#A série de artigos sobre sexo, drogas e rock?n roll na revista Surfer foi, se longe de brilhante, muito bem-vinda. Sam George sabe do que fala e escreve, mas peca por considera-se um ?guru da tribo?, como declarou em entrevista para TV brasileira em 98.
Não somos tribo coisa nenhuma e, se existe um guru no meio, deve ser o John Severson para turma dos mais de 30, ou o Ozzie Wright para quem chegou agora na festa e perdeu o parabens à voce.
Na minha opinião ? nota do autor – opinião é como bunda: cada um tem a sua ? o surf-jornalista que mais vale a pena é o caolho Derek Hynd, que enxerga mais longe do que a cega maioria.
Dava um dedo do pé pra ver um debate sério envolvendo o Cadilhe, Hynd, Glen Henning, Curren, Kidman, Drew Kampion e Timothy Leary sobre o tema abordado pela Surfer.
Caprichei na escolha dos debatedores e logo incluí o doidão Leary na lista pra não correr o risco de amputação.
Curiosamente, dois dos camaradas que melhor expressam o surfe em letras tem problemas com a visão: Hynd e Cadilhe.
Em recente entrevista ao Surfers Journal, Hynd disseca o pequeno mundo do surfe com acidez rara nos observadores ditos especializados. Fundador do estilo seco e direto na análise dos top 44, antigos top 30, da ASP, polemizava mínimos detalhes como a libido furiosa que atrapalhava a campanha de determinados surfistas e atentava até pro jeito que o sujeito escolhia suas pranchas.
Foi o primeiro ?insider? no legítimo sentido do termo a conversar em alto nível sobre a vida no circuito. Vitórias, derrotas, injustiças, roubalheira, favorecimento, panelas, peconceito, medo, quiver, sanidade e finalmente, desempenho, ou ?performance?, como escrevem na língua-mãe do ?World Tour?.
Uma noção muito clara de história, do surfe e fora dele, aumentava o conteúdo das suas interpretações.
E agora, orfão de analistas competentes, me vem mais essa da Surfer?
Os TOP 44 2002 (segundo Ross Garret) Já contaram pra vocês que as duas maiores revistas do mundo pertencem ao mesmo grupo editorial?
Os gigantes da Primedia, que publicam hoje, segundo seu saite, nada menos do que 47 revistas com contentos ?automotivos?, três importantes publicações sobre armas (Guns & Ammo, Handguns e Shotgun News) e ainda, dois mimos para os colecionadores de bonecas e ursos de pelúcia, Dolls e Teddy bear.
No mesmo balaio, estão a Surfer e a Surfing, rivais por mais de 30 anos, ironicamente dividindo o mesmo espaço corporativo. Coisas do tal progresso e dessa globalização da miséria humana.
O editor da Surfing hoje era o editor da Surfer dois anos atrás. Ou seria ao contrário ?
Enfim, ia falar da nova revelação da crítica no vasto e cada vez mais aberto mundo do surfe: um camarada, que me dizem jovem, Ross Garret.
Não o conheço mas, de imediato, simpatizei com sua sinceridade, se fosse honesto daria um grande jornalista.
Parece-me que o garoto tem alguma coisa pessoal com os brasileiros ? sempre nos parece.
Seu Garret destila certa crueldade contra Peterson, Vitinho e Herdy, sem contar com a maldade sobre Teco.
#?Worst rep on tour?, traduzido, mais ou menos, pior reputação no circuito, definição de Peterson Rosa, segundo seu Garret.
Passei a noite em claro pensando nisso.
O que o americanozinho assustado queria dizer com isso ? Que o Bronco intimida os fru-fruzinhos entalcados ?
Agora me conta, Ross, e o Sunny ? Um doce?
Sim, um amor de pessoa, ?doesn’t take losing well?, assim como: não lhe agrada muito perder. Bem melhor do que ?pior reputação do circuito?, concordam ?
Mas, como me confessou outro jornalista americano, ?se eu morasse tão perto e tivesse que ir todo ano ao Hawaii, talvez pensasse 18 vezes antes de falar um ?ai? dos havaianos?.
Vitinho é o menor cara do WCT, segundo nosso amiguinho Ross Garret.
Essa me lembrou os bons tempos da imprensa tropical, quando o editor da Fluir, Phelipe Zombaran, em rasgo de brilhantismo, descreveu um surfista do primeiro time da seguinte maneira: ?Alto, forte e boa-pinta. Fala bem inglês??
Parecia anúncio de garoto de programa ? não era.
41. Victor Ribas, 30 ?Grasshopper?
Se não me engano, nem o dicionário, o infeliz Garret chamou o cabo-friense de gafanhoto onde deveria se ler, todo mundo sabe, Vitinho.
A apresentação começa com a colocação do camarada, 41#, depois vem o nome, idade e apelido ? esclareço.
Talvez seu Garret tivesse a intenção de ser engraçado, errou o alvo e foi ofensivo.
Do Flavio Padaratz ele acerta o apelido, mas erra na análise.
Disse que Teco é mortadela e o que os juízes querem mesmo é salmão defumado, ou pior, peru defumado ? que gosto terrível, dos americanos.
Shea Lopez, nesse caso, seria facilmente ?spam?, ou apresuntado.
A matéria descamba pra gastronomia quando Ross usa a metáfora pra nos dizer que na ?nova técnica?, novo sistema, quem não voa, dança.
E voar é o que importa.
Pouco importa o quanto Cory Lopez abra sua base paquidérmica, o negócio é decolar.
Quando se trata de um compatriota meu, o estilo conta e mais uma vez seu Garret espeta: Guilherme Herdy tem um estilo muito feio, parece que surfa de base trocada porque coloca o estrepe no pé da frente.
Vamos falar de estilos feios ? tenho duas palavras: Hob e good.
Tem uma tia do Recife que disse que os gêmeos parecem macacos se coçando cada vez que acenam com os braços esvoaçantes para os céus.
Cijay cava e rasga, e de quebra dá uma cheiradinha no sovaco, como esses micos de realejo coçando as pulgas.
Para Gouvêia, sobra a gracinha de compará-lo com o Windows 96, enquanto os outros novatos do WCT são XP.
Nessa, por obra do acaso, seu Garret acertou: não existe a versão 96 do sistema operacional Windows.
Assim como não há um único surfista com a elegância de Fabinho no circuito, o que levou outro jornalista, Nick Carrol, a afirmar que o brasileiro é o surfista que mais se aperfeiçoou na excelência de Curren, ao escrever sobre os primeiros dias do WCT de Bell?s em 2002.
A ?Bíblia? do esporte comete mais uma de suas heresias.