ONG preserva tartarugas marinhas na Paraíba

Na última terça-feira, depois de quase dois meses de expectativa, 108 filhotes de uma espécie de tartaruga ameaçada de extinção nasceram na praia de Intermares, em Cabedelo.

 

A cena, que vem se tornando comum nos últimos dois anos, poderá não ser mais vista daqui a alguns meses.

 

É que o trabalho de preservação das tartarugas marinhas no litoral da Grande João Pessoa – realizado por um casal de biológos, profissionais e voluntários da comunidade – está ameaçado por falta de apoio e recursos.

 

O litoral paraibano é uma das áreas mais importantes para a reprodução da “tartaruga de pente” (Eretmochelys imbricata) e é em Intermares que vem sendo encontrado o maior número de ninhos.

 

Por causa da ocorrência desse fenômeno, em 2002 os biólogos Douglas Zeppelini e Rita Mascarenhas fundaram a ONG Guajiru Ciência, Educação e Meio Ambiente, com o objetivo de preservar a espécie. Esse trabalho já vinha sendo feito, intuitivamente, há mais de um ano, pelo proprietário de um bar muito frequentado por surfistas.

 

“Eu comecei a cercar os ninhos porque vi uma tartaruga desovar e os filhotes morrerem,  não conseguiram sair do ninho e foram pisoteados pelos banhistas. A partir daí, fiquei sabendo que os filhotes nasciam depois de 56 dias da desova. Quando a ONG foi instalada, me engajei no projeto. Douglas surfava na área e viu os cercados e, como é biólogo, se interessou pela causa”, relata o também surfista e comerciante Waldir Silva Moreira.

 

 

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Segundo o biólogo Douglas Zeppelini, todos os dias uma equipe formada por cerca de 15 pessoas, a maioria voluntários, percorre parte do litoral paraibano (entre as praias de Ponta de Campina e Bessa), procurando rastros de tartarugas e ninhos.

 

“Quando a gente encontra, cerca o local, coloca uma etiqueta com a data da desova e o número do ninho e monitora o local por até 60 dias, quando nascem os filhotes. O período de desova, este ano, começou em setembro e as últimas eclosões devem acontecer em julho próximo”, afirma.

 

A ONG Guajiru não só se preocupa com o nascimento dos filhotes e sua inserção no mar. Os coordenadores e voluntários trabalham na conscientização da comunidade e freqüentadores da praia.

 

Cada nova eclosão de ovos é um motivo para uma palestra, para um alerta. “Há oito espécies de tartarugas marinhas no mundo. Dessas, cinco estão presentes no litoral brasileiro, quatro são encontradas no litoral paraibano. De cada mil filhotes que conseguem nascer e ir para o mar, um ou dois chegam à idade adulta.

 

Essas tartarugas que nasceram aqui são filhas e netas de tartarugas paraibanas, porque elas sempre desovam no local em que nascem, mesmo depois de 40 anos, quando chegam à fase adulta”, explica a bióloga Rita Mascarenhas.

 

A organização coordenada pelos biólogos não têm convênios, nem contratos financeiros com nenhum órgão ou empresa. Ela sobrevive de doações e da dedicação de profissionais e voluntários.

 

O casal de biólogos está na Paraíba fazendo pós-doutorado e sobrevive de bolsa de estudo, que termina em setembro próximo. Quem quiser ser voluntário ou contribuir pode ligar para o telefone (0xx85 9978-0381) ou procurar o Bar do Surfista, em Intermares.

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