#Temos o prazer de apresentar a primeira entrevista publicada na imprensa especializada brasileira com a jovem promessa de São Sebastião Oscar de Souza, depois que ele venceu o Pan-Americano de Surf realizado no ano passado na Argentina. Convidamos nosso amigo Gedeon Gonçalves para falar com ele e produzir a entrevista com o surfista de Juquei. Segundo Gedeon, 13 é o número de sorte do atual campeão pan-americano. Por isso ele formulou 13 perguntas para o garoto destemido por muitos em uma bateria.
Comece falando sobre você.
Tenho 19 anos, nasci em 24/02/80 em São Paulo. Vim para Juquei com 1 ano de idade, estou no último ano do 2º grau, e quase todos os dias acordo às 5 para pescar com meu pai.
Quem são seus patrocinadores?
A Maresia é quem me patrocina nas competições; a Surface fornece meu quiver (geralmente uso 4 pranchas); a ST/Comp paga uma grana mensalmente; uso óculos de sol da Dragon; e a Prefeitura de São Sebastião e Associação de Surf de São Sebastião, que sempre me patrocinaram antes de ter uma empresa me apoiando, até hoje me ajudam quando eu preciso.
Quando e onde começou a surfar e quem te incentivou?
Comecei em Juquei aos 5 anos de idade com incentivo do meu tio Marquinhos, que na época pegava onda
Quando e por quê você começou a competir?
Participei do Circuito Sebastianense em 91 com incentivo do Gugú de Juquei, que na época já era da Equipe de Surf de São Sebastião.
E seus pais? Como foi a participação deles na tua carreira?
No primeiro dia em que você foi à minha casa pedir autorização para que eu entrasse na Equipe de Surf de São Sebastião e participar da 1ª etapa do Circuito Lightning Bolt Paulista, em 92, você convenceu primeiro a minha mãe e, depois de muito xaveco, convenceu meu pai também, afinal eles não se conheciam. Gedeon entendeu a estranheza que meus pais acharam porque ele já era acostumado a ter este tipo de contato com familiares de outros atletas. Eu tinha apenas 11 anos, mas depois dessa primeira vez nos tornamos uma família e eles sempre me incentivaram muito.
Qual foi seu primeiro resultado importante após entrar na Equipe Municipal?
Logo de cara fiquei em 7º lugar na 1ª etapa do Lightning Bolt, mas na 5ª e última etapa fiquei em 2º, e garanti minha vaga na Equipe de São Sebastião para competir em 93. Por isso acho que essa colocação foi importante, porque desde então não saí mais da equipe. Sendo assim, a Prefeitura sempre me bancou até pouco tempo atrás.
Como você se prepara como para as competições? Alguma dieta especial?
Minha alimentação é normal. Só evito comer gordura. A minha preparação é surf, surf e mais surf e os alongamentos que o Gedeon me passa.
#Qual o seu objetivo após tantas vitórias como amador?
Este ano quero competir mais como amador. Estou treinando com o objetivo de me dar bem no Billabong Pro Júnior, o Maresia ISA Games, Circuito Paulista e Brasileiro e algumas etapas do WQS que a Maresia me mandar.
E o Hawai?
Sonho de todos !!! Era para eu ter ido algumas vezes, mas não rolou. Espero que a Maresia me mande o mais breve possível, porque não vejo a hora de dropar as morras. Tenho visto as fotos do meu amigo de infância lá, o Danilo Grillo. Tô devendo um encontro com ele lá no paraíso. Lembro-me de quando nós ainda éramos iniciantes, e durante as viagens que fazíamos na Kombi da Equipe de Surf de São Sebastião com o Flávio Caixa D’água, Gilmar Pulga, Tiago Preto, Tiago Testinha etc, etc e combinávamos de dropar juntos as danadas. Me aguarde, Grillo! Ainda vamos nos divertir lá.
Já passou por algumas roubadas no mar?
Várias, mas as maiores aconteceram fora da água. Vou citar uma: lembro que em 98 eu tinha sido cortado da HD junto com o Edgar Bischoff e o Jojó e, quem tava segurando a minha onda mais uma vez era a Prefeitura de São Sebastião e ASSS – eu e você marcamos uma reunião na Da Hui em São Paulo. Neste dia fui hospitalizado com pedra nos rins e saí do Posto de Saúde de Boiçucanga a poder de remédio, e viajamos contra a vontade do medico. Eu pensava que ia morrer de tanta dor. Fomos recebidos pelo Jibóia e uma garota e o que doeu mais foi a proposta deles: R$ 300 por mês e se eu mandasse bem nas competições eles me mandariam para o Hawaii no final do ano. Como eu poderia me dar bem, se para competir em uma etapa eu gastava de R$ 150 a R$ 180. Se uma empresa grande me pagasse esse valor, será que eu conseguiria complementar com um lojista? Fiquei inseguro de ficar com o logotipo na prancha de uma empresa que não pagaria todas as competições e, é claro, não conseguiria outra por causa da concorrência. Voltei de São Paulo com dores e muito triste com a falta de respeito que passei. Neste mesmo ano, fui campeão paulista com a Prefeitura me bancando e em seguida a Maresia me contratou.
Bem, era pra ter os comentários finais, mas você já o fez. Tem mais?
Se for falar das mancadas de várias pessoas que trabalham com o surf mas não respeitam o esporte, da para escrever um livro. O surf tá longe de chegar nas Olimpíadas. Não é qualquer um que tem um curriculo igual ao meu – venci o Pan-Americano e ninguém da imprensa especializada me procurou e nem teve matéria a respeito. Aqueles “amigos” da imprensa que sempre surfaram ao meu lado aqui em Juquei, não ligaram nem para dar os parabéns. A mídia prefere mostrar os gringos em vez de incentivar o talento brasileiro. Infelizmente ela dá mais valor para o dinheiro do que o incentivo pra nós, que estamos precisando. Quero que todos me desculpem pelo desabafo. Quero agradecer a Waves que foi o único órgão de imprensa que me procurou; meus patrocinadores que tornaram possível minha vitória; à minha família e ao meu técnico e irmão Gedeon Gonçalves, que tem o apoio da diretoria da ASSS e da Prefeitura de São Sebastião para incentivar não só a mim, mas vários atletas de nossa cidade.
Qual é a fórmula para ser um campeão?
Quero dizer que encaro o surf com profissionalismo – quero continuar tendo saúde para sempre ser um vencedor, para isso não uso drogas, me alimento bem e durmo bem. Se alguém quer ser atleta de qualquer esporte, tem que levar uma vida saudável. Desejo muita saúde e boas ondas a todos.
Quais foram os resultados mais expressivos de sua carreira e qual foi aquele que mais te emocionou?
A vitória mais emocionante de minha carreira foi o Pan-Americano que aconteceu na Argentina em dezembro de 99.Venci várias etapas do Circuito Paulista e Brasileiro amadores e gostaria de citar todos os circuitos que venci, porque todos foram difíceis e importantes:
– Campeão do Circuito Sebastianense
– Campeão Internacional em 95 em J. Bay na África do Sul
– Campeão do Festival Nacional 95/SP
– Campeão Circuito Hot Water/Antiqueda 95/SP
– Campeão Circuito Paulista Quicksilver/Bronze Age 95/SP
– Campeão Festival Summer Classic 96/Gjá
– Campeão Circuito Brasileiro Mirim/97
– Campeão Circuito Sthill Paulista Open/98