#Pegar ondas boas é o sonho de todos os surfistas. Quando o referencial em ondas é o Brasil, não temos a real dimensão do que é considerada uma onda boa.
Quando começamos a viajar e experimentamos ondas grandes e longas, descobrimos que o surf está muito além de nossos beach breaks.
Em alguns casos, a diferença é tão grande que ficamos mais exigentes em relação ao que é uma onda boa.
Isso não quer dizer que não existe prazer numa onda brasileira. Algumas ondas, quando as condições de fundo e ondulação ajudam, são tão boas quanto muitos points breaks internacionais.
Mas na média, nossas ondas deixam a desejar. É como se fosse uma masturbação – comparada com o sexo.
Quando cheguei ao Peru em 76, foi essa a minha impressão, mas quando fui ao Hawaii e Indonésia nos anos 80, tive certeza de que o surf nesses lugares é muito mais do que diversão. É puro desafio e adrenalina.
Tenho viajado muito e já surfei em quase todos os continentes. Quanto mais se viaja, maior é a experiência adquirida.
Ter bom equipamento é fundamental para conseguir surfar as verdadeiras ondas. É preciso fazer várias viagens para saber qual prancha se encaixa melhor na onda escolhida.
Em Jeffrey?s Bay, África do Sul, só na terceira viagem descobri o tamanho ideal para as ondas de 4 a 6 pés. Usei uma 6?9? que ficou perfeita para a remada e para os longos drives, sem ficar muito grande na hora de manobrar no lip.
#Às vezes acertamos de primeira, em outras nos adaptamos ao que nós temos, mas estou cansado de ver brasileiros viajando para o exterior levando as pranchas que usamos nas ondas brasileiras.
Sei que o lado financeiro pesa, mas gastar milhares de dólares na viagem dos sonhos e chegar lá com equipamento inadequado é jogar dinheiro fora.
Uma vez em G-land, um amigo meu levou só uma prancha, e na época não tínhamos boas cordinhas.
Avisei para ele comprar uma cordinha grossa que agüentasse o tranco das ondas de Java. Ele levou sua cordinha do dia a dia.
Dito e feito, em sua primeira onda ele caiu, arrebentou a cordinha e perdeu a prancha, que foi carregada pelas correntes e deve estar boiando até hoje em algum lugar do Oceano Índico.
Economizou 20 dólares e perdeu a prancha e a estadia em Grajagan.
Boas ondas e boa viagem.