
Antes de prestigiar a primeira etapa do circuito brasileiro de surf na pororoca, de 28 a 31 de março na ilha do Marajó, tive a oportunidade de conhecer Belém, capital do Pará.
Lá, eu e o cearense Adilton Mariano fomos convidados por Noélio Sobrinho e César Souto, o “Bacurau”, para ir ao litoral visitar a cidade de Salinópolis, mais conhecida como Salinas, situada a 220 quilômetros da capital.
Salinas possui um clima agradável, belezas naturais e muita tranqüilidade. Sabia que lá tinha ondas, mas não imaginava que a qualidade era tão boa.

Durante os três dias em que estivemos por lá (24 a 26/3), surfamos ondas de até 1 metro e boa formação na praia do Atalaia, inclusive com alguns tubos fazendo a cabeça da galera.
A melhor época para o surf é entre os meses de novembro e março, quando as ondulaçoes de Norte e Nordeste invadem a região com freqüência.
Cerca de 10 locais caem no pico diariamente. No fim de semana o crowd aumenta, pois a galera de Belém chega na fissura para pegar as ondas.
Os surfistas das antigas sempre marcam presença no Atalaia e possuem apelidos bastante engraçados, como Beto “Urubu”, Gérson “Lombrinha”, César “Bacurau”, George “Morcego”, Orlando “Tapuru”, “Sílvio Santos” e Denis “Nosferatus”.
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Além das boas ondas, outra coisa que me impressionou foi a variação da maré. Quando ela enche, chega a avançar uns 600 metros.
Na maré seca, as ondas cavadas proporcionam manobras fortes e bons tubos. A maré cheia oferece uma onda extensa e bem longe da praia.
Outro belo pico de Salinas é a praia do Farol Velho, que lembra a praia do Ronco do Mar, em Paracuru (CE). Segundo os locais, as direitas abrem bastante nos dias clássicos e chegam a cansar as pernas.

O visual na praia do Farol Velho é encantador. Algumas mansões luxuosas fizeram a galera apelidar o local de Beverly Hills.
Gostei do nível de alguns atletas paraenses, principalmente de duas famílias que têm o surf no pé.
De um lado os irmãos Sandro Buguelo, Sérgio Roberto e Júnior Félix. Do outro, Rogério Pingo, Rodrigo Barros e Ricardinho.
Os caras surfam bem. Pena que muitas pessoas no cenário nacional não estão nem aí para o que acontece no Norte / Nordeste do Brasil. Um dia esse quadro muda.
Acredito que Salinas tem plenas condições de abrigar uma competição nacional. Além de ótimas ondas no verão, o munícipio possui boa infra-estrutura.
Se alguém reclamar da distância do Pará, os caras já têm a resposta na ponta da língua. “As competições realizadas no Sul também ficam longe pra gente”, argumenta o talentoso local Sandro Rogério, mais conhecido como Buguelo.
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