Temporada havaiana. Quem realmente gosta não vem só para os campeonatos, nem só para fazer fotos, mas também, e principalmente, para se aprimorar em ondas de qualidade e curtir o verdadeiro ?juice? havaiano.
Este ano não foi diferente e uma grande quantidade de brasileiros apareceu no North Shore mostrando talento e disposição. No meio dessa galera dois nomes da nova geração, ainda relativamente desconhecidos, chamaram a minha atenção.
Felipe Cezarano, o Gordo, e Marco Giorgi. Um carioca e o outro uruguaio radicado no Brasil, ambos provaram pertencer a esse seleto grupo de surfistas que realmente amam essas ondas.
Os dois ficaram muito bem instalados durante o primeiro mês. Felipe em uma mansão em Rock Point, alugada pelo amigo Munga, em frente à casa do lendário big rider Peter Cole.
E Marco Giorgi estava junto com a equipe da Mormaii numa das opções mais caras do North Shore, o Kuilima States, dentro do Turtle Bay Resort.
Mas, como diz o velho ditado, tudo que é bom dura pouco. Um dia a mordomia acabou e os dois quiseram ficar no Hawaii mais tempo, então se hospedaram no famoso camping de Rock Point, mas conhecido como “Roquinha”.
Apesar do perrengue, a localizaçao é perfeita para quem está realmente disposto a surfar e evoluir, pois fica em frente à RP, a cinco minutos de Pipeline e cinco de Sunset.
“Não tem muito conforto, o banheiro é unitário, para fazer comida é um pouco complicado, mas a hospitalidade da galera é show. Estou no barraco do amigo Félix, realmente muito amarradão aqui na Roquinha. E importamos o cinegrafista Gustavo ?Camarão?. Parece até mentira, mas por falta de visão de algumas marcas, os próprios surfistas fizeram uma vaquinha para isso acontecer. Será que algum dia nossos empresários vão realmente dar valor a um trabalho desse, em que são formados ídolos nacionais?”, pergunta Cezarano.
Junto deles existe também uma galera cheia de disposição para continuar surfando boas, grandes e perfeitas ondas, como Jerônimo Vargas, Stephan Figueiredo, Ricardinho Santos, Yan Consenza, Rafael Paiva, Pedro Manga, Guilherminho do Arpex, Yan Guimarães, Marquinho de Saquá, entre outros.
Uma boa evidência de que a galera brazuca está arrebentando foi a ótima performance no maior e melhor Pipeline desta temporada, no último dia 15 de fevereiro. Enquanto muitos locais estavam no campeonato de Tow-in, os brazucas mostraram atitude pegando ondas de dar frio na barriga.
Uma das cenas mais sinistras foi quando Marco Giorgi pegou uma direita espetacular para Backdoor. ?Eu tive chance de pegar duas direitas grandes para Backdoor, coisa que poucas pessoas estavam fazendo naquele dia. Mas eu sabia que se conseguisse pegar um tubo numa dessas ondas com certeza ia dar um retorno grande para meus patrocinadores e mostrar para as pessoas que me ajudaram desde que venho para o Hawaii que o esforço não tinha sido em vão?, comenta Giorgi.
?Queria mostrar para o Tales Hartman, um bom amigo que abriu muitas portas para mim, e para as pessoas como o Morongo, Luiz Borges e Carlão do marketing da Mormaii, o chefe de equipe Netão e Maurão da Ferrugem, que eles podem e devem continuar apostando em mim?, completa.
Acho muito importante falar um pouco desses garotos que fazem de tudo para conseguir chegar ao Hawaii e mostram essa disposição toda. Esses são alguns dos verdadeiros guerreiros do surf em busca de reconhecimento, respeito e satisfação pessoal.
Para encerrar, não posso deixar de falar sobre o fato absurdo de atletas do porte de Danilo Couto e Rodrigo Resende estarem sem patrocínio. Simplesmente ridículo!
Aloha!

