O despertar da bela adormecida

Depois de permanecer adormecida durante algumas semanas, Pipeline, a rainha do North Shore, volta a quebrar perfeita. Acordei cedo e saí para checar o mar.

 

Passando por Sunset, logo percebi que o swell tinha um certo tamanho e que a direção norte oeste, mais oeste do que norte, seria boa para Pipe. Fui direto ao objetivo.

 

Na praia, vários locais já observavam o swell, que ainda não estava do jeito, mais prometia. Séries de até 3,5 metros rolavam na bancada, com a maré ainda um pouco cheia e poucos surfistas dentro da água.

 

Voltei para casa, tomei um café rápido, arrumei as coisas e fui para o surf.  Quando cheguei no outside, o crowd já estava formado e boa parte dos locais que surfam Pipe já estava na água.

 

Japoneses, brasileiros, bodyboarders e outros viciados nessa onda, mais de 50 cabeças, dividiam o pico. Em Pipe, em 20 minutos o crowd já fica muito pesado, mas o mar bombava forte e o vento fraco de sul deixava o tubo ainda maior.

 

O surf rolou solto por todo o dia. Algumas séries de oeste eram realmente perfeitas, com tubos cinematográficos, mas como tinha uma mistura no swell, com algumas séries de norte, nesses momentos os tubos fechavam e quem se aventurava geralmente tomava vacas históricas.

 

Vi uma galera da nova geração muito boa na água, e fiquei muito amarradão. Junior Farias e Heitor Pereira, pupilos de Paulo Kid, Riquinho Wendhausen, que pela primeira vez pôde ficar frente a frente com Pipe, entre outros, se colocavam junto ao crowd e disputavam as ondas. Foi o melhor dia que surfei durante esta temporada em Pipe.

 

Essa onda realmente é mágica, quem já surfou sabe… O visual do canal quando você entra, aqueles tubos animais, quadrados, o crowd, a platéia na areia, gente de todos os tipos e lugares, fotógrafos para todos os lados, é realmente um espetáculo!

 

Sinto-me um cara muito privilegiado por fazer parte disso! Obrigado Senhor, e que mais dias desses rolem para a alegria da galera viciada em Pipeline.

 

Aloha.

 

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)