#Alistair Taylor, 28 anos, nasceu em Nairobi, Kenya, África do Sul.
Ele apareceu para o mundo do bodyboard em 97, quando fez uma bateria histórica na semi-final do Pipe Master contra o havaiano Kainoa Mcgee. A bateria rolou em ondas de 10 a 12 pés com algumas séries de até 15 pés.
Taylor foi o primeiro bodyboarder a enfrentar a temida onda de Maverick’s, na Califórnia. Atualmente, ele é o bodyboarder com maior destaque em ondas grandes, ao lado de Mike Stewart.
Você já experimentou o Town-In? Você costuma utilizar algum equipamento especial para dropar mares em condições extremas?
Eu ainda não surfei de Town-In, mas gostaria de tentar em ondas acima de 15 pés. Em condições perfeitas será interessante ver o que podemos fazer no bodyboard. Meu equipamento é o mesmo em todas as condições de mar, exceto para ondas mais pesadas, onde uso canaletas.
O que você sugere em se tratando de equipamentos para ondas grandes, como a shapes, novos materiais e nadadeiras?
Tenho certeza que podemos trabalhar mais na melhora do equipamento, mas isso leva tempo e é necessário que se tenha acesso a materiais para a produção de pranchas, o que normalmente eu não tenho. Mas, pelo menos sei que a prancha tem que ser mais pesada para ondas grandes, para evitar que ela quique.
Notei que na última temporada você passou a usar capacete. Isso tem relação com o acidente do Lanson Ronquilio?
O fato de eu usar capacete não tem nada a ver com o acidente do Lanson. Uso desde quando cheguei ao Hawaii, pois já machuquei meu ouvido na Califórnia, sangrou muito e eu senti muita dor. Então, o capacete é bom, pois além da cabeça, protege seu ouvido e no Hawaii é muito fácil machucar a cabeça.
Teve um dia em Pipeline que o mar subiu do nada até uns 12 pés ou mais. Você ficou mais para Off The Wall, bem atrás do pico e demorou para pegar uma onda. Mas quando veio, foi a melhor do dia. Comente seu posicionamento em Pipe.
Em Pipeline me movimento muito pelo pico para me me dispersar do crowd. Às vezes surfo as esquerdas de Off The Wall, mas é bem perigoso, raso, fecha muito e é fácil de levar na cabeça. Mas eu me arrisco para pegar boas ondas.
Maverick’s, Shark Island, Teahupoo, Pipeline, Cave Rock, Backdoor. Fale um pouco sobre cada um desses picos. Qual é a onda mais assustadora?
Maverick’s é uma onda muito boa, mas também é muito assustadora. A água está sempre em torno de 9 e 10 graus e é necessário utilizar uma roupa de borracha muito grossa e pesada, o que dificulta a respiração normal. A água é escura e existem tubarões na área. As correntes são muito fortes por causa da baía de São Francisco. E a água se movimenta para dentro e para fora, conforme a mudanca de maré. Além de tudo isso, existem grandes rochas, parecidas com as que existem do lado esquerdo de Waimea. Enfim, é um lugar muito louco!
Shark Island acredito que seja a onda mais pesada do mundo para o seu tamanho. O pico sustenta um swell de até 6 a 8 pés, não mais que isso. É muito raso, mais raso que Backdoor. É como surfar um dia grande em Copacabana, Posto 5 e descer a onda mais pesada que você conseguir. Só que Shark Island tem coral no fundo.
Teahupoo é a onda mais pesada acima de 8 pés. Tem que ver para entender o quanto a onda suga na bancada e é muito forte, muito difícil de descrever. Talvez pareça com Waimea Shorebreak, mas em fundo de coral e perfeito.
Cave Rock e Backdoor são muito parecidas, ambas são buraco e com tubos rasos, muito boas para bodyboard.
As viagens e a experiência adquirida ao longo dos anos ajudam no preparo psicológico, mas o preparo físico também é extremamente necessário. Como é feita sua preparação física?
Faço natação, flexões, abdominais e pulo corda, além de muito bodyboard.
Quais são seus picos prediletos
O Hawaii.
Quais são seus objetivos para este ano?
Quero me dar bem no Super Tour.
Como você vê o futuro do bodyboard mundial?
Eu acredito que o bodyboard vai crescer em número de praticantes. Da parte econômica, eu não sei. A economia no mundo é muito instável, por isso é difícil dizer como ficarão as competições e a mídia do esporte no futuro.
“Não sei há quanto tempo surfo em ondas grandes. Desde criança eu tento, por ser excitante e divertido.”