Obras em São Conrado ignoram a segurança

Em 2001, o governador Garotinho inaugurou a despoluição da praia de São Conrado, com direito a banda de música, comício e campeonato internacional de bodyboard – com altas ondas por sinal.

 

Mas, na verdade, a obra feita foi um represamento do esgoto embaixo do calçadão, que transborda com as primeiras gotas de chuva.
 
Em 2002, nós bodyboarders frequentadores do pico, sofremos a administração Benedita, que nada fez nessa questão.
 
Em 2003, a Governadora Rosinha reiniciou as obras, mas em silêncio total, já que seu marido – o Garotinho – havia dado o problema como encerrado. 

 

Não sei se o projeto da governadora se mantém fiel ao original de seu esposo, mas o plano atual deveria ser: tratar o esgoto e jogar o resultado no costão da Av. Niemeyer. Só que a realidade não é bem assim …
 

A língua negra de São Conrado é formada por dois “afluentes” e apenas um deles será tratado, já que o canal da Av. Almirante Álvaro Alberto – a rua do shopping Fashion Mall – não passa nem perto da estação de tratamento. 

 

O canal se encontra com o da Av. Aquarela do Brasil, embaixo do Hotel Nacional e vai direto para o mar, enquanto a estação de tratamento fica no início dessa avenida, em frente à Rocinha.
 

Outro problema é a estação em si, que não vai funcionar quando chove. Qual o percentual de precipitação na cidade do Rio de Janeiro? E em São Conrado? Isso é um Mal sinal…
 
O termo, no costão da Av. Niemeyer, deve ser outra brincadeira da governadora com os frequentadores do melhor pico de bodyboard da cidade. Lendo isso, imagina-se que o despejo, seria a uma distância segura da praia frequentada por milhares de moradores de São Conrado.

 

Mas na real, o local de emissão do esgoto “tratado”, é no cantinho da praia, na areia, bem em frente ao pico. A tal represa desemboca num início de túnel aberto na rocha com explosões. E na base da dinamite, abriram

outro buraco, que seria a saída do túnel, 50 metros adiante.

 

No pior lugar possível! Não sei o motivo, mas o primeiro buraco extravazor foi abandonado e explodiram outro 15 metros depois, que dependendo da maré continua sendo na areia.

 

Além do fato que esses 15 metros não fazem a menor diferença: continua sendo em frente ao pico. O costão da praia está virando um queijo Suíço.

Eu duvido que essa estação de tratamento funcione direito. E, mesmo que funcione, apenas metade do esgoto está sendo tratado, como já expliquei acima. A consequência é sujeira direto nas ondas.

Esse segundo buraco, foi aberto em dezembro do ano passado, quando pediram para a galera sair da água e explodiram tudo. Pedras de todos os tamanhos se espalharam pela área e não foram recolhidas pela empreiteira que executa o crime.

 

O resultado não poderia ser outro: pedras na areia, na beira e em todo o pico, machucando as pessoas.

 

Eu vi umas pedras de 0,5 metro de altura, abandonadas embaixo da água. Imaginem um quadrado de 0,5 m x 0,5 m, na areia no fundo. As chances de alguém bater a cabeça e morrer são enormes.
 

Nessa semana, a loucura extrapolou os limites racionais. As explosões para conclusão do túnel, que ligará o buraco um ao buraco três, estão sendo feitas sem aviso com muita gente dentro d’água.

 

Os mais sérios e atuantes bodyboarders do cenário são testemunhas de que voou pedra para todos os lados e por sorte ninguém foi atingido.

 

Temos cada vez mais pedras espalhadas pelo fundo e pela areia. A cena que vi outro dia foi a molecada da escolinha de bodyboard da Rocinha fazendo aula pisando em pedras, pois a areia e a beira dágua são os pontos mais atingidos.
 
Devem estar tentando matar alguém…

Por fim, outro fator ignorado por quem toca a obra é o assoreamento do canto esquerdo de São Conrado. Com a obra, será criado ali um fluxo de água que não existe hoje.

 

Certamente virão muitos detritos e areia junto com a água. O efeito disso nas ondas ainda não são mensuráveis.
 
As denúncias feitas ao prefeito César Maia, que contactou seu secretário de Meio Ambiente Ayrton Xerez, feitas em dezembro de 2003 não surtiram qualquer efeito.

 

As denúncias encaminhas aos órgãos estaduais muito menos. Mandei e-mails para a ouvidoria da CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos), da SERLA (Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas), para a FEEMA (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente) e nada aconteceu.

 

Creio que o site do governo estadual é oco. Só nos resta torcer para que as denúncias encaminhadas ao Globo sejam publicadas e lidas por alguém que possa parar esse absurdo.

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