Nascido em Florianópolis (SC), o cineasta Löic Wirth destacou-se neste ano pela produção do vídeo finalista do projeto Innersection, promovido pelo renomado diretor californiano Taylor Steele.
Löic resolveu encarar as disputas do Innersection depois de gravar sessions com o atleta Marco Giorgi em lugares como Brasil, Uruguai, Indonésia e Hawaii.
O vídeo foi o quarto mais votado pelo site do projeto, uma batalha de vídeos de free surf que reuniu vídeos de atletas do nível de Kelly Slater, Josh Kerr, Clay Marzo, entre outros.
Com o resultado, Löic e Giorgi ganham o direto de participar do próximo filme de Steele. Além disso, participaram no dia 26 de novembro do lançamento do vídeo Innersection em Honolulu, Hawaii.
Na entrevista abaixo, Löic fala de sua residência na França sobre a parceria com Marco Giorgi, o mercado de vídeos, seus porjetos atuais e os planos para o futuro.
Antes de tudo, quem é o Löic Wirth?
Tenho 21 anos, e sou natural de Florianópolis.
Você tem um trabalho bem diferenciado, com uma mistura muito boa de surf, música, fotografia, edição e arte. Fale um pouco sobre suas influências e como você procura contar suas histórias.
Antes de tudo, obrigado! Me influencio muito pelas músicas e filmes, sejam de surf ou não. O resto vai de cada um. Cada um interpreta uma mesma coisa de uma maneira diferente. Aí que está a graça de todo o processo, fazer o seu projeto, ser único mostrando o seu olhar.
Conte um pouco sobre suas andanças pelo mundo. Faz tempo que você está na Europa?
Estou aqui há três meses e pouco agora. Morei em Hossegor entre 2009 e 2010 e criei um laço bem forte com o lugar.
Este ano tem sido bem legal, viajei bastante para diferentes projetos. Filmei na França, Indonésia, Hawaii, Califórnia, Nova Zelândia, Portugal, Espanha, Marrocos, Uruguai e no Brasil.
Quando e como você começou a trabalhar com vídeos? Como foi o início?
Comecei a editar vídeos roubando imagens dos meus filmes de surf preferidos. Depois editava eles da minha maneira para ver com amigos antes de surfar. Criei gosto e quando cheguei a Hossegor tive apoio dos filmmakers Pietro França e Thomaz Selliens para começar a fazer minhas próprias imagens.
Tudo fluiu bem e os projetos foram surgindo. Meus primeiros trabalhos foram os episódios mensais Cracker.TV, que eu produzi para o site surfeuropemag.com por alguns meses.
Como e quando surgiu a ideia de participar do Projeto Innersection?
Eu fiquei amarradão pelo conceito do projeto assim que li uma matéria na revista Surfing falando a respeito. Estava em Garopaba filmando com o Marco e propus de participarmos. Ele topou de primeira e fomos investindo nisso.
Qual foi a ideia de vocês com este clip?
A ideia era usar a plataforma do Inner como palco para expor nossos trabalhos. Não entramos pensando que poderíamos ganhar um lugar no filme. Foi surreal ver todos os comentários e entrar no top 4.
Já o vídeo de Cristian Muller, apesar de bastante alternativo, foi bem visto e divulgado. Este vídeo surgiu depois de vocês inscreverem o do Marco? Fale um pouco dele também.
Venho filmando com Cristian e Gabriel Muller desde que voltei da França em 2010. Em conversas com ele sobre o Inner, surgiu a ideia de nos inscrevermos. Gostei muito do resultado final, queríamos exibir a realidade dele, surfando ondas ruins e mexidas, mas mesmo assim buscando evoluir sempre.
O que representa para você estar no próximo filme do Taylor Steele?
Representa muita coisa, não dá de explicar. Fazer parte de um filme de um cara que eu admiro tanto não tem preço para mim. Além disso, colocar pela primeira vez uma sessão inteira de um brasileiro em um filme do Taylor Steele. Abro o maior sorriso quando vejo que chegamos lá.
Você ganhou visibilidade e notoriedade depois do Innersection. Já está colhendo alguns frutos com esta vitória?
Continuo focado no meu projeto pessoal. Os frutos que tenho colhido são de ver uma galera se motivando mais ainda para fazer o que fazemos. Mesmo em meio a tantas dificuldades, vejo que tem tanto talento no Brasil. Falta só um empurrão.
Como você vê o mercado de vídeos de surf aqui no Brasil?
Fico triste quando penso no mercado de vídeos no Brasil. Se dependesse dele não teria feito nada do que fiz praticamente. Nunca tive apoio de nenhuma empresa brasileira, mesmo procurando.
Não quero generalizar, mas as empresas no Brasil em sua maioria não enxergam nada além da grana. Apenas seguem tendências e copiam descaradamente o que os gringos fazem. Funcionam na base de amigos e amigos de amigos. Buscam o lucro antes de tudo.
Você tem um bom suporte para viajar com os atletas?
Trabalho para uma empresa e consigo unir as viagens com a produção do meu filme, ao mesmo tempo em que continuo meu trabalho. Por enquanto isso tem dado bem certo.
Fale um pouco sobre o seu equipamento.
Uso uma Panasonic HVX-200.
É muito caro ser um filmmaker?
Depende do que é caro ou não. Mas é um investimento que vale a pena, além de ser algo que funciona a base de uma mão lavando a outra. Todos se ajudam e saem felizes no final das contas.
Não vou comprar uma mansão com o que ganho, mas os momentos e amizades que rolam no meio do caminho fazem valer a pena.
Com toda esta convergência das mídias onde TV, telefone, iPods, iPads, etc, e todo tipo de acesso multimídia, os produtos de comunicação estão mudando. Como você vê isso?
É legal, mas faz tudo ficar fácil demais. Não sei explicar, mas não me empolgo com estas novas portas que estão se abrem em relação aos equipamento.
Você recebe algum tipo de exigência do mercado ou trabalha com total liberdade de criação?
Não recebo muitas exigências. Por sorte, até o momento a maioria das minhas edições foi feita sem restrições. Editar é algo muito subjetivo, acho que tem que depositar a confiança em quem edita. O produto que sair é o produto final.
Quais são cinco melhores filmes de surf na sua opinião?
Secret Machine, Castles in the Sky, Sipping Jetstreams, Doped Youth e o curta Ungu.
Quem são as suas referências?
Joe G., Guy Ritchie, entre outros.
Fale de seus projetos atuais e futuros.
Trabalho em um projeto pessoal que já mencionei antes, para ser lançado em 2011. Tenho viajado bastante para sua produção e os surfistas envolvidos estão se dedicando bastante para fazê-lo acontecer.
Para ver as sessions de Marco Giorgi e Cristian Muller para o projeto Innersection, além de mais vídeos de Löic Wirth, acesse o seu perfil no Vimeo.
Fonte SurfOnLine
Leia mais
Muller alça voos internacionais