O surf é um dos poucos esportes do mundo que sobrevive de forma auto-sustentável. Beneficiado por um dos mercados mais ricos economicamente, movimentando bilhões de dólares a cada ano, surfistas e empresas vem ao longo de décadas fomentando uma troca que mantém ativa uma engrenagem poderosa.
Para tornarem-se visíveis de uma forma positiva a um determinado público consumidor, as empresas contratam atletas para que estes levem suas marcas vestidas em seus corpos e estampadas em suas pranchas.
Por sua vez, os surfistas são beneficiados pela tranqüilidade de seguir com suas carreiras respaldados financeiramente, dando-lhes confiança e estabilidade emocional para disputarem as competições e brigarem por resultados expressivos.
Um exemplo recente de que esta sintonia entre marca e surfista funciona muito bem, é o caso do surfista gaúcho Maicon Nunes, que depois de ter sido contratado pela OP (Ocean Pacific) no último mês de maio, deu um salto no seu já qualificado surf e conquistou três campeonatos em seqüência.
Primeiro, Maicon sagrou-se campeão na categoria Open da primeira etapa do Circuito Interassociações do Rio Grande do Sul, logo depois chegou ao lugar mais alto do pódio na edição de abertura da temporada 2007 do Circuito Dellirio Super Series ASTRI.
Na metade do mês de agosto, novamente levantou o troféu de primeiro lugar no Surf Treino que definiu a equipe da cidade de Tramandaí que disputará a segunda etapa do Interassociações.
Segundo Cristiano Figo, treinador do time gaúcho no Circuito Brasileiro de Surf Amador e que há 20 anos exerce um forte trabalho nas categorias de base do estado, a capacidade técnica e emocional dos atletas sofrem um sensível grau de evolução quando recebem o respaldo em forma de patrocínio.
?Ao longo destes 20 anos trabalhando nas categorias de base, pude observar o quanto é importante para o atleta correr os campeonatos com o aval de uma marca. O contrato lhe injeta uma dose cavalar de entusiasmo ao perceber que alguém realmente confia no seu esforço e acredita em seu futuro profissional no surf?, comenta.
?O caso entre a OP e o Maicon Nunes é um destes exemplos onde isso está muito claro. O Maicon é dono de um surf refinado, de estilo gringo, mas surfava enfrentando dificuldades e isso realmente estava atrapalhando o seu desempenho. Foi só a OP, uma marca forte que se confunde com o próprio surf brasileiro acreditar no seu potencial, que os resultados começaram a acontecer?, concluiu.
Para Sidão Tenucci, proprietário da marca e um dos pioneiros no Brasil em eventos de surf patrocinados, como os inesquecíveis OP Pro nos anos 80, esta troca entre marca e atleta é algo muito gratificante.
“Quando o surf começou no Brasil mais fortemente, lá pela década de 60, não haviam campeonatos e muito menos surfistas profissionais. O fato de inúmeros garotos, de norte a sul do país poderem realizar o sonho de viver do surf, atualmente, é um motivo de orgulho para todos na comunidade”, analisa Sidão.
Com as conquistas obtidas após o fechamento de patrocínio pela OP, Maicon é sério candidato a conquistar os títulos da temporada na categoria individual Open do Circuito Interassociações e também no Dellírio Super Series ASTRI, dois dos mais importantes certames do calendário surf do Rio Grande do Sul.
