A semana passada começou quente, com nove dos principais surfistas do WCT ameaçados e ameaçando a ASP de tudo quanto é lado.

 

Repare, o leitor mais astuto, que escrevo principais e não, melhores, como estaria escrito no saite da Surfing.

 

A guerra era, se guerra houve, para saber se Slater, os Hobgodds, Machado, os Lopez, Curran, Kalani e Bourgeois poderiam aceitar o convite tão esperado para competirem nos Xgames da rede ESPN.

 

De um lado, a ASP argumentando que pelo livro de regras dela os Xgames deveriam
pagar US$ 35 mil se realmente quisessem ter a licença para utilizar os “melhores do mundo” e a patrocinadora do único evento WCT na Califórnia, a Boost, empresa australiana de telefonia móvel.

 

Na outra extremidade ­ aproveitando o ensejo da palavra em moda, extremo -, a ESPN apoiada pela nova modalidade de competição apelidada de “The Game”, cria do ex-número 2 do mundo Brad Gerlach e seu pai.

 

Entendamos: a ASP, malvada feito ela só, não estaria deixando o “nosso” esporte crescer como tanto sonhávamos?

 

Alguma coisa está errada, se a própria ASP seria, e é, a maior interessada no crescimento e popularização do esporte.

 

Vamos aos números:

 

Xgames, 140 milhões de TVs ligadas ao redor do mundo.

 

ASP, mal consegue vender seus programas para mais de quatro países.

 

Boost Mobile investe 1.2 milhões de verdinhas no WCT de Trestles e ficou bastante aborrecida quando um dos seus principais concorrentes teria os nove do WCT sem gastar um centavo e ainda mais exposição do que a Boost jamais sonhara.

 

Temos um conflito de interesses com o único patrocinador de fora do mercado de surfe no WCT inteiro.

 

Pensem bem.

 

Pensaram?

 

Leio e escuto em qualquer boteco ou padaria que o surfe, o “nosso esporte”, deveria ter milhares de dólares fora das “marquinhas” como Quiksilver, Billabong e Rip Curl.

Pois, quando uma Boost da vida entra de sola, anunciando em todas revistas, patrocinando mais de 10 malandros e bancando um WCT de categoria no coração da América, a turma vira as costas?

 

E logo quem? A rede de esportes mais popular do planeta.

 

Por 35 mil doletas?

 

Isso é trocado para um evento do tamanho do X Games!

 

Eles deveriam pagar 50 mil por surfista, digo eu.

 

Resolvi perguntar direto pro “Tour manager” da ASP, o catarinense Renato Hickel, o que ele tinha a dizer sobre a pendenga:

 

“Nao bastasse a ‘bagatela’ dos 35 mil, os tais caras da ESPN falharam em ter qualquer compromisso com a ASP, seja através da devolução da Licença de Evento Especial assinada na data marcada, seja através do pagamento da taxa de Licença também na data marcada. Agora tentam jogar os surfistas americanos contra o management, alegando terem tido pouco tempo pra efetuar a transação”, conta Renato, que está em casa de férias com sua filhinha Erica, com a ex-esposa, quatro vezes campeã mundial Lisa Anderson.

 

Hickel continua: “se as perguntas que você fez são endereçadas ao Renato, como surfista e fã do esporte, eu acredito que o surf profissional não precisa de Xgames nenhum. Somos o prototipo do “X”, inspiração do skate que inspirou (e inspira) BMX, snow e quanto mais “Xs” quisermos aqui mencionar. Por outro lado, acho o evento do cacete, algumas partes chatas, é verdade, outras bem interessantes, mas atrativo no conjunto, sem dúvida, que não “doeria” tê-lo de alguma maneira de forma “Especial”. Mas aí, desde que os devidos dólares fossem acoplados a esse namoro. O circuito mundial, mais do que nunca e especialmente depois das mudanças de formato e eventos nas “exotic locations” cria uma idolatria impar mundialmente. Acredito que o Xgames queira os ídolos do surf na arena deles acima de qualquer reciclagem, pois até hoje os ídolos deles não se equipararam em termos de endorsement aos do surf profissional”.

 

Eu fecho com o Renato.

 

A revista Surfer fez longo artigo, assinado pelo sempre alerta Sam George,
enumerando os motivos porque o surfista deveria ficar feliz de não ser
considerado “Extreme sport”.

 

Um tubo em Tehapoo ou uma bomba em Jaws está além do extremo: é quase uma
tentativa de suícidio.

 

Um joguinho besta na areia de Huntinghton não nos representa como Extremo.

Por trás disso tudo, sinto um leve odor de enxofre.

 

Os americanos tentam criar uma nova forma de competição para destronar a
velha ASP, vide Shane Beschen, eterno ressentido, com teorias mirabolantes e
conspiratórias quando foi ejaculado do WCT.

 

A Califórnia não produz nada que ameace a soberania australiana, nem os
caipiras da Flórida, portanto The Game.

 

No lado corporativo, os nove surfistas quando se deram conta da enorme besteira que iriam fazer com a Boost, concordaram em usar, todos, o adesivo da marca na prancha durante os Xgames.

 

Toda essa lenga-lenga serviu pra mostrar o quanto nosso esporte, dessa vez
sem aspas, é amador.

 

E é exatamente por isso, que tanto prezo ele.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)