
O carioca Rosaldo Cavalcanti pode ser considerado atualmente um dos brasileiros mais influentes no Hawaii. Pelo terceiro ano consecutivo ele e Jorge Guimarães, produtores associados do projeto, organizam uma das maiores competições do esporte, em seu país de origem, a Tow In World Cup, na temida onda de Jaws, na ilha de Maui.
Tamanha responsabilidade pode ser traduzida em números: são US$ 100 mil para a dupla campeã, maior premiação da história da modalidade; serão utilizadas 16 câmeras com tecnologia de última geração para registrar cada centímetro de ação, com dois helicópteros envolvidos na captação de imagens, que podem atingir mais de 50 milhões de pessoas; o evento emprega mais de 100 pessoas na ilha, gerando divisas importantes para a comunidade.
Isso explica, em partes, a importância da competição diante do cenário mundial, mas não é só isso. Os big riders convidados para a prova estão bastante ansiosos, já que no ano passado as ondas não atingiram o tamanho ideal e foi realizada apenas uma expression session, vencida pelo havaiano Garret MacNamara.
Mas este ano tudo indica que as ondas vão entrar e a Tow In World Cup deve rolar na próxima semana, quando está sendo esperado um swell de até 10 metros nas ilhas havaianas. Conheça os detalhes dessa empreitada nesta entrevista exclusiva com Rosaldo, horas antes de ele embarcar para o Hawaii.
O evento foi confirmado somente há poucos dias, e deve ter início em breve. Como foi a negociação e o que mudou este ano?
O evento foi confirmado graças a permanência dos Estúdios Mega, patrocinador pelo terceiro ano consecutivo da Tow In World Cup, além da entrada da Rain Networks, outra empresa do grupo Mega, especializada em cinema digital. Com isso, será empregada uma tecnologia inovadora e esta é a primeira vez que uma competição irá utilizá-la. Será uma revolução na distribuição de filmes, pois o projeto está sendo feito em parceria com a Microsoft, com um software exclusivo.

Que papel você desempenha no desenvolvimento do evento?
Eu e o Jorge Guimarães somos produtores associados do projeto e cuidamos de todos os trâmites para a realização do mesmo, como arrumar patrocinadores, cuidar da logística, produção, etc. Aliás, foi divulgado anteriormente que eu seria diretor dos Estúdios Mega, o que não é verdade. As negociações são parte de um processo demorado e delicado e qualquer informação equivocada pode interferir no sucesso dele.
Quais as expectativas para o início da competição?
São as melhores possíveis. Segundo informações do site da Universidade do Hawaii, que oferece a melhor previsão para as ilhas, feitas pelo guru das previsões Pat Caldwell, estão sendo esperados ondulações entre 7 a 10 metros para a semana que vem toda, com boas perspectivas de ventos também. Mas, vale lembrar que dependemos totalmente das variáveis da natureza para que tudo dê certo. A maior novidade será a produção cinematográfica envolvida no evento. Serão utilizadas 14 câmeras no total, sendo seis com qualidade de cinema (super 16mm e 35mm), quatro HD (High Definition) e quatro DV (tecnologia digital), além de dois helicópteros – com seis câmeras usadas na água. O evento terá transmissão em pay-per-view para os EUA, versão em DVD e ainda cobertura diária especial da Rede Globo, que irá exibir as imagens nos programas Globo Esporte e Esporte Espetacular, além de programas na Zona de Impacto e Sportv News, no canal a cabo Sportv. Na verdade, o mundo estava aguardando a confirmação deste campeonato, pois os big riders estavam apenas com o Eddie Aikau como opção confirmada.
E como está sendo a receptividade da comunidade em relação ao fato de um evento desse porte ser organizado por brasileiros em pleno Hawaii?
Somos muito bem tratados pela comunidade local, principalmente diante das circunstâncias a que somos obrigados a trabalhar. Além de não podermos estipular uma data fixa para a competição e ainda depender da boa vontade da natureza, por ser uma ilha, existe muita politicagem e muitos interesses envolvidos. Mas, empregamos cerca de 100 pessoas, e não tem como negar que se trata de um evento importante para aquecer a economia local. Para nós, brasileiros, também é ótimo, pois é o único evento que conta com cinco atletas do Brasil. E isso só porque é organizado por brasileiros. A transmissão em pay-per-view será um marco e irá abrir as portas da modalidade nos EUA, e posteriormente no mundo todo.