfe?

 

O vendedor de uma surfshop vende uma prancha de surf pelo design, acabamento, adequação, materiais, peso, altura, tipo de onda, etc. Bodyboard é vendido pela marca conhecida, sua embalagem, materiais quando assim é necessário, pois logicamente o consumidor está mais preocupado com preço do que com desempenho.

 

Mas se o bodyboarder, procurar por uma prancha que atenda as mesmas necessidades que um surfista procura ao encomendar a sua pranchinha? Você vai encontrar? 
 

A prancha de surf sempre foi idealizada e é, em sua grande maioria, feita por surfistas. A esse cara dá-se o nome de shaper. Ele define a forma de como sua prancha será. 

 

Pelo conhecimento, experiência e habilidade e, principalmente pela troca de informações com seu cliente, consegue chegar ao seu desejo mais próximo. A prancha mágica.
 
O bodyboard é produzido por uma fábrica e por seus funcionários, na maioria dos casos, não praticantes e que pouco entendem a finalidade do que estão produzindo.

 

Uma prancha de bodyboard é produzida por um shaper e por seus backshapers, sabem qual a finalidade, público e cliente que aquela prancha está sendo feita.

 

Essa é a grande diferença e pode tirar o bodyboard da ala de brinquedos e transformá-lo em verdadeiro esporte. Tá com saudade do futuro?

 

Nos vemos na água!

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