Entra ano e sai ano, a pergunta encardida resiste impávida nas entrevistas de praia: ?o Brasil tem chances de ganhar o título do WCT??.
(Nota da Redação Veja resultados completos em Surfe DeLuxe)
As respostas dos tops nacionais variam de ?vamos dar tudo? a ?estamos cada vez mais perto?. Pouca gente, no entanto, aposta as fichas na bandeira verde-amarela. Nos botecos com areia no chão e cerveja gelada, o discurso da vez é o de que não há surfista brasileiro que reúna os atributos necessários a um campeão do mundo.
Na falta de um Slater nordestino ou de um A.I. gaúcho, o blog Surfe Deluxe decidiu montar um mosaico do surfista ideal. O ?Frankeinstein?surgiu a partir de uma enquete com 20 apaixonados pelo esporte, entre surfistas e jornalistas, além de profissionais do mercado do surf e de outras áreas ? todos com mais de 20 anos de ondas.
A eles, coube eleger um atleta que representasse o surfista ideal ou, na falta dele, o melhor em cada uma das 10 categorias especificadas (surf em beach breaks, surf em tubos, surf em ondas pesadas, linha de onda, inovação, carving, coragem, disciplina/concentração, imagem positiva e apoio do mercado) para formar um surfista ideal.
Adriano Mineirinho – que anteontem soube vender bem caro a derrota para Kelly Slater na etapa inaugural do WCT – teve a votação mais expressiva. Somou (ao todo) 35 votos para ser eleito em três categorias – técnica em beach break, disciplina/concentração e apoio do mercado.
De quebra, ganhou um dos dois únicos votos – entre 20 jurados – na categoria surfista completo, capaz de ser campeão mundial com seus atributos. O outro surfista votado foi Raoni Monteiro.
O segundo mais votado na eleição por categorias foi Bruno Santos, com 19 indicações, seguido por Fábio Gouveia (16), Marcelo Trekinho (13), Leo Neves (11) e Rodrigo Dornelles (10). Ao todo, 31 surfistas brasileiros receberam voto em pelo menos uma categoria.
Quem escolheu Mineiro o sufista “ideal” foi o editor do site Waves, Alceu Toledo Junior, que questionou os desconfiados nas chances de título do surfista de Guarujá: “Por que não? Ele é campeão mundial Sub-20 como o Andy Irons, que aliás também levou anos para deslanchar no WCT”.
O big rider Rodrigo Resende, na vez de jurado, apostou em Raoni: “Para mim, é ele. Só falta se concentrar mais um pouco, pois tem surf para ser campeão mundial com facilidade”.
Apesar do recorde de indicações, os votos de Mineirinho estão concentrados em duas categorias que, isoladamente, não bastam a um campeão mundial do WCT: técnica em beach break e apoio do mercado.
Por outro lado, Bruno Santos, mesmo ainda ralando no WQS, disputou atributos de maior peso no cenário da elite mundial: foi eleito o melhor em ondas tubulares e terminou como o segundo mais votado em coragem e técnica em ondas pesadas. Fábio Gouveia botou no bolso as categorias linha de onda e imagem positiva.
Rodrigo Dornelles perdeu por pouco para Fabinho o título de melhor brasileiro na valorizada arte de passear geometricamente pelas paredes e quase foi eleito também na categoria carving, por sua habilidade em usar a borda.
Foi vice de Leo Neves, que segue carreira ascendente no WCT. A categoria surf inovador, cada vez mais exigida na elite, ficou com o carioca Marcelo Trekinho.
Participaram da comissão julgadora: Alceu Toledo Junior, Alex Guaraná, Clemente Coutinho, Eduardo Chalita, Fábio Minduim, Felipe Zobaran, Marcelo Trekinho, Rodrigo Resende, Álfio Lagnado, Joca Secco, Sérgio Lindenmann, Marcos “Tola” Faria, Maxime Perelmuter, Fábio Barcellos, Lúcio Tapajós, Rodrigo Schmidt, Alexandre Amaral, André Somaglino, Bráulio Gouveia e Fernando Alvarus.
A partir desta quinta-feira (6/3) o blog publicará o resultado completo da votação nas 10 categorias. Para obter mais informações, visite Surfe Deluxe.
