O Billabong Pipeline Masters sempre atrai as atenções de todos os veículos especializados em surf no mundo inteiro.
A etapa de 2008 ganhou as páginas também do conceituado The New York Times, considerado o maior jornal do mundo.
Confira a íntegra da reportagem “Banzai Pipeline atrai cavaleiros das ondas”, produzida por Matt Higgins.
“O sol, as seqüências de ondas de 2,5 metros, e os espectadores armados de cafés, câmeras e binóculos todos chegaram cedinho na manhã de terça-feira ao Ehukai Beach Park, mais conhecido pelo nome do mais famoso ponto de surfe da North Shore de Oahu, a Banzai Pipeline.
Era o primeiro dia do torneio Billabong Pipeline Masters, a competição final do calendário da temporada de surfe profissional e o mais prestigioso evento do esporte.
A primeira rodada começou às 8 horas, com uma bateria que envolvia o australiano Daniel Ross e o local Kamalei Alexander.
Antes da competição, Bernie Baker, o diretor esportivo da Vans Triple Crown of Surfing, o nome oficial do campeonato, saiu da cama a contragosto pouco depois das quatro da manhã, para enfrentar o primeiro drama do dia. Ele consultou os relatórios das bóias instaladas a 320 quilômetros a noroeste da costa da ilha de Kauai, parte do arquipélago do Havaí. Estudou a altura das ondas, seus intervalos e a avaliação de sua energia.
Depois, ele e o comitê informal que cuida desse processo concordaram em que havia condições para a disputa – um ritual que eles repetirão a cada manhã durante o evento, iniciado na segunda-feira e que se estende por 13 dias. “Estamos sempre à mercê do clima e da direção das ondas”, disse Baker.
As ondas vindas do noroeste que chegaram a Pipeline na terça-feira haviam percorrido 1,6 mil quilômetros em três dias, do Pacífico Norte perto da Rússia. Os resultados foram considerados médios, de acordo com Bruce Pleas, operador da Surf Forecast Hawaii, um serviço de previsão de condições para o surfe instalado em Kauai que presta serviço à Triple Crown of Surfing há 15 anos.
Com base em modelos de previsão estendidos, Pleas diz que a chance de que o surfe em Pipeline seja épico na atual disputa, que se encerra em 20 de dezembro, é de apenas 30%.
No ano passado, a final, vencida por Bede Durbidge, da Austrália, foi realizada com algumas das piores ondas já vistas na competição. Elas mal atingiam um metro de altura, e eram baixas demais para os tubos que se tornaram clássicos em Pipeline.
Mesmo em suas melhores condições, a praia de Pipeline pode não receber as maiores, as mais difíceis ou as mais bonitas ondas do planeta. Mas, como sede da mais antiga disputa do surfe profissional, que já atinge sua 38ª edição, serve como padrão para que as demais ondas sejam julgadas.
“Se eu tivesse de escolher um evento para vencer, este seria o meu número um”, disse Taj Burrow, que ocupa o terceiro posto do ranking da tour mundial da Association of Surfing Professionals (ASP).
A temporada de 2008 se encerrou com uma certa sensação de anticlímax, porque Kelly Slater já havia garantido seu nono título em outubro. Mas Burrow, que nunca venceu em Pipeline, disse que o Masters representa uma oportunidade de encerrar a temporada em nota positiva. “Trata-se do mais prestigioso evento mundial, por larga margem”, ele disse.
Na terça-feira, 48 surfistas estavam na competição, metade dos quais avançou para a próxima etapa, incluindo Jamie O’Brien, que venceu o Pipeline Masters em 2004. Os surfistas que avançaram terão a oportunidade de competir contra profissionais como Burrows e Slater, que detém o recorde de títulos do Masters, com cinco, o último dos quais em 1999.
“Pipe era o grande desafio para mim desde que eu era menino”, disse Slater. “Aos meus olhos, é como se fosse a onda definitiva”.
Ainda que as ondas tenham se mantido as mesmas desde que o surfe começou a ser praticado na praia, quase 50 anos atrás, o panorama que cerca a disputa mudou. Centenas de espectadores se espalham pela areia para contemplar as ondas que quebram a apenas 70 metros da costa. A maior parte das casas que ficam de frente para o local da competição foram compradas por fabricantes de equipamentos para surfe, e ficam lotadas durante a competição.
“Não há uma bateria que eu não goste de assistir”, disse Slater. “Alguém pode morrer na próxima onda”.
Por anos as ondas em Pipeline eram consideradas formidáveis demais para o surfe, até que em dezembro de 1961 Phil Edwards conseguiu pegar uma onda de 2,5 metros, em cena documentada em filme. Pouco depois, o ponto ganhou seu nome, Pipeline, por conta de um duto que estava em construção lá perto.
Não há estatísticas oficiais, mas acredita-se que mais de 30 pessoas tenham morrido tentando surfar no local, de acordo com um livro publicado em novembro sobre a praia.
Burrow sofreu uma queda grave durante o torneio em 1999, batendo as costas e a cabeça nos recifes que ficam apenas menos de um metro abaixo da água.
“Eu voltei à superfície vendo estrelas”, ele disse. Ele chegou à praia depois de ser carregado por diversas ondas, e desmaiou antes de ser levado ao hospital. Os médicos diagnosticaram lesão óssea superficial e o liberaram.
Mas os danos psicológicos persistem. “Eu fiquei apavorado com aquele pico por anos, depois disso”, diz Burrow.
É essa sensação de incerteza que torna Pipeline tão intrigante. Na tarde de terça-feira, não estava claro quando seria realizado o segundo dia da competição. Uma frente de baixa pressão estava rondando Oahu, e ameaçava desfazer as ondas pela força do vento e da chuva, na quarta.
Baker e seu pessoal disseram que só na quarta-feira seria possível saber se o mar permitiria surfe naquele dia. “Se as ondas estiverem boas, se o tempo estiver, o comitê precisa de zero voto para aprovar a competição”, ele disse.
O sol, as seqüências de ondas de 2,5 metros, e os espectadores armados de cafés, câmeras e binóculos todos chegaram cedinho na manhã de terça-feira ao Ehukai Beach Park, mais conhecido pelo nome do mais famoso ponto de surfe da North Shore de Oahu, a Banzai Pipeline.
Era o primeiro dia do torneio Billabong Pipeline Masters, a competição final do calendário da temporada de surfe profissional e o mais prestigioso evento do esporte. A primeira rodada começou às 8h, com uma bateria que envolvia o australiano Daniel Ross e o local Kamalei Alexander.
Antes da competição, Bernie Baker, o diretor esportivo da Vans Triple Crown of Surfing, o nome oficial do campeonato, saiu da cama a contragosto pouco depois das quatro da manhã, para enfrentar o primeiro drama do dia. Ele consultou os relatórios das bóias instaladas a 320 quilômetros a noroeste da costa da ilha de Kauai, parte do arquipélago do Havaí. Estudou a altura das ondas, seus intervalos e a avaliação de sua energia.
Depois, ele e o comitê informal que cuida desse processo concordaram em que havia condições para a disputa – um ritual que eles repetirão a cada manhã durante o evento, iniciado na segunda-feira e que se estende por 13 dias. “Estamos sempre à mercê do clima e da direção das ondas”, disse Baker.
As ondas vindas do noroeste que chegaram a Pipeline na terça-feira haviam percorrido 1,6 mil quilômetros em três dias, do Pacífico Norte perto da Rússia. Os resultados foram considerados médios, de acordo com Bruce Pleas, operador da Surf Forecast Hawaii, um serviço de previsão de condições para o surfe instalado em Kauai que presta serviço à Triple Crown of Surfing há 15 anos.
Com base em modelos de previsão estendidos, Pleas diz que a chance de que o surfe em Pipeline seja épico na atual disputa, que se encerra em 20 de dezembro, é de apenas 30%.
No ano passado, a final, vencida por Bede Durbidge, da Austrália, foi realizada com algumas das piores ondas já vistas na competição. Elas mal atingiam um metro de altura, e eram baixas demais para os tubos que se tornaram clássicos em Pipeline.
Mesmo em suas melhores condições, a praia de Pipeline pode não receber as maiores, as mais difíceis ou as mais bonitas ondas do planeta. Mas, como sede da mais antiga disputa do surfe profissional, que já atinge sua 38ª edição, serve como padrão para que as demais ondas sejam julgadas.
“Se eu tivesse de escolher um evento para vencer, este seria o meu número um”, disse Taj Burrow, que ocupa o terceiro posto do ranking da tour mundial da Association of Surfing Professionals (ASP).
A temporada de 2008 se encerrou com uma certa sensação de anticlímax, porque Kelly Slater já havia garantido seu nono título em outubro. Mas Burrow, que nunca venceu em Pipeline, disse que o Masters representa uma oportunidade de encerrar a temporada em nota positiva. “Trata-se do mais prestigioso evento mundial, por larga margem”, ele disse.
Na terça-feira, 48 surfistas estavam na competição, metade dos quais avançou para a próxima etapa, incluindo Jamie O’Brien, que venceu o Pipeline Masters em 2004. Os surfistas que avançaram terão a oportunidade de competir contra profissionais como Burrows e Slater, que detém o recorde de títulos do Masters, com cinco, o último dos quais em 1999.
“Pipe era o grande desafio para mim desde que eu era menino”, disse Slater. “Aos meus olhos, é como se fosse a onda definitiva”.
Ainda que as ondas tenham se mantido as mesmas desde que o surfe começou a ser praticado na praia, quase 50 anos atrás, o panorama que cerca a disputa mudou. Centenas de espectadores se espalham pela areia para contemplar as ondas que quebram a apenas 70 metros da costa. A maior parte das casas que ficam de frente para o local da competição foram compradas por fabricantes de equipamentos para surfe, e ficam lotadas durante a competição.
“Não há uma bateria que eu não goste de assistir”, disse Slater. “Alguém pode morrer na próxima onda”.
Por anos as ondas em Pipeline eram consideradas formidáveis demais para o surfe, até que em dezembro de 1961 Phil Edwards conseguiu pegar uma onda de 2,5 metros, em cena documentada em filme. Pouco depois, o ponto ganhou seu nome, Pipeline, por conta de um duto que estava em construção lá perto.
Não há estatísticas oficiais, mas acredita-se que mais de 30 pessoas tenham morrido tentando surfar no local, de acordo com um livro publicado em novembro sobre a praia.
Burrow sofreu uma queda grave durante o torneio em 1999, batendo as costas e a cabeça nos recifes que ficam apenas menos de um metro abaixo da água. “Eu voltei à superfície vendo estrelas”, ele disse.
Ele chegou à praia depois de ser carregado por diversas ondas, e desmaiou antes de ser levado ao hospital. Os médicos diagnosticaram lesão óssea superficial e o liberaram. Mas os danos psicológicos persistem. “Eu fiquei apavorado com aquele pico por anos, depois disso”, diz Burrow.
É essa sensação de incerteza que torna Pipeline tão intrigante. Na tarde de terça-feira, não estava claro quando seria realizado o segundo dia da competição. Uma frente de baixa pressão estava rondando Oahu, e ameaçava desfazer as ondas pela força do vento e da chuva, na quarta.
Baker e seu pessoal disseram que só na quarta-feira seria possível saber se o mar permitiria surfe naquele dia. “Se as ondas estiverem boas, se o tempo estiver, o comitê precisa de zero voto para aprovar a competição”, ele disse.
