
No último sábado, recebo um telefonema de Roberto Formiga, produtor do Extreme TV, indagando a potência do swell para domingo e segunda e informei sobre a ”trolha” que se aproximava da nossa costa. Então, ele propôs uma trip de cerca de 12 horas de carro para um secret spot no Rio Grande do Sul. Esse pico se localiza a cerca de três km da costa da Prainha, Torres (RS). Aceitei a nova investida na hora, afinal quem não planta, não colhe.
Meu amigo Roberto Cantoni nos acompanhou na barca e quando nos preparávamos para dormir, o carioca Rodrigo Resende e o fotógrafo Sebastian Rojas chegaram ao Farol Hotel em Torres, onde estávamos hospedados, e integraram a barca.

Na verdade, depois de conhecer o local, notei que falta muito para a tal Ilha dos Lobos se tornar uma ilha, afinal é um monte de rochas com cerca de 30 metros quadrados e não existe possibilidade de nenhum surfista querer subir nas perigosas rochas, sendo que elas são lavadas a todo momento pelas grandes espumas que as varrem durante as séries. Outro detalhe importante é que as ondas quebram bem longe da ”tal ilha” (cerca de 500 metros).
Alguns biólogos defendem a proibição do tow-in no local, afirmando que os jet-skis que frequentaram o pico por três vezes na história nos últimos seis meses podem causar danos aos leões-marinhos que ficam nas pedras quando não há ondas…

A briga irá se arrastar e em toda briga sempre há duas partes e versões da história. Vamos ver o que acontece no futuro.
Nesta segunda de manhã, surfamos altas ondas na companhia dos locais Zeca Sheffer, Fabiano Tissot e Roque. Apareceram também durante a tarde Romeo Bruno, João Capilé, Fabio Boca e Dê da Barra.
As ondas estavam com 10 pés plus e bem pesadas. O preço é alto no local para um vacilo. A bancada é bem rasa e torna as ondas muito potentes, com duas seções bem definidas.
O surfe de remada nesse pico fica inviável, sobretudo com ondulações desse calibre. Já houve tentativas, mas segundo os locais, no pico mesmo da onda a galera só voou lá de cima.
Na minha cabeça fica passando a imagem de diversos locais inóspitos como esse, perdidos no litoral à espera de novos aventureiros… Por enquanto esse é o ”mais grosso” registrado.
Enquanto escrevo essa matéria, Romeo Bruno, Rodrigo Resende, Zeca Sheffer e Fabiano Tissot estão às 23 horas de segunda-feira com os jet-skis no meio do mar, à procura de um surfista que entrou no mar no final de tarde e foi dragado pela forte correnteza.
Os salva-vidas estavam despreparados e, não fosse a coragem e determinação da galera, esse garoto não teria nem como sonhar com ajuda.
Outra, se não estivéssemos com os jet-skis aqui, nada poderia ser feito.
Já são 24 horas e a galera não voltou. Vou colocar a matéria no ar sem saber o final dessa história.
Esse acontecimento me faz lembrar de um caso semelhante no litoral Norte de SP, quando Romeo Bruno e Jorge Pacelli colocaram o jet na água às 21 horas para salvar um rapaz que também havia sido pego pela correnteza, exatamente quando ele já estava sendo atirado em cima de um paredão de pedras.
Os ”brinquedos” (jets), somados à atitude da galera, já salvaram muita gente mundo afora. No Hawaii, então, são inúmeras as histórias.
Amanhã é dia de mais um sessão alucinante, segundo a previsão.
Aloha
Agradecimentos ao Farol Hotel pelo apoio.