
Malibu é o epicentro da performance e alma do surf moderno. Surfar ali é participar de seu legado e tornar-se parte de seu futuro.
Malibu é literalmente um lugar sagrado pela energia de uma deusa.
Há quatro mil anos, a região era habitada por índios Chumash em um ambiente de “criação da vida” e recebia o nome de “Hamaliwu” (mar ruidoso), em honra do que acreditavam ser a voz feminina do mar.
Eterna estufa da cultura do surf, Malibu também é responsável pelas pranchas usadas hoje em dia.

O surf-journalist Paul Gross escreve: “Malibu é o local exato onde o surf da antiguidade torna-se surf moderno”.
Quando Tom Blake e Sam Reid surfam Malibu pela primeira vez, em 1927, eles abrem as comportas da onda perfeita.
Enquanto a América parte para a segunda guerra mundial, mais de 300 surfistas de uma vez podem ser encontrados no line-up.
Curiosamente, justamente no período a guerra gera o design do surf moderno.

Materiais pós-guerra, fiberglass e resina, tornam possível aos designers mais hábeis o descarte de blocos de madeira, substituídos por madeira-balsa, mais leve e mais fácil para shapear.
Dale Velzy, Matt Kivlin e Dave Sweet foram notáveis inovadores, mas a tampa explode no verão de 1950, quando a jovem Vicki Flaxman aproxima-se do proeminente designer Joe Quigg interessada na compra de uma prancha.
Forçado a pensar fora dos padrões, Quigg aparece com uma 9’6″ tão fina, leve e de resposta tão positiva que Vicki passa a surfar “melhor que os homens” ao final daquele verão.
O shape rapidamente torna-se o objeto mais cobiçado da praia e os homens passam a raspar as pranchas até atingirem proporções de palito-de-dente.
Entretanto, ao dar um salto na prática, Vicki e as amigas Aggie Bane, Claire Cassidy, Robin Grigg e Darrylin Zanuck dominam o line-up por um ano inteiro.
O passo seguinte nas afirmações feministas de Malibu vem com o fenômeno conhecido como “Gidget”, filme criado a partir da novela escrita por Frederick Kohner em 1957.
A história real era baseada na experiência da corajosa filha Kathy durante espetacular verão romântico e aulas de surf em Malibu.
Terry “Tubesteak” Tracy, o Kahuna de Malibu, é quem apelida a baixinha “Gidget” – “Girl plus Midget equals Gidget” (garota + anão = Gidget).
A revista Life publica foto de Kathy e, em 1959, o filme estréia em Hollywood, dando o pontapé inicial numa revolução cultural de boêmia, surf-music e adoração ao sol para atingir o centro da América.
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Em 1999 volta a reinar o espírito feminino em Malibu, quando a Surfer magazine resgata Kathy Kohner à condição de “sétimo surfista mais influente da história”.
“Não fosse por Kathy e o penetrante mito de Gidget”, escreve Sam George, “a juventude americana teria perdido um dos mais poderosos arquétipos disponíveis no início dos anos 60 – uma rebelião não apoiada em angústia, mas em alegria”.
A contínua perfeição da onda de Malibu sopra o vento do progresso do surf na velocidade do raio. As estrelas são Lance Carson, Johnny Fain, Butch Linden e, é claro, o cavaleiro negro de Malibu, o fabuloso Miklos Dora.

Mas, enquanto os homens digladiam-se em busca de atenção, as garotas progridem lado a lado.
Em 1965, Charline Tarusa vence a categoria feminina do Malibu Invitational surfando “de maneira a vencer no masculino”.
E em 1966, Joey Hamasaki solicita surfar contra os homens.
A petição é sumariamente negada e ela vence a categoria feminina com facilidade.

Ainda magoada por não ter surfado contra os rivais, logo depois da final masculina Joey pega uma onda e atravessa o píer com “elegância e comando para interromper a cerimônia de premiação até o momento em que ela sai da onda”.
Todas as grandes surfistas encaram as paredes de Malibu, de Joyce Hoffman a Lisa Anderson. Mas o grande momento competitivo de Malibu acontece em 1975, durante o Women’s International Professional Surfing Championship, quando Margo Oberg, seis vezes campeã do mundo, volta da aposentadoria para dominar a concentração das maiores surfistas até então.
As performances luminosas de Jericho Poplar, Laura Blears e Lynne Boyer hoje ainda ecoam nos estilos modernos das grandes Layne Beachley e Lisa Andersen.
O evento tem hilária cobertura na revista Surfer, num artigo assinado por Kevin Naughton e Craig Peterson. Na busca de recursos para a surf trip seguinte, Kevin resolve vestir-se de mulher na expectativa de obter uma vitória fácil no campeonato.
Mas ele é atropelado por Laura Blears logo na primeira bateria. Envergonhado, ele rema para bem longe em vez de voltar à praia.
Hoje as mulheres de Malibu continuam a canalizar a energia feminina em performances inovadoras. Com surfistas como Kassia Meador, Julie Cox e Britney Leonard na liderança, brilham as deusas da graça de Malibu.
Anfiteatro natural ideal para o surf-competição em ondas perfeitas, o surf feminino tem um lugar predominantemente espiritual na história de Malibu.
E toda mulher de sorte por participar desse grande legado deve sentir-se honrada para surfar orgulhosamente, de forma perfeita, exatamente como se formam ondas de Malibu.
História Os primórdios da história de Malibu começam neste local, onde o povo Chumash habitou uma próspera vila chamada Hamaliwu, que significa “mar ruidoso”.
E a história recente de Malibu começa ao redor de 1802, quando Jose Tapia recebe concessão espanhola de terra e ergue o rancho de Malibu – primeiro grande rancho nesta área.