O primeiro milhão a gente nunca esquece

9, 1, 9, 1, 1, 17, 17

 

O número cabalístico acima indica as colocações do Andy Irons até a etapa de Trestles – tá lá no saite da ASP, é copiar e colar, nem precisa traduzir.

E sobre números é que escrevo hoje, nessa quarta-feira abafada de setembro, pré-frente fria.

 

Slater tem 9º, 9º, 1º, inj, 5º, 1º, 5º (‘inj’ de “injured” = machucado, no idioma do Curren) e aparenta ter fôlego pra mais. Falando em números e Slater, o cabra se aproxima de fazer o primeiro milhão de dólares da história do esporte em premiação.

 

Até o Boost de Trestles, King Slater já meteu US$ 928.755 na conta corrente. Ganhando mais três campeonatinhos desses do WCT, coisa mais besta pra ele, arredonda uma bela duma cifra.

 

Quando se falava em milhões no final dos anos oitenta, tinha malandro que se esborrachava no chão de tanto rir. Tom Carroll foi o primeiro que conseguiu imprimir os seis zeros ao lado do seu nome quando fechou o ‘absurdo’ contrato de cinco anos com a ousadíssima Quiksilver em 88.

 

Com a reputação de imbatível em Pipeline, Carroll chega ao fim de 88 com chances maciças de tornar-se três vezes campeão mundial no seu palco predileto: grande e assustador Pipe.

 

Uma interferência estúpida em Todd Holland decepa as esperanças do simpático anãozinho australiano, mas não o impede de ganhar ainda por mais duas vezes o Pipe Masters só de raiva.

 

Entra Robert K., em 92, com mais um contrato (novamente a Quiksilver) de, desta vez, mais de 1 milhão de verdinhas e cinco Pipe Masters nas costas. Mas deixem de lado o Rei e voltemos aos sedutores números?

 

No WCT de 2003, o camarada que rodar de cara no circuito inteiro, 33, 33, 33, 33, 33, 33, 33, 33, 33, 33, 33, 33, uma impressionante seqüência de doze trigésimos terceiros, embolsa a bagatela de 36 mil dólares?!

 

No câmbio de hoje, a 2,96 no paralelo, são R$ 106.560 pratas, uma média de 8.880 mensais, fora o ordenado do patrocinador, uma bela soma, se a surfistada não tivesse que gastar uma pequena fortuna locomovendo-se para as tais “Exotic locations”, lugares esquisitos como Fiji e Tahiti que têm um custo diário de, no mínimo, 100 doletas. Dura vida enfim.

 

Façamos um desconto de 50%, meio milhãozinho?
Nessa lista, com faturamento em premiação acima dos 500.000 dolengos estamos muito bem representados.

 

Fábio Gouveia mantém um honroso sétimo lugar com US$ 622.078, logo abaixo do Luke Egan, que já arrematou 660.495 e acima de três campeões mundias, Curren, Carroll e Ho, todos ainda acima da faixa dos 500.

Vitinho, com esse terceiro, Teco e Peterson também encabeçam a seleta lista dos que passaram do meio milhão.
 
Afogado em números, como no filme do Greenway, mudo de assunto para dizer que dos 26 mil acessos mensais que a coluna recebe, apenas 0,03% manifestam-se no fórum.

Desses, segundo pesquisa publicada na revista inglesa “Monthly review for dummies”, apenas 15% se dão ao trabalho de ler um texto até o final, enquanto destes, 98% conseguiram a nota mínima em interpretação de texto.

Donde se conclui? absolutamente nada.

 

PS – o que é “paga-pau”? Um primo distante do velho amigo Pica-Pau?

 

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