Chantalla Furlanetto

Palavras calientes

Sim. Chantalla Furlanetto é a bela do surf. Não há como fugir do que parece até ser um estigma. Mas, ela também não é só isso.


Nas ondas, mostra talento de sobra. Não é só mais uma no crowd. Modelo e profissional do esporte, ganhou espaço na modalidade e é patrocinada pela Onbongo, grande marca brasileira.


E avisa: “As coisas não foram fáceis para mim. Lutei muito para consegur o que tenho”. Quando decidiu viver do surfe, das competições, entrou de cabeça.  


É profissional ao extremo. Concede entrevistas, divulga os seus parceiros e luta para manter uma imagem sadia, imprescindível para atletas que tem por objetivo se fazer valer ante os que apostaram e pagam por seu talento.  


Por trás da beleza, exalta o dinamismo, a alegria e o amor pela família, pelo namorado – o surfista Robson Santos – e pelo Avaí, campeão catarinense de 2012.


Sincera, na entrevista abaixo, “deu a letra” no que se refere ao atual cenário do surf nacional. Falou dos meninos e das meninas, com a desenvoltura de quem espera por dias melhores.


Posicionamento, você vai ler, tem de sobra. Foi firme e segura. Uma tapa de luva para quem acha que beleza, inteligência e talento não podem andar juntos.

 

É muito difícil, no Brasil, ser uma mulher surfista?

Sim. O surf feminino no Brasil está abandonado. Além de não ter campeonatos, as marcas não investem nas meninas. Tem muita menina lutando para continuar vivendo o sonho de ser surfista profissional no Brasil.

 

O surf feminino passa por uma de suas piores fases financeiras. O que precisa melhorar para chegar a um patamar mais profissional?

 

Não é só com o surf feminino que isso está acontecendo. As marcas de surfwear não estão passando por uma má fase financeira, e sim o esporte, que depende totalmente dessas marcas para continuar crescendo. As meninas estão cada vez mais profissionais e com potencial. Acho que o que falta é interesse e investimento das empresas, que ganham muito se dizendo “surfwear”, enquanto o esporte não está ganhando nada! Estamos no meio do ano, e nem tem campeonato feminino profissional no calendário. Isso é uma vergonha.

 

Você acha que estamos perto de tomar de assalto o circuito mundial feminino? Como os meninos estão fazendo no WT e nos WQS?

 

Estamos bem longe disso, porque não depende só de nós. Para você competir na divisão de acesso e no circuito mundial, é necessário muito dinheiro. Trata-se de um circuito muito caro. As marcas nem se interessam nisso no Brasil. As marcas não querem preparar campeãs mundiais! Apesar de o surf masculino estar passando por uma fase semelhante, quando aparece um menino novo, que tem potencial, algumas empresas pegam e o transformam em um atleta de ponta. No surf feminino isso não acontece.

 

No Brasil, temos surfistas com o talento de uma Tininha, Monik Santos… Por que talentos como elas não são procuradas pelas marcas?

 

As duas atletas mencionadas são muito talentosas e é muito triste ver que não há investimento nelas. Eu continuo acreditando que é o desinteresse das marcas e da mídia especializada. O espaço que temos nas revistas é muito pequeno. Você vê uma coluna ou outra nas revistas que aborda o surf feminino, mas é muito pouco, apesar de já ser alguma coisa. Acredito que essas meninas precisam ser vistas.

 

Você é uma das surfistas mais bonitas do Brasil. Sente algum tipo de preconceito no surf por isso?

 

É até legal essa pergunta. Eu imagino que tem gente que fica questionando: por que ela tem isso? Por que ela tem aquilo? Eu posso dizer que as coisas não foram fáceis para mim. E que lutei muito para conquistar o que tenho. A partir do momento em que decidi ser surfista profissional, agi como profissional. Tenho uma boa relação com todos os meus patrocinadores e faço meu trabalho direitinho, mas não foi sempre assim. Eu também enfrentei dificuldades no começo da minha carreira. Tive sorte, sim, mas não tiro o meu mérito. Por mais que não seja a campeã de todos os campeonatos, sempre tentei compensar de outras maneiras.

 

No surf, na sua opinião, ser bonita abre ou fecha as portas?

 

Claro que abre as portas, mas não só a beleza. Tem que ter talento, ser inteligente, ser profissional e ser responsável. Se você tiver um pouco de tudo isso, uma hora as coisas acontecem.

 

Você compete muito, mas me parece tem a vida profissional também ligada ao free surf. O que te dá mais prazer?

 

Eu sou surfista profissional, não sou free surfer. Eu amo competir, mas a maioria das minhas viagens é para treinar e me preparar para minhas competições. Por isso, algumas pessoas podem até pensar que minha profissão é ligada ao free surf. O que sinto quando estou competindo, sei que não vou sentir fazendo qualquer outra coisa. São vários sentimentos envolvidos naqueles 25 minutos de bateria. Sentimentos melhores ainda quando você vence.

 

Pelos seus vídeos, vê-se bem que você não é uma bela menina que surfa, mas uma surfista profissional bela. Como você tem trabalhado esse seu lado técnico?

 

Minha vida é em função ao que faço. Eu surfo e treino bastante na academia. Sou uma pessoa muito magra e perco peso muito fácil. Então, tenho sempre treinar para ganhar massa muscular. Tenho patrocínio de uma academia em Floripa, a Power Fit. E lá eles me dão todo o suporte, para que eu esteja preparada para cada competição. É tudo em função do que eu faço dentro da água e para melhorar, cada vez mais, meu desempenho.

 

Quais os projetos para este ano?

 

Este ano ainda não temos nenhum evento confirmado no Brasil. Então, vou competir as proximas etapas do WQS. E viajar para lugares novos!

 

Fonte Surf Is In The Air

 

Foto de capa Roland Roderjan

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