A origem do surf é antiga. Há mais de dois mil anos atrás, habitantes do Sudeste asiático (polinésios) iniciaram sua expansão pelas pequenas ilhas que pontilham o Pacífico Sul, desenvolvendo uma estreita relação com o oceano.
O tempo passou, o surf cresceu e se tornou um esporte global praticado em mais de 100 países. Estima-se hoje que 25 milhões de pessoas de todas as idades, classes sociais, raças, religiões e gêneros pratiquem o esporte.
Segundo a International Surfing Association (ISA), esse é um número de praticantes bastante superior ao da maioria dos esportes olímpicos.
Pai do skate, windsurf, snowboard, kitesurf, wakeboard e de todos os esportes radicais praticados com pranchas, o surf conta com enorme prestígio e popularidade entre os jovens de todo o planeta.
Razão pela qual está sempre presente nas campanhas de marketing e ajuda a vender cartões de credito, TVs LCD, carros, celulares, alimentos, moda praia, enfim, todo o tipo de produtos e serviços.
Pesquisas mostram que oito em cada dez jovens já pensaram em praticar o esporte, sendo que dez em cada dez consomem a moda surf efetivamente. E os números do segmento reforçam as pesquisas: esta indústria movimenta anualmente mais de 7 bilhões de euros (10 bilhões de dólares americanos).
Somente a Quiksilver, quinta maior marca esportiva do mundo, fatura mais de 1 bilhão de euros anuais, em um mercado onde proliferam escolas de surf, fábricas de pranchas, lojas, revistas, sites especializados e que cresce em torno de 25 a 30% ao ano.
De acordo com os critérios do COI (Comitê Olímpico Internacional), o surf é considerado uma modalidade totalmente nova, e sua inclusão como esporte olímpico infelizmente é um tanto complexa, em função dos limites estabelecidos pelo próprio comitê.
Para que sejam incluídos novos esportes, mesmo que mais relevantes e populares dentro do atual contexto mundial, alguns que já são olímpicos precisam ser excluídos. Porém, seus líderes têm direito a voto no Comitê, caracterizando um claro conflito de interesses. Seria como pedir para que eles cedessem ao surf o espaço que seus esportes conseguiram conquistar com tanto esforço junto ao COI.
Segundo Fernando Aguerre, 15 anos à frente da ISA, as piscinas com ondas – que vêm sendo produzidas mundialmente por pelo menos cinco grandes empresas e com tecnologias cada vez mais avançadas – já proporcionam ondas padronizadas de excelente qualidade.
O que possibilitaria a exclusão do fator sorte nas competições (uma vez que as condições do mar não podem ser controladas pelo homem), tornando a disputa mais técnica, em sintonia com os critérios do COI. Os quais avaliam o esporte, sobretudo, em função de sua capacidade em despertar maior audiência na mídia televisiva.
Considerando que milhões de pessoas vivem longe dos oceanos, em lugares onde o surf não tem como ser praticado, o dirigente acredita ainda que a profusão das piscinas com ondas irá possibilitar que o esporte seja abraçado por um grande número de novos adeptos, que poderão desfrutar de maior saúde física e mental proporcionada pelo surf, tornando-o ainda mais popular mundialmente.
A ISA tem concentrado sua atuação no desenvolvimento organizacional do surf em países onde este ainda se encontra em estágio menos avançado. Tais como a China, a Índia, os países Árabes, a África e a Coréia, por exemplo, que acaba de fundar sua primeira Federação. “É uma questão de tempo para que o surf venha a se tornar um esporte olímpico”, afirma o presidente da entidade.
A revista americana Surfer afirma que o Brasil é a terceira nação em número de praticantes, com mais de cinco milhões de adeptos, perdendo por pouco para a Austrália e os EUA. Segundo a Brasmaket, o surf é o esporte mais praticado no Brasil depois do futebol e também o que mais cresce, transmitindo hoje uma imagem de saúde, diversão e preservação do meio ambiente.
O gênero “surfwear” é o vestuário mais usado no dia-a-dia, na faixa dos 10 aos 35 anos de idade. Nosso mercado é o quinto maior do mundo, com mais de 400 empresas de confecção no setor.
No campo do noticiário esportivo, podemos citar coberturas de algumas das principais redes de televisão, como ESPN (Brasil / Internacional), Sportv, Fox Sports, AXN, Rede Globo, Band Esportes e Rede Record, com grande retorno de audiência. Um exemplo são as etapas do Crcuito Mundial Profissional (World Tour), transmitidas ao vivo pela internet, com público estimado em mais de um milhão de internautas.
O Brasil já venceu inúmeras competições relevantes, embora ainda não tenha conquistado seu primeiro título na divisão de elite, o World Championship Tour. Mas já podemos sonhar em ver o paulista Adriano de Souza, um dos melhores surfistas brasileiros da história, e também um dos maiores surfistas do planeta na atualidade, como um campeão mundial.
O surf brasileiro passa por um processo de renovação e amadurecimento profissional, em que a nova geração percebe a necessidade de contar com uma estrutura multidisciplinar, para alcançar o alto rendimento esportivo e a excelência nas competições.
Aos atletas brasileiros nunca faltou talento, mas a nova geração, mais consciente das responsabilidades inerentes ao sucesso, está chegando mais bem preparada, sobretudo psicologicamente, com reais possibilidades de tornar o sonho realidade e tornar o Brasil, a exemplo do futebol, primeira potência do surf mundial. E brasileiro que é brasileiro, nunca desiste.