Aos 31 anos, o carioca Antonio Portinari Leão é sócio da marca Art In Surf, que além de desenvolver produtos para o surf é uma das pioneiras em pranchas de stand up paddle no Brasil.
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Formado em administração e pós-graduado em finanças pela PUC-RJ, Tony é sobrinho-neto de Candido Portinari, o pintor brasileiro que produziu quase cinco mil obras em vida e alcançou grande projeção internacional.
Direto do Hawaii, nosso correspondente Bruno Lemos preparou uma entrevista exclusiva com o carioca, na qual discute detalhes do stand up surf e sua difusão no Brasil.
Como e quando você começou a se envolver com stand up surf e por
quê você decidiu trabalhar com isso no brasil?
Decidi quando vim para o Hawaii em 2007. Vi o crescimento do stand up no Hawaii e fiquei impressionado. Depois de pegar a primeira onda de stand up no Kauai fiquei apaixonado pelo esporte e decidi levar uma prancha e um remo comigo para o Brasil.
Um amigo que trabalhava com stand up no Hawaii me ofereceu a oportunidade de importar algumas pranchas e remos para o Brasil, então começei a vender na garagem da minha casa no Rio. Em duas semanas vendi mais de 20 pranchas e remos. Então decidi investir no negócio.
Quem são os melhores shapers e quais as diferenças de pranchas que existem hoje no mercado?
Os melhores shapers estão no Hawaii, pois é aqui que o esporte começou e também onde estão os melhores surfistas de stand up da atualidade. Na minha opinião os melhores shapers são o Blane Chambers (Oahu), Terry Chung (Kauai) e Dave Parmeter (Makaha).
As pranchas podem ser feitas de poliester e epóxi ou epóxi com PVC moldada. As mais leves e resistentes são as de PVC moldada, que em sua maioria são fabricadas na China.
Como é possível adquirir uma prancha no Brasil e qual o custo dela?
Existem várias maneiras. Por meio de um shaper local ou em algumas lojas especializadas. As pranchas de epóxi custam em média R$ 3 mil e as pranchas de PVC moldado R$ 4 mil. O remo de fibra de carbono custa em média R$ 700.
Os preços da prancha e do remo são altos. Você acha que o brasileiro vai aderir esta modalidade com tanta facilidade como aqui fora?
Acho que sim! O número de adeptos está crescendo rápido, principalmente no Rio e em São Paulo. É um esporte muito democrático que pode ser praticado por pessoas de todas as idades e níveis de experiência, além de possiblitar a prática tanto no mar quanto em aguás paradas. Por isso, acredito que tem de tudo para ser um sucesso no Brasil.
Como você compara o nível do stand up surfing aqui no Hawaii com o Brasil?
O stand up só está começando a desenvolver no Brasil agora, enquanto aqui no Hawaii, surfistas já praticam a modalidade a mais de cinco anos. Há poucos dias tive a oportunidade de surfar uma direita perfeita com o Laird Hamilton. Ele dropava as maiores da série de rabeta e virava a prancha no meio do drop. Difícil até de explicar, mas sem dúvidas foi impressionante.
Alguns brasileiros já estão começando a evoluir e tenho certeza que é uma questão de tempo para que tenhamos surfistas tão bons quanto os havaianos.
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Na sua opinião, quem são os melhores surfista de stand up na atualidade aqui e no Brasil?
No Brasil, o Picuruta tem ganhado a maioria dos campeonatos. O Haroldo Ambrósio já tem seis anos de experiência e está em um nível alto. Nas ondas grandes, o Danilo Couto tem feito bonito aqui no Hawaii. No Rio, o Eraldo Gueiros foi um dos pioneiros e junto ao Rico de Souza, estão representando muito bem o esporte. Tem o Mulinha, que com a base do longboard, já está pegando altas e tenho certeza que em breve vai ser o cara. Fora do Brasil os melhores são o Ikaika Kalama, que surfa Pipe como ninguém, o Leleo Kinimaka e, claro, o Laird Hamilton.
Além de stand up, o que mais a Art in Surf faz?
A Art in Surf, desenvolve também pranchas de surf old school, fish e single fins. Um trabalho muito interessante que estamos desenvolvendo é imprimir fotos nas pranchas. Em parceria com artistas e fotógrafos, selecionamos alguns trabalhos e desenvolvemos uma coleção limitada de pranchas old school com arte.
Estou conversando com o Projeto Portinari para colocarmos alguns quadros dele em nossas pranchas. Quero lançar uma coleção limitada de pranchas Art in Surf Portinari. A idéia é levar a arte para pessoas que normalmente não tem acesso a ela. Acho que a prancha é um canal perfeito para se comunicar com os jovens.
De todos os lugares que já surfou, quais os seus picos favoritos?
A Indonésia é sem dúvida o lugar com as condições mais perfeitas de onda. Porém o crowd hoje em dia está fora de controle. Apesar disso, adoro surfar Uluwatu e Desert Point. Outro lugar mágico é Western Australia. Você pode surfar altas ondas sozinho, se tiver um pouco de disposição e tempo praa procurar o pico certo.
Principalmente na região do Bluff, no deserto.
Hawaii, apesar do crowd, tem as ondas maiores e mais pesadas. Também gosto muito de passar a temporada aqui. É o lugar mais surf do mundo. Todo mundo respira surf todos os dias.
Deixe um recado para a galera do Brasil que gostaria de um dia ter uma prancha e começar a praticar o esporte?
O stand up é um esporte seguro, fácil e ótimo para o preparo físico e mental, além de ser muito divertido. O Brasil é um lugar ideal para a prática, principalmente quando o mar está pequeno. É muito importante respeitar os outros surfistas e não pegar todas as ondas só porque você tem mais facilidade. De resto é curtir o esporte dos reis havaianos!

