
O havaiano Garrett Mcnamara, 35, é um grande conhecido da galera no Brasil. Ele veio ao país três vezes e cultivou muitas amizades, como o o carioca Rodrigo Resende, com quem venceu o Mundial de Tow-in em 2001.
No último inverno, ele surfou o maior tubo da história de Jaws, ilha de Maui, Hawaii, durante um swell em novembro, além de também ter vencido em janeiro deste ano a Expression Session do Mundial de Tow-In, já na companhia do novo parceiro Ikaika Kalama. Sem contar que ainda em 2002 ele também pegou o maior tubo da temporada em Teahupoo, Taiti.

Atualmente ele idealiza um novo formato de evento: cada atleta coloca US$ 1 mil e quem vencer recebe a bolada. Na lista de convidados canarinhos, Burle, Eraldo, Resende e eu.
Na entrevista abaixo ele conta o que pensa do Brasil, de todas as novidades no tow-in, e de suas aventuras.
SM Como se sente com um novo inverno havaiano batendo na porta?
GM Eu estou ficando muito excitado e preparado. Não posso esperar.
SM Você tem os últimos dois títulos em Jaws e

também o maior tubo surfado em todos os tempos. O que planeja agora?
GM Estou treinando muito forte todo dia. Normalmente começo meu treino para a temporada depois do meu aniversário (10 agosto). Este ano começo um mês antes. Vou ficar mais forte do que nunca. Esse é o meu maior desejo.
SM Como é seu treino no North Shore desde que as ondas pararam ?Viajou esse verão?
GM Estou treinando pesado desde 10 de julho, com alimentação e treinos especiais. E as viagens acontecem em breve.
SM E esse evento de ondas grandes que está organizando, quais as expectativas?
GM Deve começar neste mês, no Taiti, e eu espero vocês brasileiros no final do ano aqui, além de podermos combinar uma sessão em algum ponto de ondas grandes na América do Sul.
SM Dane Kealoha puxou você para dentro daquele tubo considerado o maior de todos os tempos. Você pediu para ele te puxar bem atrás do pico para poder entubar? O que sentiu dentro daquela aberração da natureza?
GM Dane é o homem… Ele me colocou no ponto perfeito, dei uma pequena atrasada no drop, e tudo deu certo! Tenho planejado surfar um tubo daqueles desde os meus 17 anos e agora eu consegui. Foi um sonho realizado e a sensação, única.
SM Alguns experientes e renomados surfistas estão dizendo publicamente que você é um atleta inconsequente. O que você responde a eles?
GM Que eles surfem ondas maiores e cada vez mais atrasados. Façam algo diferente!
SM Algumas pessoas no Brasil não gostaram que você desmanchou a parceria com o Rodrigo Resende. Você pode explicar o que rolou?
GM O Rodrigo é um dos melhores big riders que eu conheço. É uma ótima pessoa, tem um bonito estilo e é muito atirado. Ele desce qualquer onda, em qualquer lugar, e em qualquer hora. A única razão para quebrar a pareceria e começar uma com Ikaika aconteceu por ele estar no Taiti e eu ter feito tow-in com ele, enquanto o Rodrigo combinou comigo e não apareceu. E também porque eu preciso treinar com alguém que more perto da minha casa.
SM O que você acha que acontecerá com os equipamentos essa temporada? As pranchas já diminuíram de 7’10 nos primeiros anos de tow-in e agora estamos usando 6′. O que você acha disso?
GM Se as pranchas menores estão melhores, vamos continuar diminuindo. Pranchas menores = menos atrito.
SM E agora tem essa nova lei no Hawaii. Aqui no Brasil temos alguns indivíduos passando com os jet-skis no meio do crowd. Você não acha que o tow-in pode ainda sofrer muito com essas atitudes?
GM Temos que nos esforçar para que em todos os países as leis que agora vigoram no Hawaii sejam passadas adiante. Essa galera pode queimar o filme de um esporte que traz muita alegria a todos.
SM E em Mavericks, o que acha que vai acontecer?
GM Eu não sei, mas a galera precisa se unir.
SM Quando vamos encarar um swell de 100 pés? Essas ondas existem?
GM Eu não quero mais a de 100′. Já estou de olho na de 120” (risos). Teremos que estar na hora e locais certos para pegá-las.
SM E os patrocinadores? Colocamos nossas vidas em risco e há empresas envolvidas no negócio. Quando a modalidade será melhor remunerada? Você acha que no futuro conseguiremos atrair grandes patrocinadores?
GM Se todas as duplas tiverem os mesmos patrocinios e adesivos nas pranchas e skis, não ficaremos mais tão diferentes como estamos agora. Eu e Ikaika estamos trabalhando para ter os mesmos patrocinadores, como uma verdadeira equipe. Desse modo eu acho que as grandes empresas nos respeitarão mais, e consequentemente investirão – como nos carros de corridas. Eu não tenho certeza, mas é o que eu acho.
SM Você tem planos de vir ao Brasil novamente? Quais são as melhores coisas que passam na sua cabeça quando pensa em nosso país, e as piores também?
GM Eu amo o Brasil, onde encontro as melhores comidas e boas ondas. Na minha primeira viagem ao Sul, surfei 10′ a 12′ na Silveira e passei dois meses em Florianópolis. Foram os melhores momentos da minha vida. E pretendo ir ao Brasil e também trabalhar com algumas empresas daí. O que mata o Brasil é a quantidade de mulheres bonitas. Eu tenho pena de vocês aí. Um grande abraço a todos brasileiros! Aloha.