
O diretor para assuntos humanitários da ONU, Jean Egeland, anunciou hoje que a ONU deu início a maior operação de ajuda humanitária de sua história para prestar assistência às vítimas da tragédia provocada pelo terremoto e pelos maremotos no sudeste da Ásia.
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“Pusemos em prática a maior operação de socorro da história” disse Egeland, secretário-geral adjunto encarregado de assuntos humanitários da Organização das Nações Unidas (ONU), durante uma entrevista à imprensa na sede da entidade. Egeland estimou que “o custo da destruição (provocada pelo tremor) chegará aos milhares de milhões de dólares”.

O cataclismo de 9 graus na escala Richter, que pode se tornar um dos mais catastróficos do último século, provocou uma série de tsunamis – ondas gigantes com até 10 metros de altura -que deixou debaixo d’água milhares de quilômetros de costas em vários países do sudeste asiático.
A Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho informaram hoje que as últimas informações apontam que 23,615 mil pessoas morreram em conseqüência do violento tremor.
O maior número de vítimas foi registrado no Sri Lanka, onde 11 mil pessoas morreram, 1,6 mil estão feridos e inúmeras estão desaparecidas.
Segundo últimos dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), um de cada três mortos é de crianças ou adolescentes. Esse percentual de vítimas menores de idade “deve aumentar gravemente”, segundo comunicado divulgado em Paris, no qual a entidade explica que “as equipes do Unicef na área do oceano Índico estão avaliando os danos” provocados pelo maremoto.
O terremoto que atingiu o sul da Ásia foi o mais forte desde 1964 e o quarto maior desde 1900. A informação é do Serviço de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos (United States Geological Survey, USGS na sigla em inglês).
Os serviços meteorológicos da Índia e do Sri Lanka alertaram hoje para a possibilidade de mais tsunamis atingirem países asiáticos nos próximos dois dias. Segundo especialistas, foram detectados outros tremores próximos à ilha de Sumatra, o que pode gerar ondas semelhantes às ocorridas ontem, porém de menor intensidade.
A expectativa é de que o tamanho das ondas chegue no máximo à metade das que devastaram no domingo áreas costeiras de oito países do sudeste asiático.
Brasileiro descreve o que viu – Meu nome é Guilherme Henrique Hayama e há dois meses estou morando em Medan, Indonésia, em intercâmbio. Medan está situada no norte de Sumatra onde, ontem, ocorreu o terremoto.
Estava dormindo quando senti minha cama tremer. Acordei assustado e fui ver o que estava acontecendo. Saí do meu quarto e olhei pela casa: os lustres estavam balançando muito, as portas rangendo e a água da banheira tremia.
Estava muito assustado pois nunca tinha passado por isso e não sabia ao certo o que era. Só fiquei sabendo do tamanho da catástrofe à noite quando entrei no site do Terra. Eu vi alguma coisa na TV, mais como estou há pouco tempo aqui, não entendo muito. Fiquei aterrorizado.
Hoje, dia 27, na Indonésia, assisti na televisão os estragos em Aceh. Aceh fica algumas horas da minha cidade. Está tudo destruído. Aqui na minha cidade foram registradas mil mortes e, em alguns lugares falta luz.
Não estou entendo muito bem, pois aqui todos estão agindo normalmente, como se nada tivesse acontecido. Penso eu que eles não têm informação do tamanho dessa tragédia. Mas hoje quando passei na frente de um hospital, vi muitos carros, e na cidade vi caminhões e carros da polícia.
Senti a necessidade de contar essa experiência que foi muito assustadora para mim.
A televisão da Indonésia esta informando constantemente os estragos em Aceh. Foi simplesmente horrível. Não sei sobre as previsões do tempo, mas só espero que não aconteça de novo.
Estou aqui desde 23 de outubro. Sou natural de São Paulo, mas atualmente moro em Blumenau (SC) com minha família”.
Governo brasileiro presta assistência – O Ministério das Relações Exteriores colocou à disposição um telefone para passar informações a famílias de brasileiros que moram ou estejam viajando pelos países atingidos: Indonésia, Sri Lanka, Índia, Tailândia, Malásia, Ilhas Maldivas e Bangladesh.
O telefone da Divisão de Assistência e Consulta é (0xx-61) 9976.82.05 e atenderá somente pessoas que buscam informações.
O ministério informou que já está em contato com as embaixadas brasileiras nos países atingidos pelo terremoto de 9 graus na escala Richter, no sudeste da Ásia.
Segundo o órgão, não há como saber o número de brasileiros que estão na região, porque é um local de fluxo muito grande de turismo.
O que é tsunami
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Tsunami é significa “onda de porto” em japonês. Oceanógrafos tratam ondas sísmicas como tsunamis por serem normalmente geradas por aumento ou diminuição súbita de parte da crosta terrestre sob ou perto do oceano.
Ondas tsunami de força menor também podem ocorrer por atividade vulcânica, geralmente no Oceano Pacífico.
Uma tsunami não é uma única onda, mas uma série que percorre o oceano com velocidade acima de 800 quilômetros por hora.
Ao atingir a costa, diminui a velocidade da ondulação. Mas, em contrapartida, aumenta a altura das ondas, podendo alcançar 30 a 50 metros.
Em 1883, tsunami formado depois da erupção do vulcão Krakatoa, entre as ilhas indonésias de Java e Sumatra, matou 36.000 pessoas. A passagem do tsunami foi registrada até no Panamá.
Em julho de 1998, dois terremotos submarinos de magnitude 7,0 criaram três tsunamis que mataram pelo menos 2.100 pessoas perto da cidade de Aitape, na costa norte de Papua Nova Guiné. (Fonte: Tsunami.org)